O objetivo deste trabalho foi avaliar o fungicida Procimidone, na formulação SC, no controle de S. sclerotiorum, in vitro, em comparação à formulação WP. 

Autores: ITO, M.F.1; KAJIHARA, L.H.2; RECO, P.C.3; STEIN, C. P.1; GUARNIERI, C.C.O.2; PAES JUNIOR, R.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O cenário das doenças nas diversas culturas altera-se a cada ano com o aumento da severidade de algumas doenças, tanto da parte aérea, como as causadas por fungos habitantes do solo.

O fungo Sclerotinia sclerotiorum é patógeno polífago, que pode causar a doença mofo branco em muitas culturas, podendo causar a morte das plantas (Synclair, 1982; Godoy et al., 2016).

São relatados mais de 200 gêneros de plantas, 408 espécies, incluindo plantas daninhas, como hospedeiras de S. sclerotiorum (Purdy, 1979).

Esse patógeno encontra-se disseminado no solo brasileiro, nas principais regiões agrícolas.

O controle de S. sclerotiorum nas culturas é dificultado pela falta de cultivares com resistência genética e a alta produção de estruturas de resistência do fungo, os escleródios, nas plantas infectadas. O fungo presente no solo é de difícil controle, pois os escleródios podem permanecer viáveis por muitos anos, e também pelas características desse patógeno de apresentar muitas plantas hospedeiras, incluindo-se algumas plantas daninhas.

Em situações favoráveis ao desenvolvimento da doença mofo branco, recorrese ao controle químico e biológico, normalmente. A hipótese deste trabalho é de que a formulação suspensão concentrada (SC), do princípio ativo Procimidone, proporciona maior eficácia no controle de S. sclerotiorum, em relação à formulação pó molhável (WP).

O objetivo deste trabalho foi avaliar o fungicida Procimidone, na formulação SC, no controle de S. sclerotiorum, in vitro, em comparação à formulação WP. Foi utilizado o fungicida Fluazinam, como tratamento padrão.

O trabalho foi realizado no laboratório do Centro de Pesquisa de Fitossanidade – IAC/APTA/SAA, em Campinas, SP. O experimento constou de 13 tratamentos, em delineamento experimental inteiramente ao acaso e quatro repetições. Cada repetição foi constituída de uma placa de Petri com o meio de cultura BDA e os tratamentos.

Os fungicidas foram avaliados nas doses de 0,1; 1,0; 10,0 e 100,0 ppm, conforme descrito na Tabela 1. A obtenção dos tratamentos nas respectivas doses foi segundo a técnica descrita por EDGINGTON et al. (1971), modificada por MENTEN et al. (1976).

Tabela 1. Ingrediente ativo, nome comercial, formulação, grupo químico e dose em ppm dos fungicidas, avaliados quanto à sensibilidade in vitro do fungo Sclerotinia sclerotiorum. IAC, Campinas, SP, 2018.

O fungo S. sclerotiorum, isolado de soja, foi cultivado em placas de Petri contendo o meio de cultura BDA (Batata, Dextrose, Agar), durante quatro dias, em estufa incubadora à temperatura de 20 °C (± 1 °C), para uso nos tratamentos. Discos de 6 mm de diâmetro, obtidos da periferia da colônia de S. sclerotiorum, foram repicados no centro das placas de Petri, contendo o meio de cultura BDA e os fungicidas nas respectivas doses. As placas assim preparadas foram incubadas à temperatura de 20 °C (± 1 °C).


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A avaliação foi realizada tomando-se as medidas ortogonais do diâmetro da colônia, quando o tratamento testemunha atingiu o diâmetro total das placas, o que ocorreu com 96 horas da repicagem. Foi calculada a porcentagem de inibição do crescimento micelial (PIC) de cada tratamento, em relação ao tratamento testemunha. Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05) e as médias foram comparadas pelo teste de Scott Knott. Para análise, os dados foram transformados em x + K.

