Objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito de diferentes fungicidas comerciais aplicados de forma preventiva e curativa em diferentes estádios fenológicos da cultura.

Autores:  SOUSA, J.B.1; PEREIRA, F.D.2; TEIXEIRA, M.B.2; MARTINS, D.A.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill) teve seus primeiros registros de produção na China. Por volta de 1945 os Estados Unidos superaram a produção chinesa, tornando-se o maior produtor mundial. No Brasil, a cultura da soja foi introduzida a partir de 1900, com a chegada dos imigrantes japoneses, sendo que a sua expansão se deu nos anos 70, devido ao interesse crescente da indústria de óleo e a demanda do mercado internacional.

Entre os principais fatores que limitam o rendimento, a lucratividade e o sucesso da produção de soja destacam-se as doenças, maiores responsáveis pelos elevados percentuais de danos nas lavouras. Por causa disso, a sanidade das lavouras vem sendo objeto de inúmeros estudos no mundo. De todas as doenças que atacam as lavouras comerciais de soja no Brasil, sejam elas doenças foliares, radiculares, fúngicas, viróticas ou bacterianas, o maior potencial destrutivo vem sendo atribuído à Ferrugem Asiática.

A ferrugem da soja causada por Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & Sydow foi relatada pela primeira vez no Brasil, no final da safra de 2000/2001, representando grande ameaça para todos os países do continente americano. Os sintomas da ferrugem asiática podem surgir em qualquer momento do ciclo fenológico da cultura, embora tenham sido observados com maior frequência na fase de florescimento.

Surgem, geralmente, no terço médio das plantas, com lesões de cor amarela que se transformam em manchas de forma poligonal ou arredondada de coloração bronzeada a marrom. Um detalhe importante para a diagnose precisa da doença é a formação abundante de urédias apenas na face inferior das folhas. Estas ocorrem em forma de bolhas esbranquiçadas e brilhantes que explodem rapidamente, liberando grande quantidade de urediniósporos semelhantes a grãos de açúcar cristal.

O fungo tem seu controle baseado principalmente em fungicidas, que embora eficientes muitas vezes não tenham sido satisfatórios, e uma das razões se deve ao fato de o produto ser aplicado de forma inadequada. O manejo correto da doença seria uma estratégia de redução da dispersão de inoculo, o “time” de aplicação de fungicidas de maior eficácia e tecnologia de aplicação adequada aos sistemas de produção é uma forma de produção eficaz.

Os fungicidas aplicados de forma preventiva têm se destacado como a estratégia mais eficaz no controle desta doença. Maior período residual e melhor desempenho dos fungicidas foram aplicados antes do fungo aparecer na cultura da soja. Da mesma forma, estudos comprovam que o rendimento da produção aumentou em até 100% quando realizou o controle da doença preventivamente.

Levando-se em conta a proporção devastadora que o dano da ferrugem causa no crescimento da planta de soja, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito de diferentes fungicidas comerciais aplicados de forma preventiva e curativa em diferentes estádios fenológicos da cultura. Avaliou-se também a produtividade do grão, o dano causado pela severidade da doença, bem como estabelecer uma relação entre o grupo de maturação das cultivares e o momento de aplicação, considerando o ingrediente ativo do fungicida utilizado.

O experimento foi conduzido no CPA – Centro de Pesquisas Agrícolas, na área experimental da empresa BASF – The Chemical Company, localizada no município de Rio Verde no Sudoeste de Goiás. Foi realizado todo o preparo da área, correção do solo e dessecação da mesma para a instalação do experimento.

Utilizou-se a cultivar BRS Valiosa RR, tratada com Standak® Top e Cruiser® nas doses recomendadas. Foram feitas aplicações de inseticidas e herbicidas conforme exigência e recomendações da cultura.

O experimento foi constituído por 11 tratamentos, sendo que o primeiro foi considerado a testemunha em que não foi realizado controle químico em nenhuma época para servir de comparação a severidade da ferrugem asiática da soja. Os demais tratamentos foram misturados fungicidas e óleo mineral, ambos os produtos comerciais com variadas dosagens.

A dose de cada tratamento foi baseada em diferentes concentrações de fungicidas, em muitas parcelas foi utilizado o mesmo produto, porém com dosagem crescente e sempre acompanhado de um óleo mineral ou adjuvante.

Levando-se em conta a proporção do dano causado pela ferrugem asiática em plantas de soja, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito de diferentes fungicidas comerciais aplicados de forma preventiva e curativa, bem como a produtividade do grão, a severidade da doença, o peso das parcelas e de 1000 grãos de cada tratamento.

