Controle do Percevejo-Barriga-Verde Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Hemiptera: Pentatomidae) em plante-aplique no milho safrinha

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pragas percevejos milho
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O objetivo deste trabalho foi avaliar a estratégia de controle de D. melacanthus com ouso de inseticidas químicos no plante/aplique, com diferentes intervalos entre a semeadura e a aplicação do inseticida na cultura do milho safrinha

Autores: José Fernando Jurca Grigolli(1), Mirian Maristela Kubota Grigolli(2), André Luis Faleiros Lourenção(1), Douglas de Castilho Gitti(1), Juliana Simonato(3), Alex Marcel Melotto(4) e André Ricardo Gomes Bezerra(1)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A cultura do milho (Zea mays L.) tem grande importância econômica pelo valor nutricional de seus grãos, por seu uso intenso nas alimentações humana e animal, como matéria-prima para a indústria e, social, por ser um alimento de baixo custo, pela viabilidade  de cultivo, tanto em grande quanto em pequena escala, e por ser a base de várias cadeias agroindustriais como a da carne (Galvão et al., 2014). Neste sentido, o milho é um dos principais cereais cultivados em todo o mundo e é o segundo grão mais cultivado no território brasileiro (Conab, 2017).

O sistema de produção de grãos nas regiões Centro Oeste, Sudeste e Sul do Brasil é caracterizado pela utilização do sistema de plantio direto e uso intenso das áreas por cultivo de milho safrinha, o que tem favorecido o crescimento populacional de algumas espécies de percevejos fitófagos consideradas anteriormente pragas secundárias no milho, como o percevejo barriga-verde, Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Hemiptera: Pentatomidae) (Quintela et al., 2006).

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A agricultura não para, e seu aprendizado?


 

O percevejo barriga-verde é uma espécie considerada praga de início de ciclo, que injeta toxinas no colo das plântulas durante seu processo de alimentação, causando redução no estande ou prejudicando o vigor das plântulas além do perfilhamento exagerado. Os danos causados por esta praga aumentam em áreas onde é realizado o sistema de semeadura direta, pois a palha que permanece sobre o solo atua como abrigo favorecendo a sobrevivência da praga (Bianco, 1997). Além disso, quando a infestação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas (V1 a V3) há maior perda de rendimento de grãos (Duarte et al., 2015).

O nível de controle da praga na cultura do milho no Brasil é de 0,8 percevejo m-2 quando a praga é constatada no início do desenvolvimento da cultura (Duarte et al., 2015). O método de controle mais adotado para o manejo de D. melacanthus é o uso de inseticidas químicos.Em função do alto potencial de dano da praga e do sistema sucessivo soja/milho, que possibilita boas condições de desenvolvimento da praga em fases iniciais do milho, é necessário buscar técnicas que possibilitem a redução das perdas, aumentando a eficiência de controle do percevejo-barriga-verde na cultura do milho. A aplicação de inseticidas químicos na dessecação pré-colheita de soja e imediatamente após a semeadura do milho reduz o ataque de D. melacanthus em plantas de milho, e a aplicação de inseticidas na dessecação pré-semeadura do milho não reduz o ataque da praga (Grigolli et al., 2016).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a estratégia de controle de D. melacanthus com ouso de inseticidas químicos no plante/aplique, com diferentes intervalos entre a semeadura e a aplicação do inseticida na cultura do milho safrinha e seu impacto na população do percevejo barriga-verde.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na safrinha 2017, na Estação Experimental da Fundação MS em Maracaju – MS. O delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados com 11 tratamentos e cinco repetições. Cada parcela foi constituída de 18 linhas espaçadas 0,5 m entre si e com 10,0 m de comprimento (90,0 m2). Foi considerada área útil da parcela as 10 linhas centrais, desconsiderando-se 1,0 m de cada extremidade. O híbrido de milho utilizado foi DKB 177 PRO, com tratamento de sementes com inseticida a base de tiodicarbe + imidacloprido (Cropstar®) na dosagem de 157,5 + 52,5 g i.a. ha-1, respectivamente, semeada em 05 de fevereiro de 2017, com 4,5 sementes por metro de linha e adubação de base com 350 kg ha-1 de 12-15-15 (N-P-K).

