Condição climática para os primeiros meses de 2018 no RS

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Por Jossana Cera

O último mês de 2017 ficou caracterizado pelas precipitações abaixo da normal climatológica, sendo que a chuva só retornou com volumes mais significativos na última semana de dezembro. Na (Imagem 1) pode-se observar o volume acumulado (A) e anomalia de precipitação (B) durante o mês no Rio Grande do Sul.

As regiões que vem sendo mais prejudicadas são a Fronteira Oeste, Campanha e Zona Sul, primeiro por serem regiões que têm recebido menos precipitação e, segundo, por serem regiões que, climatologicamente, chove menos. Os mapas climatológicos da diferença entre a precipitação e a evapotranspiração indicam que os meses de dezembro e janeiro são críticos na metade Sul do Rio Grande do Sul, pois mesmo que chova dentro do normal, a evapotranspiração é maior e com isso o saldo fica negativo (Imagem 2). Ou seja, nesses meses seria necessário que houvesse chuvas sempre acima do normal, para que as plantas não sofressem estresse hídrico e assim aumentariam seu potencial de produção.

O resfriamento do Oceano Pacífico continua favorecendo para que o evento La Niña se configure, já que há também o acoplamento das condições oceânicas e atmosféricas (temperatura, pressão e ventos). Para que o evento La Niña de fato se configure são necessários 5 trimestres consecutivos com temperatura inferior a -0,5 °C, ou seja, SON, OND, NDJ, DJF, JFM (estamos no segundo trimestre).

Imagem 2

O retângulo na Imagem 3 mostra a região do Niño 3.4, região que os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña), onde se observa uma grande área com anomalias negativas de temperatura, característica clássica de eventos La Niña. A área marcada pelo círculo, no OceanoAtlântico Sul, mostra que a região está com temperaturas dentro do normal (Imagem 3). O aquecimento/resfriamento no Oceano Atlântico Sul pode favorecer/desfavorecer a precipitaçãono Rio Grande do Sul, principalmente na metade Leste do estado.

Imagem 3

As previsões do IRI (International Research Institute for Climate and Society, da Universidade de Columbia – EUA) apontam entre 85 e 95% de probabilidade para a configuração da La Niña até o final do verão. Com isso, a maioria dos modelospreveem que a precipitação ficará abaixo do normal, principalmente nas áreas da Fronteira Oeste, Campanha e Zona Sul. (Na Imagem 4) observa-se a previsão de dois desses modelos (um brasileiro e outro americano). Ou seja, as chuvas ocorrerão, porém serão mal distribuídas temporal e espacialmente. Imagem 4

Para as lavouras de arroz, a atenção agora se volta para o nível de água nos reservatórios, que estão baixando, pois a condição isolada de tempo seco e com sol é benéfica para o arroz. Porém para as culturas de sequeiro como soja e milho, a situação é um pouco mais complicada, pois as lavouras que estão na fase de enchimento de grãos, estão demandando muita água, em torno de 6 a 10 mm/dia para a soja, por exemplo, para que a planta expresse o seu máximo potencial produtivo. Outro alerta fica por conta da temperatura, já que a entrada de massas de ar mais frio pode se antecipar este ano, trazendo prejuízos para aquelas lavouras que foram semeadas tardiamente.

Autor: Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

Fonte: Disponível no Portal do Irga

Texto originalmente publicado em:
Irga
Autor: Jossana Cera

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