Controle de Exserohilum turcicum na cultura do milho em função da tecnologia de aplicação de fungicidas

1909

O objetivo do trabalho foi avaliar o controle da mancha de turcicum na cultura do milho e a deposição de calda promovida pela aplicação dos fungicidas propiconazol e tebuconazol

Autores:  MARCELO A. DA SILVA1, GUILHERME S. ALVES2, SERGIO M. S. SILVA3, THIAGO N. LANDIN4, THALES C. ALVES2, CÉSAR H. ZANDONADI2, JOÃO PAULO A. R. DA CUNHA5

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO

A cultura do milho tem sofrido com o aumento da incidência de doenças, que podem causar queda na qualidade do grão e redução da produtividade. Dentre elas, destaca-se a mancha de turcicum, cujo controle muitas vezes está relacionado à aplicação de fungicidas e depende de uma correta tecnologia de aplicação.

Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar o controle da mancha de turcicum na cultura do milho e a deposição de calda promovida pela aplicação de dois fungicidas, em duas taxas de aplicação e com a adição de dois adjuvantes. O ensaio foi conduzido em delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições, em esquema fatorial 2 x 2 x 2, sendo dois fungicidas (propiconazol e tebuconazol), dois adjuvantes (lauril éter sulfato de sódio e óleo mineral) e duas taxas de aplicação (75 e 150 L ha-1).

Avaliaram-se deposição de calda e eficiência de controle nas folhas mediana e inferior. O fungicida propiconazol teve maior eficiência de controle do que o tebuconazol nas folhas inferiores aos 14 dias após a aplicação. Ambos adjuvantes e volumes de calda produziram resultados similares de deposição de calda e eficiência de controle da doença nas folhas inferiores.

PALAVRAS-CHAVE: volume de calda, adjuvantes, Zea mays.

CONTROL OF Exserohilum turcicum IN CORN CROP IN THE FUNCTION OF FUNGICIDES APPLICATION TECHNOLOGY

ABSTRACT

Diseases on corn crop has caused reduced yield and grain quality. Among them, leaf blight can be highlighted, and its control depends on correct fungicide application technology. This study aimed to evaluate the effects of fungicides, carrier volume and adjuvants on leaf blight control and spray deposition on corn crop. Experiment was conducted in randomized block design with four replications in a factorial scheme 2 x 2 x 2, being two fungicides (propiconazol and tebuconazol), two adjuvants (sodium lauryl ether sulfate and mineral oil), and two carrier volumes (75 and 150 L ha-1). Disease control and spray deposition were evaluated on median and lower corn leaves. The fungicide propiconazol provided better leaf blight control on lower leaves than tebuconazol at 14 days after application. The adjuvants, as well as the carrier volumes, produced similar results of spray deposition and disease control efficiency on lower leaves.

KEYWORDS: carrier volume, adjuvants, Zea mays.

INTRODUÇÃO

O milho (Zea mays) é uma importante cultura para a economia do Brasil, sendo superada apenas pela soja. A sua importância econômica é caracterizada pelas várias formas de seu consumo, que vai desde alimentação animal até a indústria de alta tecnologia (JARDINE; LACA-BUENDIA, 2009).

A mancha de turcicum, causada pelo fungo Exserohilum turcicum, constitui um dos problemas fitossanitários que afeta essa cultura (PINTO, 2004), podendo causar elevadas perdas. A realização de um manejo eficiente integra o uso de diferentes ferramentas, dentre as quais se deve levar em consideração a escolha de híbridos resistentes, redução de inoculo inicial, época de plantio e uso de fungicidas.

Em relação aos fungicidas, tem-se notado uma crescente redução de taxas de aplicação, contudo é necessário avaliar a cobertura do alvo, o risco de deriva e as condições climáticas, dentre outros fatores (MENEGHETTI, 2006). Neste sentido, faz se necessário o emprego da correta tecnologia de aplicação, incluindo-se aí os adjuvantes.

