Controle químico de tripes em soja

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Autores: Bruno Giacomini Sari, Lucas Da Silva Stefanelo, Bruno Ruviaro Tomazzi, Affonso Hermeto Jung, Glauber Renato Stürmer, Jerson Vanderlei Carús Guedes

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com inserção de informações disponibilizadas pelos autores

O ataque de tripes em soja causou grande preocupação na safra 2011/12 na região sul do Brasil. Ninfas e adultos do inseto raspam os folíolos, alimentando-se do conteúdo celular, levando a reduções no rendimento. Ainda não existe um nível de dano econômico e inseticidas recomendados na cultura da soja para o seu controle, por isso estudos sobre a eficácia de inseticidas podem vir a oferecer subsídio a técnicos e produtores no controle da praga.

Deste modo, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficiência de inseticidas no controle de tripes em soja. O experimento foi realizado em lavoura comercial, semeada com a cultivar CD 6444, no município de Santa Maria, RS.

 Os tratamentos testados foram: T1: Testemunha, T2: Tiametoxam + Lambdacialotrina (250 mL há-1 p.c.), T3: Tiametoxam + Lambdacialotrina (330 mL ha-1 p.c.), T4: Imidacloprido + Betaciflutrina (1000 mL ha-1 p.c.), T5: Acefato (800 g ha-1 p.c.) e T6: Acefato (1000 g ha-1 p.c.), aplicados com um pulverizador costal, propelido à CO2 e regulado para uma vazão de 200 L ha-1 (Tabela 1).

Tabela 1 – Descrição dos tratamentos utilizados no ensaio de controle químico de C. phaseoli em soja.

Avaliações foram realizadas aos 7, 14 e 21 dias após a aplicação dos tratamentos (DAT), através da contagem direta de ninfas e adultos em 30 folíolos (15 nos estrato superior e 15 no estrato inferior) por parcela. As médias foram compararas pelo teste de Scott-Knott (5%), além de ser calculada a eficiência agronômica dos inseticidas através da fórmula de Abbott (1925).

A espécie de tripes identificada na área foi Caliothrips phaseoli. Em relação ao controle dos insetos, aos 7 DAT foram observadas reduções significativas no número ninfas em todos os tratamentos. Também foi observada diferença significativa entre os tratamentos e a testemunha sobre adultos, com exceção de Imidacloprido + Betaciflutrina (1000 mL ha-1 p.c.) (Tabela 2).

Tabela 2 – Número de ninfas, adultos e total (ninfa + adulto) de C. phaseoli por folíolo de soja após a aplicação dos inseticidas.

Apesar de não diferir da testemunha em relação aos adultos, este tratamento, assim como os demais, reduziu o número total de indivíduos. Nesta avaliação, apenas o inseticida Acefato (1000 g ha-1 p.c.) para adultos, e Tiametoxam + Lambdacialotrina (250 mL ha-1 p.c.) para ninfas e total de indivíduos, apresentaram controle superior a 80%. Aos 14 DAT a diferença entre os tratamentos e a testemunha para o número de ninfas não foi significativa.

 Já para os adultos, todos os tratamentos diferiram da testemunha, sendo que Acefato em ambas as doses reduziram de maneira mais significativa o número de indivíduos em comparação aos demais tratamentos, porém apenas quando utilizado na dose de 1000 g ha-1 apresentou controle superior a 80%.

Em relação ao número total de indivíduos, apenas o tratamento Tiametoxam + Lambdacialotrina (250 mL ha-1 p.c.) não diferiu da testemunha, sendo que nenhum inseticida apresentou controle superior a 80%. Aos 21 DAT os inseticidas não reduziram de maneira significativa o número de tripes (Figura 1).

Figura 1 – Eficiência agronômica dos inseticidas no controle de C. phaseoli em soja.

Portanto, os resultados mostram haver um baixo residual dos produtos testados, que pode estar relacionado ao alto potencial reprodutivo da praga, que leva a constantes reinfestações da lavoura.

Informações sobre os autores:

Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Fonte: Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, Unipampa – 2012

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