As lagartas do complexo Spodoptera: Spodoptera frugiperda, Spodoptera eridania, Spodoptera cosmioides, na fase do vegetativo da soja, durante o dia são encontradas no solo, com comportamento semelhante a lagarta rosca, à noite onde a temperatura é amena ou mesmo em dias nublados as lagartas saem do solo para superfície afim de se alimentar, e muitas vezes atacam cotilédones e folhas de plantas recém emergidas. No período reprodutivo da soja também assumem posição de dano, através da sua alimentação causam consomem parte da área foliar e vagens das plantas.



Como fazer a identificação e diferenciação à campo?

Complexa e trabalhosa, a diferenciação das espécies não é simples, principalmente quando se trata em fase de lagarta, uma forma de acertar com maior possibilidade seria de realizar o reconhecimento com a manipulação de mariposas (adultos).

Quando se faz a identificação das lagartas algumas características são levadas em consideração e é importante ressaltar que a cor é um parâmetro variável de acordo com o ambiente e o hospedeiro.

  • S. frugiperda – “Y” invertido na cabeça da lagarta e 4 pontuações pretas em formato de quadrado na região posterior. Listra creme na lateral e pontuações na inserção das pilosidades ao corpo da lagarta.
  • S. eridania – Série de triângulos negros está geralmente presente ao longo do comprimento do corpo. Listra branca ou amarelada interrompida por mancha escura no primeiro segmento abdominal (não chega até a cabeça).
  • S. cosmioides – Faixa escura (3º par de pernas toráxicas e o 1º par de falsas pernas abdominais). Três listras alaranjadas. Pontos brancos. Pontos negros semicirculares nas extremidades.

Segundo as premissas do MIP, o primeiro passo para a tomada de decisão à cerca do manejo envolve a identificação da praga, e isso porque algumas medidas de controle são tomadas com base na espécie.

Pesquisas com o gênero Spodoptera

Buscando avaliar a sobrevivência e a duração do ciclo da praga em diferentes culturas, o trabalho feito por pesquisadores da Universidade Rural do Pernambuco (confira o trabalho completo aqui), mostra que lagartas confinadas em folhas de milho e milheto apresentaram sobrevivência inicial de 98,9%, seguido por folhas de algodoeiro e soja e, apenas, 28,6% em maçã de algodoeiro. As lagartas criadas em folha de soja apresentaram sobrevivências intermediárias, como mostra a Figura 1.

Segundo os autores: “A sobrevivência inicial nos hospedeiros é um fenômeno importante para qualquer inseto herbívoro, em especial para aqueles que, como S. frugiperda não apresentam acuidade parental depositando seus ovos em locais diversos.”

Trabalhando com S. frugiperda, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (confira acessando aqui), apresentam dados sobre a sobrevivência desta lagarta em diferentes hospedeiros, estes dados enfatizam que  em todos os tratamentos, tanto a sobrevivência larval inicial, como a sobrevivência larval, foi alta, mostrando que todos os hospedeiros utilizados, exceto o fumo, são favoráveis à sobrevivência da lagarta-do-cartucho, variando de 84% no milho a 98% na braquiária (Figura 1).

Em pesquisa (disponível na integra aqui) também, vinculados a Universidade Estadual de Londrina mostraram que o consumo de área foliar por S. eridania comportou-se da seguinte maneira no experimento: As lagartas de S. eridania consumiram maior área foliar de corda-de-viola e de soja, chegando esse valor, a ser o dobro da área consumida de algodoeiro, evidenciando que a corda-de-viola pode ser um bom hospedeiro alternativo para a praga.

Destaca-se a voracidade em soja, com cada lagarta consumindo 140 cm de folhas.

Nível de ação para o controle de lagartas

  • Vegetativo – Desfolha: nível de ação é de 30% de desfolha;
  • Reprodutivo Desfolha: nível de ação é de 15% de desfolha;
  • Reprodutivo Legumes: 10 lagartas por metro ou 10% dos legumes atacados;
  • Considerando a amostragem pelo método da batida de pano para contagem de insetos, o nível de ação é de 20 lagartas grandes (>1,5 cm) por metro.

Tecnologia Intacta®

A soja Intacta® surgiu no mercado como uma tecnologia importante para o manejo de pragas nos sistemas agrícolas. A biotecnologia consiste basicamente em inserir gene cry1Ac no DNA das plantas de soja, o qual expressa a proteína cry1Ac, um potente inseticida no controle de diversas espécies de lagartas.

Contudo, atualmente o complexo Spodoptera não é controlado pela tecnologia RR disponível no mercado. Para tanto, visto que os danos do complexo Spodoptera são facilmente confundidos com o de outras lagartas,  é imprescindível que medidas de localização e reconhecimento da praga sejam realizadas, juntamente com a quantificação dos danos. Salienta-se que a voracidade das lagartas de S. cosmioides é superior às de S. eridania, o que pode resultar em maior dano às culturas.

Um trabalho que mostra a implicação da tecnologia Intacta® (ou Bt), feito na Unisinos (confira o trabalho acessando aqui) mostra que lagartas de S. eridania alimentadas com cultivares de tecnologia RR ou Bt e expostas ao parasitismo de Dolichozele sp. foram satisfatoriamente controladas pelo parasitoide. Contudo, o Bt como único controle não foi eficiente.

Spodoptera na Argentina

Trabalhos feitos pelo INTA – National Agricultural Technology Institute (acesse aqui) apresentaram o consumo de lagartas desfoliadoras em soja, onde os resultados mostram a voracidade da S. cosmioides frente as demais.

Tabela 1. Consumo de área foliar cm² em diferentes lepidópteros em soja em toda sua vida larval (Molinari, 2010).

Chamando atenção para o consumo da S. cosmioides como sendo quase o dobro das demais, o que sugere mais uma vez que não só a nível nacional, mas de forma geral identificar a espécie e conhecer seus hábitos comportamentais é relevante.

Assim, embora não tão expressiva nas ultimas safras agrícolas brasileiras, as lagartas do gênero Spodoptera são danosas ao cultivo de soja, e sua infestação dependendo da fase da cultura prejudica o stand de plantas e o rendimento final da cultura, duas parcelas extremamente importantes para o retorno financeiro da lavoura, o que implica diretamente no bolso do produtor. Portanto, mesmo que inexpressiva é importante que o monitoramento seja feito e que sua presença seja cogitada em todas as safras.

E atenção, períodos com chuvas mais escassas podem ser mais propensos ao aparecimento  de Spodoptera spp.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

 

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