Controle de percevejos da soja com diferentes volumes de aplicação

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Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência de volumes de aplicação no controle de percevejos na cultura da soja em condições de campo. 

Autores: JOSÉ LUÍS C. S. JÚNIOR1, MATHEUS ARTHUR G. L. FARIAS1, AGATHA S. ARGIOLI1, VICTOR H. KORIN1, EVANDRO P. PRADO2

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO

A soja [Glycine max (L.) Merrill.] é uma cultura atacada por diversos insetos-pragas. O complexo de percevejos é considerado uma das mais importantes pragas na cultura da soja em diversas partes do mundo. O trabalho teve como objetivo comparar a eficiência de diferentes volumes de aplicação no controle do complexo de percevejos em soja.

O experimento foi realizado no delineamento experimental em blocos casualizados com oito tratamentos (T1:60L ha-1, T2: 110L ha-1, T3:160L ha-1, T4:210L ha-1, T5:260L ha-1, T6: 310L ha-1, T7:360L ha-1 T8: testemunha) com quatro repetições. O número de insetos adultos e ninfas sobreviventes foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste LSD a 5% de probabilidade.

Os volumes de aplicação testados nessa pesquisa não influenciaram a eficiência de controle do complexo de percevejos em na cultura da soja,evidenciando a possibilidade de redução do volume de aplicação.

PALAVRAS–CHAVE:Tecnologia de aplicação,manejo de pragas, taxa de aplicação.

STINK BUGSCONTROL WITH DIFFERENT SPRAY VOLUMES IN SOYBEAN CROP

ABSTRACT

Soybeancrop [Glycine max (L.) Merrill.]is attacked by several insect pests. Stink bugs are considered to be one of the most important pests in soybean producing areas in many parts of the world. The objective of this research was to compare the efficiency of different application volumes in the control of the stink bug complex in soybean. The experiment was carried out in a randomized block design with 8 treatments: T1:60L ha-1, T2: 110L ha-1, T3: 160L ha-1, T4: 210L ha-1, T5: 260L ha-1, T6: 310L ha-1, T7: 360L ha-1 and T8: control) with four replicates. The number of surviving adult insects and nymphs were submitted to analysis of variance and the means compared by the LSD test at 5% probability. The application volumes tested in this research did not influence the control efficiency of stink bugs complex in soybean crop, evidencing the possibility of reducing the application volume.

KEYWORDS: Application technology, pest management, spray rates.

INTRODUÇÃO

A soja [Glycine max (L.) Merrill.] é uma cultura atacada por diversos insetos-pragas. entre os que causam maiores danos, destacam-se as espécies de percevejos fitófagos, causando sérios prejuízos aos sojicultores. Por se alimentarem dos grãos, afetam seriamente o seu rendimento e a sua qualidade, provocam a murcha e má formação dos grãos e vagens, a planta de soja não amadurece normalmente, permanecendo verde na época da colheita.

Apesar do grande número de espécies, três são referidas como de importância econômica e registradas em diversas regiões: Euschistus heros, Piezodorus guildiniie Nezara viridula. Outra informação de grande importância para condições de campo refere-se à possibilidade de redução dos volumes de calda atualmente empregados, pois dessa forma seria possível aumentar a capacidade operacional e a autonomia dos pulverizadores.

Isso reduziria o custo da aplicação, porém requer o estudo sobre o não comprometimento da eficiência do processo de aplicação (Souza et al. 2011).O método de manejo de percevejos mais utilizado é o controle químico, através da pulverização de inseticidas, tornando a escolha do produto e da tecnologia utilizada, fundamentais, uma vez que a eficiência biológica da pulverização é dependente não somente de produtos com ação comprovada, mas também da tecnologia empregada na sua aplicação (CARVALHO; FURLANI JUNIOR, 1999; BALAN et al., 2005).

Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência de volumes de aplicação no controle de percevejos na cultura da soja emcondições de campo.

MATERIAL E MÉTODOS

Características do ensaio: O experimento foi conduzido na área experimental pertencente à Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas da UNESP – Campus de Dracena/SP. A soja, (cultivar CD 2728 Ipro), foi semeada no espaçamento de 0,5 m e densidade de 18 sementes m-1 para que proporcione uma população de aproximadamente 300.000 plantas por hectare. Antes da semeadura as sementes foram submetidas ao tratamento com fungicidas e inseticidas para controle das possíveis pragas e doenças iniciais e inoculadas com Bradyrhizobium. Foi realizada adubação de reposição na quantidade de 300 kg ha-1 do formulado N – P2O5 – K2O 08-28-16.

A semeadura da soja em sistema de semeadura direta no solo foi realizada no dia 21/12/2016 e a emergência ocorreu no dia 01/01/2017.Para a avaliação do efeito do volume de aplicação no controle de percevejos na cultura da soja, o ensaio foi realizado no delineamento experimental em blocos casualizados com oito tratamentos (T1:60L ha-1 , T2: 110L ha-1 , T3:160L ha-1 , T4:210L ha-1 , T5:260L ha-1 , T6: 310L ha-1 , T7:360L ha-1 T8: testemunha) e quatro repetições. Cada parcela mediu 4,0 m de largura por 8,0 m de comprimento.

