Os nematoides são causadores de perdas anuais estimadas em R$ 35 bilhões ao ano e apenas na soja, as perdas são estimadas em R$ 16,2 bilhões ao ano. Por este motivo alternativas de controle biológico podem ser promissoras e de menor impacto biológico no sistema lavoura.

A aplicação de Bionematicidas ou nematicidas microbiológicos é realizada normalmente via solo. E a sua composição (fungo ou bactéria) pode agir de diversas maneiras sobre o ciclo biológico do nematoide, podendo ocasionar morte direta, interferir na reprodução ou agir no processo de penetração no hospedeiro (SILVA et al, 2014).

Na figura abaixo é possível observar a ação de um agente biológico no controle de nematoides da espécie Meloydogine javanica.

Fonte da Figura: Pedro Luiz Martins Soares 

Identificação e caracterização do dano de nematoide

Meloidogyne sp.

Os nematoides do gênero Meloidogyne sp. possuem ampla distribuição geográfica e representam um dos principais problemas para a cultura da soja. Formam estruturas no sistema radicular da planta denominadas galhas,  as galhas no sistema radicular podem ocasionar diminuição de 16,6 % na altura da planta e 66,4 % no número de vagens além de como sintoma característico a murcha das plantas durante os períodos mais quentes do dia.

Heterodera glycines 

Conhecido como nematoide de cisto da soja. Dhingra et al. (2009) alertaram que as perdas de produtividade de grãos podem atingir 90 %, em combinação com o grau de infestação e raça do nematoide, fertilidade do solo e suscetibilidade da cultivar.

Pratylenchus sp.

Conhecido como nematoides das lesões radiculares, é o segundo grupo de fitonematoides mais importantes, sendo que o primeiro é o gênero Meloydogine, são parasitas obrigatórios, migradores, tem interação com bactérias e fungos e causam diminuição da área radicular.

Fungos e Bactérias usadas no controle biológico de nematoides

Dentre os vários fungos nematófagos, os ovicidas ou oportunistas estão entre os mais promissores:

Paecilomyces lilacinus:  fungo de solo e parasita facultativo de ovos de nematoides. Cresce em grande variedade de substratos, adapta-se a uma ampla faixa de pH do solo e é bastante competitivo em campo (JACOBS et al., 2003).

Pochonia chlamydosporia:  é parasita de nematoides de galha e tem sido descrito como parasita de fungos patogênicos de plantas, propriedades que o tornam um potencial bioagente de controle tanto de nematoides parasitas de plantas como de fungos causadores de doenças de plantas (MONFORT et al., 2005).

Bacillus sp.: O potencial de exploração comercial de isolados de B. subtilis para formulação
de bionematicidas é elevado, em razão de a bactéria produzir substâncias nematóxicas
que alteram os exsudatos radiculares, aliada à habilidade de sobreviver no solo (VAZ e
LOPES, 2011).



Resultados com o uso de controle biológico em nematoides

Trabalho publicado na Scientia Agraria Paranaensis teve por objetivo de avaliar a eficácia de fungos nematófagos no controle de M. incognita parasitando plantas de soja. Os tratamentos foram constituídos por Pochonia chlamydosporia, Paecilomyces lilacinus, Coprinus comatus e uma mistura de P. chlamydosporia e P. lilacinus, além de plantas testemunhas inoculadas com M. incognita sem qualquer um dos agentes de controle.


Observou-se a redução do número de juvenis por grama de solo para o tratamento à base de P. chlamydosporia, onde pode-se dizer que a um potencial na redução de juvenis . Visto que, o controle efetuado por fungos nematófagos se dá pela colonização da rizosfera pelas hifas, não sendo capaz de parasitar os ovos do nematoide retidos no interior de galhas (ATKINS et al., 2003). Assim, P. chlamydosporia interfere na redução do inóculo secundário, devido ao parasitismo dos ovos liberados pelas fêmeas do interior das galhas (BAILEY et al., 2008).



Outro trabalho na mesma linha publicado na Acta Scientiarum Agronomy testou eficácia de fungos, de um produto comercial à base de Bacillus e do nematicida químico Aldicarb no controle de Meloidogyne incognita em soja, variedade M-SOY 6101. Abaixo os resultados encontrados:


Os resultados mostram que:

  • Aldicarb é eficiente na redução do número de ovos e de juvenis de M. incognita.
  • P. lilacinus foi o mais atuante entre os agentes biológicos, pois favoreceu a manutenção da massa da matéria seca das raízes de soja e reduziu o número de ovos,
  • Produto Nemix, à base de Bacillus sp. e o fungo P. chlamydosporia somente tiveram ação efetiva na redução do número de ovos do nematoide.
  • Concluiu-se que o agente químico e os agentes biológicos avaliados neste trabalho mostraram moderada atividade no controle de M. incognita em soja.

Outro trabalho que também buscou avaliar a eficiência do biológico foi publicado na  Multi-Science Journal, e teve como objetivo avaliar a eficiência do tratamento de sementes com abamectina isolada e associada com o fungo Paecilomyces lilacinus no manejo de Heterodera glycines na cultura da soja.


As conclusões dos pesquisadores foram:

O tratamento de sementes com abamectina mostrou- se eficiente na redução de fêmeas de H. glycines por sistema radicular e de ovos por fêmeas em cultivar de soja suscetível ao nematoide.

A abamectina associada ao fungo P. lilacinus apresenta potencial de utilização no manejo de H. glycines na cultura da soja. No entanto, mais estudos são necessários para definição de doses que não afete o desenvolvimento do sistema radicular da cultura.

A UFPEL produziu um estudo para avaliar a eficiência de biológicos no controle de nematoide em soja, com este trabalho eles demonstraram as diferenças na eficiência em ovos e juvenis de cada produto, mostrando que embora manifestem eficiência, os biológicos precisam ser melhor avaliados. Confira os resultados abaixo:


Na avaliação de ovos, os tratamentos que obtiveram maior controle foram os tratamentos 3 (Pasteuria penetrans), 6 (B. megaterium/B. subitilis), 7 (T. asperellum/B. subtilis) e 8 (Abamectina).


Para efeito de doses, o tratamento 2 (Trichoderma harzianum) foi único produto que apresentou controle efetivo de juvenis a 2%.

Novas pesquisas a cerca do manejo e controle deste fitoparasita precisam ser desenvolvidas, e o carácter biológico vem se mostrando potencialmente aplicável. É importante lembrar que as medidas de controle não devem ser somente quando já se tem o problema estabelecido, é preciso agir preventivamente e de forma integrada.

Elaboração: Daniela Moro Equipe Mais Soja

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