Foram instalados 11 tratamentos de 4 repetições (A, B, C e D) de 6×3 metros cada, sendo o tratamento 1 considerado a testemunha e os demais aplicados com diferentes fungicidas e óleos minerais e/ou adjuvante em crescentes dosagens. A mistura utilizada no tratamento 9 de 0,4 L/ha de Trifloxistrobina + Protioconazol com 0,4 L/ha de adjuvante resultou em maior produtividade e peso das parcelas. Com relação às menores produtividades, estas foram observadas na dosagem de 0,5 L/ tanto no tratamento 10 (Piraclostrobina + Epoxiconazol e óleo mineral) quanto no tratamento 11 (Piraclostrobina + Metconazole e óleo mineral), sendo superior somente a testemunha. Nos demais tratamentos verificou-se uma produtividade intermediária.

Os dados foram submetidos à análise de variância segundo o delineamento experimental de blocos casualizados com quatro repetições (A, B, C e D). Cada tratamento possuía seis metros de comprimento por três metros de largura, com espaçamento de 0,45 metros entre fileiras, totalizando em 11 parcelas. Uma parcela possuía seis linhas, sendo que a área útil das unidades experimentais foi considerada somente as duas linhas centrais desprezando 0,5 metros nas bordas.

A comparação das médias entre os tratamentos foi realizada com o teste de tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

Realizaram-se as avaliações de severidade da ferrugem asiática da soja após a terceira aplicação em 10, 20 e 30 DAA (dias após a aplicação), sendo que aos 10 dias houve o aparecimento da doença somente no tratamento que não houve controle químico, portanto, na testemunha. A porcentagem de ferrugem asiática da soja foi avaliada com base na escala diagramática de severidade da doença desenvolvida pela Embrapa, assim como a escala de desfolha (Figura 1).

Figura 1. Escala diagramática de ferrugem asiática da soja desenvolvida pela Embrapa (2004).

Foi somente na terceira e última avaliação que foi possível verificar em qual dos tratamentos a dosagem utilizada para o controle químico minimizou a presença do fungo. A testemunha como previsto ocorreu 100% de desfolha das plantas, com produtividade e peso dos grãos baixíssimos, o que explica o fato da doença atacar os trifólios da planta e se não controlado, alastra em toda a superfície da folha o que diminui a fotossíntese fazendo da planta raquítica, com poucas raízes e pouco crescimento caulinar (Figura 2).

Figura 2. Avaliação da terceira aplicação dos tratamentos. T1: (testemunha); T2: (0,3 L/ha de Piraclostrobina 33,5% + Fluxapyroxad 16,7% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T3: (0,35 L/ha de Piraclostrobina 33,5% + Fluxapyroxad 16,7% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T4: (0,4 L/ha de Piraclostrobina 33,5% + Fluxapyroxad 16,7% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T5: (0,5 L/ha de Piraclostrobina 33,5% + Fluxapyroxad 16,7% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T6: (0,8 L/ha de Epoxiconazol 5,0% + Piraclostrobina 8,1% + Fluxapyroxad 5,0% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T7: (1,0 L/ha de Epoxiconazol 5,0% + Piraclostrobina 8,1% + Fluxapyroxad 5,0% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T8: (0,2 L/ha de Azoxistrobina + Benzovindiflupyr com 0,6 L/ha de Óleo Mineral 428 g/l); T9: (0,4 L/ha de Trifloxistrobina 15% + Protioconazol 17,5% com 0,4 L/ha de Adjuvante); T10: (0,5 L/ha de Piraclostrobina 13,3% + Epoxiconazol 5,0% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l); T11: (0,5 L/ha de Piraclostrobina 13,3% + Metconazole 8% com 0,5 L/ha de Óleo Mineral 756 g/l). Rio Verde, GO. 2013.

O controle químico aplicado no T9 diferentemente dos demais, possui uma molécula nova, ainda não resistente ao fungo Phakopsora pachyrhizi, isso faz com o produto seja mais eficaz, assim como a dosagem usada.

O melhor tratamento foi o T9 (trifloxistrobina + protioconazol com adjuvante), seguido do T8 (azoxistrobina + benzovindiflupyr com óleo mineral), os quais obtiveram as menores severidades, menores desfolhas e as maiores produtividades.

Informações dos autores:  

1Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” | Universidade de São Paulo – ESALQ| USP, Piracicaba – SP;

2IFGoiano – Campus Rio Verde – GO.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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