Desta forma, o objetivo do trabalho foi avaliar o controle da mancha de turcicum na cultura do milho e a deposição de calda promovida pela aplicação dos fungicidas propiconazol e tebuconazol, em duas taxas de aplicação e com adição de dois adjuvantes.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Fazenda Registro (19° 08’ 40,5” S e 47° 57’23,1”s O), localizada no distrito de Tapuirama, município de Uberlândia-MG. O ensaio foi conduzido em delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições, em esquema fatorial 2 x 2 x 2, sendo dois fungicidas, dois adjuvantes e duas taxa de aplicação.

Um tratamento adicional que não recebeu aplicação foi adotado para se fazer o cálculo da eficiência de controle. Os fungicidas utilizados foram Tilt (250 g propiconazol L-1) na dose de 0,4 L ha-1 e Tebufort (200 g de tebuconazol L-1) na dose de 1,0 L ha-1. Os adjuvantes foram TA35 (lauriléter sulfato de sódio – LESS) e Nimbus (óleo mineral – OM), utilizados nas concentrações de 0,05% v v-1 e 0,5% v v-1, respectivamente. As taxas de aplicação corresponderam a 75 e 150 L ha-1.

As aplicações foram feitas em uma lavoura comercial de milho em estádio V8, híbrido  DKB 290, com espaçamento de 50 cm entre linhas e população média de 70.000 plantas ha-1. A área total das parcelas possuía 15 m2 (5 x 3 m), equivalente a seis linhas com 5 m de comprimento cada. Como parcela útil, foram consideradas as quatro linhas centrais. Foi utilizado um pulverizador costal, acionado por pressão constante de CO2, e barra dotada de seis pontas de jato cônico vazio MAG preta (Magnojet, Ibaiti, PR, Brasil), espaçadas 50 cm entre si.

A pressão de operação foi de 250 kPa. A altura da barra em relação ao dossel da cultura foi  mantida em 50 cm. As características avaliadas foram deposição de calda e eficiência de controle nas folhas mediana e inferior. Como folhas mediana e inferior, adotou-se a quinta e a terceira folhas de baixo para cima, respectivamente.

Para avaliação da deposição, um corante azul brilhante foi adicionado à calda na dose de 500 g ha-1. Após as aplicações, 10 folhas de cada posição por parcela foram coletadas e colocadas em sacos plásticos. Em laboratório, o corante foi extraído das folhas adicionando-se 100 mL de água destilada em cada saco plástico, que foi agitado manualmente por 30 s.

O extrato de cada amostra foi transferido para copos plásticos e mantido em repouso durante 24 h ao abrigo da luz. A quantificação do corante foi feita por espectrofotometria, utilizando-se um espectofotômetro com lâmpada de tungstêniohalogênio (Biospectro, SP22). A área das folhas coletadas foi medida por um medidor de área foliar (LiCor, Li-3100C, Lincoln, NE, USA). Conhecendo-se a concentração do corante e a área foliar, foi possível relacionar a quantidade de corante depositada por área foliar.

Aos 7 e 14 dias após a aplicação (DAA), a severidade da doença foi avaliada seguindo escala de notas proposta por Lazaroto (2012), nas folhas mediana e inferior de três plantas por parcela. A porcentagem de controle da doença foi calculada comparando-se com as notas nas parcelas que não receberam tratamento fungicida.

As condições de temperatura, umidade do ar e velocidade do vento foram monitoradas durante as aplicações: temperatura inferior a 30° C, umidade superior a 55% e vento entre 5 e 8 km h-1. Os dados de deposição e eficiência de controle foram submetidos à análise de variância pelo programa estatístico Sisvar, versão 5.6 (FERREIRA, 2011) e as médias dos tratamentos foram comparadas entre si pelo teste de Tukey a 0,05 de significância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não houve interação tripla entre os fatores fungicidas, adjuvantes e taxas de aplicação no que se diz a respeito a deposição de caldas e eficiência de controle da mancha de turcicum no milho aos 7 e 14 DAA (Tabela 1).

Portanto, o efeito dos adjuvantes LESS e OM, bem como das taxa de aplicação, não estão associadas ao tipo de fungicidas e vice e versa. Os fungicidas propiconazol e tebuconazol tiveram similar eficiência de controle da doença aos 7 DAA tanto nas folhas medianas quanto nas folhas inferiores.

