Pouco comum em lavouras de grandes culturas, nesta safra um novo inquilino vem causando preocupações aos agricultores.

Foto: Autor Desconhecido. Arquivo Embrapa Soja.

Já noticiado consumindo área foliar de plântulas de soja, a presença está associada à ocorrência de chuvas frequentes, que em situações de lavoura com alta cobertura de restos culturais, e em muitas vezes costeiras a mata nativa acabam com criar um ambiente favorável à sua instalação, sobrevivência e reprodução. Dentre as culturas agrícolas, estes moluscos têm se mostrado ávidos por feijão, soja, ervilhaca e nabo.

Relato de Caso I

Diante da necessidade levantada por um dos clientes da empresa Agros (Junior Souza), cuja propriedade (situada em Júlio de Castilhos – RS) apresentava determinados talhões com elevada infestação de lesmas e caracóis (Vaginulus sp.) e possibilidade de danos consideráveis no estabelecimento inicial da cultura da soja, foram realizados testes com alguns produtos visando o seu controle foram testados o produto Isca Metarex, em três doses diferentes (2, 5 e 10 kg/ha), e o pesticida Abamectina associado a cloreto de sódio (NaCl) em três doses diferentes (1, 1,5 e 2 L/ha). A aplicação foi realizada em pré-plantio da soja, sobre palha de aveia dessecada, em parcelas de 4 x 5 m e com 4 repetições por tratamento. A avaliação se deu por meio da contagem de indivíduos/m². Os resultados obtidos encontram-se ilustrados na Figura 1.

Figura 1 – População (indivíduos/m²) e controle (%) de lesmas (Vaginulus sp.) em relação a diferentes tratamentos. Fonte: Grupo Agros, 2018.

Observa-se que houve um incremento no controle das lesmas proporcionalmente ao aumento da dose de ambos os produtos; entretanto, todas as doses de Metarex foram superiores em eficiência a todas as doses de Abamectina + NaCl. A aplicação de 10 kg/ha de Metarex resulta em um controle satisfatório das lesmas (>80%).

Quanto ao momento de aplicação, devem ser preconizados os períodos de temperatura mais amena (amanhecer e anoitecer), quando as lesmas encontram-se mais ativas sobre a superfície do solo; no caso da Isca Metarex, esse cuidado é menos crucial por tratar-se de um produto de degradação lenta e com efeito atrativo aos organismos. Para aplicação da isca em áreas extensas, pode-se utilizar o espalhador centrífugo; porém, em doses menores que 10 kg/ha, o equipamento tende a triturar em demasia os grânulos da isca, dificultando a operação.

Relato de Caso II

A cerca de três anos o produtor Fernando Londero, do município de Tucunduva vem sofrendo com a ocorrência de lesmas e caracóis em sua lavoura. Contudo, no ano de 2018 este problema tomou maiores proporções. No mês de maio o produtor fez implantação de um mix de culturas, isso, como contribuição a cobertura do solo.

Recentemente, no período de semeadura da soja, este agricultor verificou que a infestação com lesmas e caracóis novamente apareceu, problemática, acarretou em algumas áreas já o terceiro replantio de soja.

O produtor ao detectar a infestação, fez a aplicação de iscas de principio ativo Metaldeído, espalhadas na lavoura com o uso de um aplicador de grânulos e pequenas sementes, o que foi uma medida de sucesso, controlando e amenizando a infestação, o terceiro replantio apenas em alguns talhões já estará sendo feito com mais segurança.

O produtor salienta que as próximas medidas serão: intensificar o monitoramento, aplicação de controle químico pensando em medida corretiva, e também preventiva ao cultivo sucessivo a soja. Outra observação importante feita pelo produtor é que ele não estará optando pelo nabo como cultura de cobertura, devido a sua forma de decomposição no ambiente, que poderia vir a contribuir para formação de um microclima favorável ao desenvolvimento de lesmas e caracóis.

Monitoramento e Controle

Com base no baixo número de informações de manejo e controle desta praga, o monitoramento das áreas principalmente antes do estabelecimento de uma nova cultura pode ser um viés importante, tendo como premissa que geralmente a praga pode já se encontrar no ambiente.

O monitoramento de pragas de solo deve ser cauteloso, pois indivíduos como as lesmas tendem a permanecer abaixo da palhada nos períodos mais quentes do dia, vindo à superfície para alimentar-se nos horários de temperatura amena (amanhecer e anoitecer).

Embora os relatos mais frequentes sejam de ocorrência na fase de plântula, infestações no fim do ciclo também podem acontecer e levar a complicações durante a colheita, principalmente devido ao “embuchamento” de maquinário – como ressalta a Embrapa.

Algumas considerações feitas pela Embrapa sobre o controle de lemas e caracóis:

  • Recomenda-se como controle produtos à base de metaldeído (preço elevado);
  • Soluções salinas contendo misturas de inseticidas (especialmente carbamatos) + sal de cozinha ou ureia tem sido, também, sugeridas para o controle destes moluscos; porém, os resultados de pesquisa obtidos até então, em condições de campo, não apresentam eficácia, não garantindo segurança para sua recomendação;
  • Trabalhos preliminares conduzidos pela cooperativa COAMO, em Campo Mourão, PR, evidenciaram que a mistura de abamectina + leite integral, colocadas em quirelas de milho constituiu uma isca efetiva para o controle de caramujos na cultura da soja. Todavia, convém salientar que não existe registro de produtos para o controle de caracóis e lesmas na cultura da soja;
  • Sugere-se que as aplicações de inseticidas ou iscas nas lavouras de soja, para o controle de lesmas e caramujos, sejam realizadas durante a noite, período em que essas pragas apresentam maior atividade devido às condições favoráveis de umidade e de temperatura e, dessa forma, mais vulneráveis à ação dos produtos químicos.

Elaboração: Henrique Pozebon¹, Daniela Moro, Rafael Paz Marques – Integrantes do Molecular Insect Lab

¹Estagiário Curricular na empresa Agros

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