Os tratamentos foram constituídos por uma testemunha sem aplicação e pela aplicação do inseticida químico aos 0, 15, 30, 60, 90, 120, 180, 240, 360 e 420 minutos após a semeadura. O inseticida utilizado foi a base de imidacloprido + bifentrina (Galil®), na dosagem 75 + 15 g i.a. ha-1. A aplicação dos tratamentos foi realizada através de pulverizador de pressão constante a base de CO2, equipado com uma barra com seis pontas de pulverização espaçadas de 0,5 m e volume de calda de 160 L ha-1.

Foram realizadas avaliações do número de percevejos por metro quadrado aos 1, 4, 7, 10 e 14 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA). Em cada avaliação, foram registrados o número de percevejos vivos em quatro pontos aleatórios por parcela utilizando-se um quadrado metálico de 1×1 m. A média da parcela foi constituída pela média dos quatro pontos avaliados. Além disso, registrou-se a porcentagem de plantas de milho com sintomas de ataque de D. melacanthus e com redução de seu desenvolvimento as 15, 25 e 35 dias após a emergência das plantas. Para tanto, foram avaliados quatro pontos aleatórios por parcela e em cada ponto, analisou-se 10 plantas de milho em sequência. A média da parcela foi constituída pela média dos quatro pontos avaliados.

Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

No método de controle plante/aplique houve diferença significativa entre os intervalos de semeadura e a aplicação testados. Aos 1 DAA, os tratamentos com aplicação aos 0, 15, 360 e 420 minutos não diferiram significativamente da testemunha e os tratamentos com aplicação aos 30, 60, 90, 120, 180 e 240 minutos foram iguais estatisticamente, porém em menor número que a testemunha. Aos 4, 7 e 10 DAA, a testemunha apresentou maior número de percevejos por metro quadrado, e na aplicação aos 30, 60, 90, 120, 180 e 240 minutos o número de percevejo foi menor. Nas aplicações aos 0, 15, 360 e 420 minutos a quantidade de percevejo foi intermediária, comparado com os tratamentos. Aos 14 DAA, a testemunha apresentou maior número de percevejos por metro quadrado comparado com todos os tratamentos e aos 0, 15, 120, 180, 240, 360 e 420 minutos, o número de percevejo foi menor.

Aos 30, 60 e 120 minutos a quantidade de percevejo foi menor estatisticamente (Tabela 1). Pode-se observar que todos os tratamentos diferiram significativamente da testemunha nas avaliações da população de D. melacanthus após a aplicação. Os tratamentos com aplicação aos 30, 60 e 90 minutos após a semeadura ficaram mais tempo com menor númerode percevejos por metro quadrado. Ressalta-se que, mesmo nos me lhores tratamentos, a praga atingiu o nível de ação, indicando que apenas uma aplicação isolada pode não controlar de forma adequada a praga.

Tabela 1. Número de percevejo por metro aos 1, 4, 7, 10 e 14 dias após aplicação de inseticida. Maracaju – MS (2017).

Quanto ao percentual de plantas de milho atacadas pela praga, verificou-se o mesmo padrão nas três avaliações realizadas. A testemunha apresentou o maior número de plantas atacadas por D. melacanthus e com sintomas de redução do crescimento, enquanto a aplicação de inseticida aos 0, 15, 360 e 420 minutos após a semeadura apresentou valor intermediário e o intervalo entre a semeadura e a aplicação de inseticidas de 30, 60, 90, 120, 180 e 240 minutos resultou na menor porcentagem de plantas atacadas por D. melacanthus (Tabela 2).

