Condições de La Niña estão presentes

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Novembro ficou marcado pelas chuvas abaixo da normal climatológica na Metade Sul e acima da normal na Metade Norte do Rio Grande do Sul. As regiões mais afetadas pela redução das chuvas foram a Fronteira Oeste, Campanha, Região Central e Zona Sul, que registraram entre 50 e 100 mm a menos de precipitação, dependendo do local (Imagem 1). Já pontos do Norte do Estado chegaram a registrar precipitação entre 100 e 200 mm acima da média histórica.

Mapa da precipitação em novembro - Foto: Reprodução

Com relação aos oceanos, se passaram três meses com temperaturas abaixo do normal no Oceano Pacífico Central e, agora, há também o acoplamento das condições oceânicas com as condições atmosféricas características de La Niña (pressão e ventos), ou seja, estão mutuamente se reforçando. Com isso, há a expectativa de que o La Niña venha realmente a acontecer e que seja de curta duração. Destaca-se que o evento La Niña ainda não está didaticamente configurado, pois tivemos recém o primeiro trimestre com anomalia de temperatura com limiar para La Niña (trimestre setembro-outubro-novembro = -0,7 °C). Para que a La Niña se configure é necessário que cinco trimestres consecutivos tenham anomalias menores que -0,5 °C. Porém, mesmo sem a configuração do evento, se notam alguns efeitos no Rio Grande do Sul que são característicos de eventos La Niña, como dias com temperaturas mais baixas que o normal, mais temporais com queda de granizo e também a redução no volume de chuvas.

O retângulo na Imagem 2 mostra a região do Niño 3.4, região que os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña), onde se observa uma grande área com anomalias negativas de temperatura, característica clássica de eventos La Niña. A área marcada pelo círculo, no Oceano Atlântico Sul, mostra uma região aquecida e bem deslocada para Sul (Imagem 2). Por vezes, esse aquecimento traz mais umidade na região à Oeste do aquecimento e, pode ocasionar o aumento da precipitação nessa região, o que não é o caso neste momento já que nas últimas semanas essas anomalias positivas quase desapareceram. O não aquecimento nessa região, juntamente com o resfriamento no Pacífico, pode ser um agravante para a redução das chuvas no Rio Grande do Sul no curto prazo.

Imagem 2

Com o rápido resfriamento do Oceano e também intensidade um pouco mais elevada comparada ao último evento, as previsões probabilísticas do IRI (International Research Institute for Climate and Society, da Universidade de Columbia-EUA) apontam agora entre 65 e 75% de chances para a configuração da La Niña até o final do verão.

Em virtude disso, alguns modelos vêm indicando chuvas abaixo da média para o trimestre dezembro-janeiro-fevereiro. O modelo do IRI mostra que o trimestre dezembro-janeiro-fevereiro será de precipitação abaixo da média no Norte do Rio Grande do Sul e nas demais regiões chuvas dentro da normalidade. Já o modelo utilizado pelo CPPMet da UFPel/INMET e NMME da NOAA (Imagem 3) preveem áreas com chuva abaixo da média no Sul do Estado em dezembro, ou seja, ao que parece será um mês com características próximas ao que foi em novembro. Em janeiro estes dois modelos estão divergindo quanto à previsão de chuva. E para fevereiro, enquanto um prevê chuvas abaixo do normal em todo o Estado (Imagem 3H), o outro prevê chuvas um pouco abaixo do normal para as regiões Oeste, Campanha e Sul (Imagem 3I), algo em torno de 10 a 20 mm a menos de precipitação.

 

Texto originalmente publicado em:
IRGA
Autor: Jossana Cera

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