As pulverizações foram realizadas através de pulverizador portátil (Herbicat®) pressurizado por CO2 equipado com quatro bicos espaçados em 0,5m. Utilizou-se o inseticida imidacloprido + beta-ciflutrina (Connect®) na dose de 56,25 + 112,5 g i.a. ha-1 . As condições ambientais no momento da aplicação foram: temperatura de 36±2°C, umidade relativa doar de 45±3 % e velocidade do vento de 6±2 km/h monitoradas através de Termo-higro-anemômetro digital portátil (modelo THAL-300).

O monitoramento visando à incidência da população de percevejos pelo pano-de-batida vertical foi realizado semanalmente a partir do início do desenvolvimento de vagens (estádio R3 – Fehret al., 1971)para detecção do índice de controle. A aplicação visando o controle dos percevejos foi iniciado a partir do momento em que foram encontrados 1,2 percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano-de-batida.

As avaliações da população dos percevejos foram realizadas aos: 0 (pré-aplicação), 2, 5, 7 e 11 dias após a aplicação (DAA) do inseticida através do método do pano-de-batida vertical com duas amostragens por parcela. A eficiência de controle foi calculada pela fórmula de Abbott (1925). Os valores do número de percevejos foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas entre si pelo teste LSD a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 A Tabela 1 apresenta o número de percevejo (todas as espécies) em oito amostragens (pano vertical) nas avaliações realizadas aos 2, 5, 7 e 11 DAA e a soma de todas as avaliações (total) em função da aplicação de inseticida em diferentes volumes de pulverização.

TABELA 1. Número total de percevejo (todas as espécies) e eficiência de controle por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes volumes de pulverização. Número de percevejos encontrados em oito amostragens (pano-de-batida) por tratamento.

Na avaliação prévia a população de percevejos apresentou média de 1,2 indivíduos (adultos e ninfas grandes) por batida no pano, justificando a aplicação dos tratamentos com inseticida por estar acima do nível de controle para lavouras destinadas a produção sementes (REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL, 2010). Nas avaliações realizadas aos 2, 5,7 e 11 DAA, não houve diferença significativa entre  os tratamentos que receberam aplicação de inseticidas pelos diferentes volumes aplicados.

Os tratamentos que receberam aplicação de inseticida apresentaram praticamente o mesmo padrão de controle. Diferenças significativas somente foram encontradas entre a testemunha e os tratamentos que receberam aplicação de inseticidas. A Tabela 2 apresenta ninfas do percevejo verde-pequeno (oito amostragem por tratamento) aos 2, 5, 7 e 11 DAA e em função da aplicação de inseticida com diferentes volumes de pulverização.

TABELA 2. Número de ninfas do percevejo verde-pequeno (P.guildinii) e eficiência de controle por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes volumes de pulverização.Número de percevejos encontrados em oito amostragens (pano-de-batida) por tratamento.

Em relação ao controle de ninfa do percevejo verde-pequeno, estatisticamente não houve diferenças entre os volumes para o controle da praga. Diferenças significativas foram observadas somente entre a testemunha e os tratamentos que receberam aplicação de inseticida. Na soma do número total de percevejos em todas as avaliações verifica-se que os volumes de aplicação não influenciaram  na eficiência de controle do inseticida. Evidenciando a possibilidade de redução dos volumes de calda, para o controle de ninfas.

A Tabela 3 apresenta o número médio de adultos do percevejo verde-pequeno (oito amostragem por tratamento) aos 2, 5, 7 e 11 DAA e em função da aplicação de inseticida com diferentes volumes de pulverização.

TABELA 3. Número médio de adultos do percevejo verde-pequeno (P.guildinii) e eficiência de controle por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes volumes de  pulverização. Número de percevejos encontrados em oito amostragens (pano-de-batida) por tratamento.

Nas avaliações realizadas com adultos do percevejo verde-pequeno aos 2,5,7 e 11DAA não houve diferença significativa entre os volumes de pulverização. Pelos resultados obtidos nessa pesquisa verifica-se que volume de aplicação não influencia a eficiência de controle do inseticida imidacloprido + beta-ciflutrina. Dessa forma, programas de aplicação com volumes reduzidos para esse inseto podem ser adotados, com vistas à diminuição do custo operacional e do aumento da capacidade operacional dos pulverizadores.

CONCLUSÃO

Pelos resultados obtidos nessa pesquisa conclui-se que o volume de aplicação do inseticida imidacloprido + beta-ciflutrina não interfere no controle do percevejo verde-pequeno na cultura da soja.

REFERÊNCIAS

ABBOTT, W. S. et al. A method of computing the effectiveness of an insecticide. J. econ.Entomol, v. 18, n. 2, p. 265-267, 1925.

CARVALHO, W. P. A.; FURLANI JUNIOR, J. A. Estudo comparativo entre coletores para determinação do DMV e coeficiente de dispersão na amostragem de gotas em aplicações de produtos líquidos. Energia na Agricultura, Botucatu, v. 12, n. 1, p. 28-37, 1999.

REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/ 2011 e 2011/2012. Cruz Alta: FundacepFecotrigo, 2010. 168p.

SOUZA, L. A.; CUNHA, J. P. A. R.; PAVANIN, L. A. Eficácia e perda do herbicida 2,4-D amina aplicado com diferentes volumes de calda e pontas de pulverização.Planta Daninha, v. 29, n. 2, p. 1149-1156, 2011.

Informações do autores :     

1Discente do curso de Engenharia Agronômica da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, UNESP, Dracena/SP – Brasil;

2Engenheiro Agrônomo, Professor Assistente Doutor, Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas,UNESP, Dracena/SP – Brasil.

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas – SP, Brasil.

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