Aos 14 DAA, propiconazol proporcionou melhor controle nas folhas inferiores do que tebuconazol, 23,4% maior que o do tebuconazol (29,7%). Com relação aos adjuvantes, LESS e OM promoveram semelhante deposição de calda de fungicida e eficiência de controle da doença aos 7 DAA em ambas as folhas, e aos 14 DAA nas folhas inferiores.

Foi observado que a aplicação de fungicidas com adjuvante OM teve maior eficiência de controle do que LESS nas folhas medianas aos 14 DAA. As taxas de 75 e 150 L ha-1 promoveram deposição semelhante nas folhas medianas e inferiores da cultura, assim como similar eficiência no controle da doença aos  DAA em ambas as folhas, e aos 14 DAA nas folhas inferiores. A eficiência de controle nas  folhas medianas aos 14 DAA foi 22% superior utilizando se 75 L ha-1 quando comparado ao volume de 150 L ha-1.

TABELA 1: Deposição de calda e eficiência de controle de mancha de turcicum no milho pela aplicação de fungicidas em dois volumes de calda com adjuvantes.

CONCLUSÕES

O fungicida propiconazol teve maior eficiência de controle do que o tebuconazol nas folhas inferiores aos 14 dias após a aplicação.

Os adjuvantes produziram resultados similares de deposição de calda e eficiência de controle da doença, sobretudo nas folhas inferiores.

A redução da taxa de aplicação de 150 para 75 L ha-1 pode ser recomendada por não diminuir a deposição de calda nas folhas e tão pouco a eficiência de controle de mancha de turcicum nas folhas inferiores da cultura do milho.

REFERENCIAS

BORTOLLINI, A. M. M.; GHELLER, J. A. Aplicação de diferentes fungicidas no controle de doenças foliares na cultura do milho em relação à produtividade. Revista Brasileira de Energias Renováveis, v. 1, n.1, p. 109 – 121, 2012. Disponível em: http://revistas.ufpr.br/rber/article/view/33755/Aplica%C3%A7%C3%A3o%20de%20diferentes %20fungicidas%20no%20controle%20de%20doen%C3%A7as%20foliares%20na%20cultura% 20do%20milho%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20produtividade, acesso em 05 maio de 2017.

FERREIRA, D. F. A computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011.

JARDINE, D. F.; LACA-BUENDÍA, J. P. Eficiência de fungicidas no controle de doenças foliares na cultura do milho. Fazu em Revista, Uberaba, n. 6, p. 26 – 33. 2009. Disponível em: http://www.fazu.br/ojs/index.php/fazuemrevista/article/view/13/7, acesso 05 maio 2017.

LAZAROTO, A.; SANTOS, I.; KONFLANZ, V. A.; MALAGI, G.; CAMOCHENA, R. C. Escala diagramática para avaliação de severidade da helmintosporiose comum em milho. Ciência Rural, Santa Maria, v.42, n.12, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782012001200005, acesso 01 maio 2017.

MENEGHETTI, R. C. Tecnologia de Aplicação de fungicidas na cultura do trigo. 2006. Disponível em: <http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_arquivos/11/TDE-2008-09-25T164627Z- 1733/Publico/ROSANAMENEGHETTI.pdf>. Acesso em 17 maio 2017.

PINTO, N. F. J. A. Controle químico de doenças foliares em milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v. 3, n. 1, p. 134 – 138, 2004. Disponível em: http://rbms.cnpms.embrapa.br/index.php/ojs/article/view/96/97, acesso 01 maio 2017.

Informações do autores:     

1Graduando em Agronomia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG – Brasil;

2Engenheiro Agrônomo, Doutorando, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG –Brasil;

3Engenheiro Agrônomo, Pós-Doutorando, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG –Brasil;

4Engenheiro Agrônomo, Mestrando, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG – Brasil;

5Engenheiro Agrícola, Professor, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG – Brasil.

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas  – SP, Brasil.

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