Na Tabela 2 encontram-se as porcentagens de inibição do crescimento micelial de S. sclerotiorum, nas concentrações 0,1; 1,0; 10,0 e 100,0 ppm dos fungicidas Procimidone, em formulações SC e WP, e de Fluazinam SC.

Tabela 2. Porcentagem de inibição do crescimento micelial (PIC), in vitro, de Sclerotinia sclerotiorum, nas concentrações 0,1; 1,0; 10,0 e 100,0 ppm dos fungicidas Procimidone, em formulações SC e WP, e Fluazinam SC.

A menor inibição do crescimento micelial de S. sclerotiorum foi proporcionado no tratamento com 0,1 ppm de Procimidone na formulação WP, que diferiu de todos os outros tratamentos, e todos diferiram do tratamento testemunha.

A hipótese do trabalho foi confirmada, podendo ser observada no tratamento na dose 0,1 ppm de Procimidone, coma formulação SC, que apresentou maior inibição do crescimento micelial de S. sclerotiorum, quando comparado à formulação WP e foi igual ao fungicida Fluazinam (Figura1).

Figura 1. Inibição do crescimento micelial de Sclerotinia sclerotiorum pelos fungicidas Procimidone, na formulação WP (A) e SC (B) e Fluazinam SC (C), nas concentrações de 0,1; 1,0; 10 e 100 mg.mL-1, em meio de cultura BDA a 20 °C (± 1 °C).

O fato da formulação SC do fungicida Procimidone ter apresentado maior PIC de S. sclerotiorum que na formulação WP, na dose de 0,1 ppm, assemelha-se à observação de MADALOSSO et al. (2016), no trabalho sobre controle de Phakopsora pachyrhiziI em soja. Os autores concluem que a diferença apresentada pelo fungicida Clorotalonil, com nomes comerciais Previnil 720 SC e Bravonil 500, foi em função da formulação. O fungicida Previnil foi superior ao fungicida Bravonil.

Concluiu-se neste trabalho que a formulação SC do fungicida Procimidone (Rotaxil SC) é superior à formulação WP (Sialex 500 WP), na inibição do crescimento micelial de S. sclerotiorum.

Referências

GODOY, C.V.; ALMEIDA, A.M.R.; COSTAMILAN, L.M; MEYER, M.C.; DIAS, W.P.; SEICHAS, C.D.S.; SOARES, R.M.; HENNING, A. A.; YORINORI, J. T.; FERREIRA, L.P.; SILVA, J.F.V. DOENÇAS DA SOJA. IN: AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; Manual de Fitopatologia. Vol. 2. Doenças das plantas cultivadas. 5ª. ed. São Paulo: Agronômica Ceres. Cap. 67, p. 657-676. 2016.

EDGINGTON, L.V.; KHEW, K.L.; BARRON, G.L. Fungitoxic spectrum of benzimidazole compounds. Phytopathology, 61: 42-44. 1971.

MADALOSSO, T.; FAVERO, F.; TESTON, R. Eficiência de fungicidas protetores aplicados isoladamente para o controle da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) na região oeste do Paraná, safra 2015/16. 35a. Reunião de Pesquisa de Soja, Londrina, PR. Documentos/Embrapa Soja, 372: 141-143. 2016.

MENTEN, J.O.M.; MINUSSI, C.C.; CASTRO, C.; KIMATI, H. Efeito de alguns fungicidas no crescimento micelial de Macrophomina phaseolina (Tass.) Goid. “in vitro”. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.1, n.2, p.57-66, 1976.

PURDY, L.H. Sclerotinia sclerotiorum: history, diseases and symptomatology, host range, geographic distribution, and impact. Phytopathology, Saint Paul, v. 69, n. 8p. 875-880, 1979.

SINCLAIR, J.B. Compendium of soybean diseases. St. Paul: The American Phytopathological Society, 1982. 104p.

Informações dos autores:  

1Centro de Pesquisa de Fitossanidade – IAC/APTA/SAA, Campinas, SP;

2Rotam do Brasil Ltda;

3Centro de Pesquisa de Horticultura – IAC/APTA/SAA, Campinas, SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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