O  objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do lactofen na arquitetura das plantas de soja e sua interferência nos componentes de rendimento e na produtividade de grãos de soja.

Autores: PELISSER, W.R.1; CHAVARRIA, G.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Na busca por cultivares com elevado potencial de rendimento é necessário entender e identificar os processos que limitam a produtividade e da mesma forma a complexidade das interações entre eles (Barros et al., 2012). O conhecimento da relação entre características de crescimento e desenvolvimento da planta com os componentes do rendimento é determinante para a definição de um ideotipo de planta (Barros et al., 2010).

A definição do rendimento da soja está diretamente ligada aos componentes do rendimento que são número de legumes por unidade de área, número de grãos por legume e massa de grãos (Navarro Junior; Costa, 2002). O rendimento de grãos resulta da capacidade da planta interceptar, absorver e utilizar a radiação solar para produzir e fornecer fotoassimilados à formação, fixação e desenvolvimento de estruturas reprodutivas tendo isso uma relação direta com o número de grãos por área (Proulx; Naeve, 2009).

A hipótese desse trabalho é que os componentes do rendimento e a produtividade de grãos sofra alteração com a mudança da arquitetura das plantas de soja. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do lactofen na arquitetura das plantas de soja e sua interferência nos componentes de rendimento e na produtividade de grãos de soja.

Os experimentos foram conduzidos na área experimental da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo em Passo Fundo, RS, durante a safra 2015/2016. Foram implantados dois experimentos cada um com uma cultivar, BMX Potência RR, e NA 5909 RG. Os experimentos foram implantados no sistema de semeadura direta, em área de resteva de trigo. No momento da semeadura realizou-se a adubação com 6 kg.ha-1 de N, 60 kg.ha-1 de P2O5 e 60 kg.ha-1 de K2O. As sementes foram inoculadas com Bradyrhizobium japonicum e tratadas com inseticida e fungicida. Cada parcela experimental foi composta por sete linhas de semeadura, com 6,0 m de comprimento, distanciadas 0,45 m entre si.

Os experimentos foram conduzidos no delineamento em blocos casualizados (DBC), e constituídos de quatro tratamentos e cinco repetições: T1 – testemunha, T2 – aplicação de 140 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V3, T3 – aplicação de 140 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V6 e T4 – aplicação de 70 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V3 + 70 g i.a.ha-1 de lactofen em estádio fenológico V6, segundo a escala fenológica proposta por Fehr e Caviness (1977). Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05). Quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade de erro.

No estádio de maturação de grãos, escolheu-se, aleatoriamente, 10 plantas de cada parcela, com as quais foram estimadas as variáveis relacionadas aos componentes do rendimento os quais foram estratificados por terços (superior, médio e inferior), através da medida do tamanho total das plantas e posterior divisão em três partes iguais. As variáveis avaliadas foram número de grãos e massa de grãos por planta.

Para a determinação do rendimento de grãos (kg.ha-1), realizou-se a colheita com uma colhedora de parcelas (SEMINA, M1400). As amostras foram pesadas, corrigidas a umidade para 13% e calculando o rendimento de grãos por hectare. A massa de mil grãos foi mensurada no momento da colheita coletando-se uma amostra e contando-se 250 grãos e corrigindo a mesma para 13% de umidade.

O número de grãos por planta não apresentou diferença entre os tratamentos, nos terços superior e médio para ambas as cultivares (Tabela 1). Já para o terço inferior ocorreram diferenças entre os tratamentos, sendo que o maior número de grãos nesse terço se deu no tratamento T2 independente da cultivar, com 14,6 para NA 5909 RG e 34,6 para BMX Potência RR (Tabela 1). Comparando com a testemunha que apresentou os menores valores para essa variável, o aumento percentual do número de grãos no terço inferior ficou em torno de 50% e 34% respectivamente para as cultivares NA 5009 RG e BMX Potência RR.

Tabela 1. Número e massa de grãos por plantas em diferentes terços de duas cultivares de soja submetidas à aplicação de lactofen. FAMV/UPF, Passo Fundo, 2016.

A massa de grãos por planta nos diferentes terços seguiu a mesma tendência do número de grãos, sendo somente o terço inferior o que apresentou diferença entre os tratamentos (Tabela 1). O tratamento que obteve os maiores valores foi novamente o tratamento T2, com um valor de 2,5 g para NA 5909 RG e 4,6 g para BMX Potência, comparado com 1,4 g e 3,3 g, respectivamente, na média dos demais tratamentos que não diferiram estatisticamente entre si (Tabela 1). A massa de mil grãos não apresentou diferença entre os tratamentos em ambas as cultivares (Tabela 2).


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Esse resultado mostra que essa variável está fortemente ligada a fatores genéticos, e que a utilização do lactofen independente do momento da aplicação não teve influência. O rendimento de grãos por hectare apresentou diferença entre os tratamentos para as duas cultivares. O tratamento que proporcionou maior produção em relação à testemunha foi o tratamento T2, independente da cultivar (Tabela 2). Para a cultivar NA 5909 RG o acréscimo em produtividade ficou em torno de 181 kg.ha-1 e para a cultivar BMX Potência RR em torno de 255 kg.ha-1, comparado com a testemunha (Tabela 2). Os demais tratamentos não tiveram diferenças significativas em relação à testemunha.

Tabela 2. Massa de mil grãos e produtividade de grãos de duas cultivares de soja submetidas à aplicação de lactofen. FAMV/UPF, Passo Fundo, 2016.

Nesse contexto podemos concluir que o lactofen tem a possibilidade de modificar a arquitetura das plantas interferindo nos componentes de rendimento e incrementando a produtividade de grãos de soja.

Referências

BARROS, H. B.; SEDIYAMA, T.; MELO, A. V.; FIDELIS, R. R.; CAPONE, A. Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de soja por meio de métodos uni e mutltivariado. Revista Biotecnologia e Biodiversidade, v. 3, n. 2, p. 49-58, 2012.

BARROS, H. B.; SEDIYAMA, T.; TEIXEIRA, R. C.; FIDELIS, R. R.; CRUZ, C. D.; REIS, M.S. Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de soja avaliados no estado do Mato Grosso. Revista Ceres, v. 57, n. 3, p. 359-366, 2010.

FEHR, W. R.; CAVINESS, C. E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. 11p. (Special Report, 80).

NAVARRO JUNIOR, H. M. N.; COSTA, J. A. Contribuição relativa dos componentes do rendimento para a produção de grãos em soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 37, n. 3, p. 269-274, 2002.

PROULX, R. A.; NAEVE, S. L. Pod removal, shade, and defoliation effects, on soybean yield, protein, and oil. Agronomy Journal, v. 101, n. 4, p. 971-978, 2009.

Informações dos autores:  

1Programa de Pós Graduação em Agronomia – Universidade de Passo Fundo – UPF, Campus Passo Fundo, BR 285, São José, Passo Fundo, RS;

2Universidade de Passo Fundo – UPF.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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