Em condições de campo, é muito comum observarmos alta movimentação de D. melacanthus alguns minutos após a passada do disco de corte da semeadora. Após um determinado período, os insetos retornam para baixo da palhada da cultura anterior, provavelmente para se abrigarem do sol e de inimigos naturais. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que o intervalo entre a semeadura do milho e a aplicação de inseticidas químicos que mais impacta na redução da população de D. melacanthus é de 30 a 240 minutos após a semeadura. Nas aplicações aos 0 e 15 minutos após a semeadura, provavelmente os percevejos não estavam expostos, o que reduz o contato com o inseticida aplicado. Aos 360 e 420 minutos, provavelmente os percevejos retornaram para baixo da palhada, também culminando com o menor contato com o inseticida aplicado. Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade de danos às plantas de milho antes da aplicação realizada, em função do hábito de D. melacanthus.

Tabela 2. Plantas (%) de milho atacadas por Dichelops melacanthus e com redução do crescimento aos 15, 25 e 35 dias após a emergência. Maracaju – MS (2017).

Portanto, deve-se ressaltar que o monitoramento das áreas é fundamental para avaliar a necessidade da aplicação de inseticida após a semeadura, bem como o monitoramento após a aplicação, para averiguar a eficácia de controle e a necessidade de ações de controle complementares.

Conclusão

O intervalo entre a semeadura e a aplicação de inseticida químico que mais reduziu a população de Dichelops melacanthus, bem como seus danos às plantas de milho foi de 30 a 240 minutos após a semeadura.

Referências

BIANCO, R. Ocorrência e manejo de pragas em plantio direto. In: PEIXOTO, R.T.G.; AHRENS, D.C.; SAMAHA, M.J. (Eds.). Plantio direto: o caminho para uma agricultura sustentável. Ponta Grossa: IAPAR, 1997. p.238-244.

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira:grãos, décimo segundo levantamento, setembro/2017. Brasília: Conab, 2017. 158p.

DUARTE, M.M.; ÁVILA, C.J.; SANTOS, V. Danos e nível de dano econômico do percevejo barriga-verde na cultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v.14, n.3, p.291-299, 2015.

GALVÃO, J.C.C.; MIRANDA, G.V.; TROGELLO, E.; FRITSCHE-NETO, R. Sete décadas de evolução do sistema produtivo da cultura do milho. Revista Ceres. Viçosa – MG, v.61, n.7, p.819-828, 2014.

GRIGOLLI, J.F.J.; KUBOTA GRIGOLLI, M.M.; LOURENÇÃO, A.L.F.; GITTI, D.C. Estratégias de controle químico do percevejo barriga verde Dichelops melacanthus (Dallas) (Heteroptera: Pentatomidae) no sistema de sucessão soja e milho safrinha. In: CONGRESSO NACIONAL  DE MILHO E SORGO, 31., 2016. Bento Gonçalves. Anais… Bento Gonçalves: Embrapa, p.248-253.

QUINTELA, D.E.; FRANCISCO, A.J.; FERREIRA, B.S.; OLIVEIRA, C.F.L.; LEMES, O.C.A.  Efeito do tratamento de sementes com inseticidas químicos sobre danos de percevejos fitófagos e sobre a lagarta do cartucho no milho. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2006. 6p. (Circular Técnica, 76).

Informações dos autores:  

(1)Engenheiro(s) Agrônomo(s), Dr.(s), Pesquisador(es), Fundação MS para a Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias (Fundação MS), Maracaju – MS;

(2)Engenheira Agrônoma, Dra., Assistente de Pesquisa, Fundação MS, Maracaju – MS;

(3)Bióloga, M.Sc., Encarregada do Laboratório de Entomologia, Fundação MS, Maracaju – MS;

(4)Biólogo, Dr., Diretor Executivo, Fundação MS, Maracaju – MS.

Disponível em: Anais do XIV SEMINÁRIO NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, Cuiabá – MT, Brasil,2017.

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