Crescimento de soja, em sistema de sucessão de culturas, no Maranhão

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Este trabalho objetivou avaliar o crescimento da cultura de soja, em sucessão cultural.

Autores: Deucleiton Jardim Amorim (1); Antonio Gabriel da Costa Ferreira (1); Raimundo Nonato Teixeira Oliveira (1); Lusiane De Sousa Ferreira (1); Edmilson Igor Bernardo Almeida (2); José Roberto Brito Freitas (2)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

O Brasil espera colher 237,2 milhões de toneladas de grãos, em 2017, com forte crescimento de produção no Maranhão. A produtividade está relacionada a melhorias no sistema de produção, com destaque ao Sistema de Plantio direto (SPD) que afeta positivamente as propriedades do solo. Este trabalho objetivou avaliar o crescimento da cultura de soja, em sucessão cultural. O ensaio foi realizado em área experimental da Universidade Federal do Maranhão, Campus Chapadinha. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com sete tratamentos e quatro repetições.

Os tratamentos foram distribuídos em parcelas de 5 x 8 m e consistiram em:

T1) soja (testemunha),

T2) Crotalaria ochroleuca;

T3) C. spectabilis + milheto ‘ADR 300’;

T4) milheto ‘ADR 300’; T5) Brachiaria ruziziensis;

T6) milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis;

T7) milho ‘GNZ 2005’.

Foram realizadas quatro medições, em oito plantas por parcela, aos 42, 49, 56 e 63 dias, para a determinação da altura. Ao término do estudo, evidenciou-se a sucessão de culturas afetou o crescimento da soja, cujo melhor tratamento foi o sistema consorciado Milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis.

Termos de indexação: Maranhão, Produtividade, Sistema de Plantio direto (SPD).

INTRODUÇÃO

Os principais produtores mundiais de soja são os Estados Unidos, Brasil e Argentina, que, juntos, são responsáveis por 82% da produção mundial. Para o Brasil, a produção estimada pelo USDA, para a safra 2017/18, provavelmente fique em torno de 107 milhões de toneladas, enquanto que a produção total mundial de soja em grãos é estimada em 344,67 milhões de toneladas.

O Brasil espera colher 237,2 milhões de toneladas de grãos para a safra 2016/17, aumento de 27,1%. Serão 50,6 milhões de toneladas a mais sendo colhidas em cerca de 60,6 milhões de hectares do país. Para a soja, segundo a CONAB, o décimo levantamento de 2017, realizado em julho, consolida a performance recorde da safra brasileira apresentando um crescimento na área plantada de 1,9%, comparado com o observado na safra anterior, e uma produção de 113,9 milhões de toneladas, aumento de 19,4% para a produção nacional.

Os maiores estados produtores encontram-se nas regiões Centro–Oeste e Sul do Brasil, com destaque para o Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, que juntos, correspondem a 60% da produção nacional. É relevante, também, o forte crescimento relativo observado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que apresentaram aumento de 99,8%, 68,4%, 217,1% e 59,5, respectivamente. Na Região Nordeste ocorreu incremento percentual de 7,6% da área plantada, conforme a Conab (2017).

O sucesso da produtividade da soja está relacionado com a inclusão de tecnologias de sistemas de produção, onde pode ser destacado o Sistema de Plantio direto (SPD), conceituado como uma técnica de

cultivo conservacionista que se fundamenta no revolvimento mínimo do solo, em sua cobertura permanente e na rotação de culturas (Duarte Junior & Coelho, 2010). Mesmo sendo de fundamental importância para a sustentabilidade agrícola, o SPD e a rotação de culturas são adotados, em sua plenitude, por uma minoria de produtores (Freitas, 2014), havendo assim, a necessidade de uma mudança na forma de pensar a atividade agrícola, a partir de um contexto socioeconômico, com preocupações ambientais (Mancin et al., 2009).

Os sistemas de manejos conservacionistas, aliado à manutenção da cobertura com palha, podem afetar positivamente as propriedades do solo, com reflexos no crescimento da planta e rendimento de grãos (Santos et. al., 2006). A cobertura vegetal deficiente deixa o solo mais suscetível à ocorrência de erosão, bem como ao aparecimento de plantas indesejáveis (Carneiro et al., 1994). Sem a presença de plantas capazes de ciclar nutrientes aumenta também o potencial de perda destes por lixiviação, principalmente de N na forma de nitrato (NO3-). Por isso a importância do cultivo de plantas de cobertura de solo e manutenção da palha no período de entressafras, a fim de oferecer ao solo, e as culturas em sucessão, acúmulo de fitomassa e liberação de nutrientes pela decomposição da palhada.

A escolha das espécies em rotação ou sucessão de culturas é essencial, uma vez que os resíduos vegetais sobre o solo podem proporcionar tanto efeitos positivos como negativos. No caso de soja cultivada sob determinados resíduos vegetais remanescentes de inverno (aveia branca, cevada e trigo), têm sido verificados rendimentos maiores do que sob outros resíduos, por exemplo: colza e linho (Santos & Roman, 2001). Além disso, estatura de plantas, altura de inserção dos primeiros legumes e número de grãos por planta de soja, também podem ser afetadas positiva ou negativamente pelos resíduos vegetais (Santos et al., 1998).

Diversas espécies de plantas de cobertura vêm sendo utilizadas em solos do Cerrado, a fim de proporcionar o acúmulo de fitomassa e taxa de cobertura do solo, dentre elas destacam-se algumas gramíneas e leguminosas. No entanto, e principalmente devido às condições dos Cerrados brasileiros, isso é mais difícil em função do clima que proporciona rápida decomposição e dificuldade de produção na entressafra (Muraishi et. al., 2005), diferentemente da Região Sul que possui temperaturas mais amenas, o que garante uma decomposição mais lenta da palhada.

Diante do exposto, o presente trabalho teve por objetivo avaliar o crescimento da cultura de soja semeada sobre palhada, em sistema de sucessão de culturas.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi realizado numa área experimental da Universidade Federal do Maranhão, campus Chapadinha, cujas coordenadas são 3° 44’ 30’’S, 43º 21’ 37’’W e 105 m de altitude.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com sete tratamentos e quatro repetições.

Os tratamentos foram distribuidos em parcelas de 5 x 8 m, e consistiram em:

T1) soja (testemunha),

T2) Crotalaria ochroleuca;

T3) C. spectabilis + milheto ‘ADR 300’;

T4) milheto ‘ADR 300’;

T5) Brachiaria ruziziensis;

T6) milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis;

T7) milho ‘GNZ 2005’.

As espécies vegetais foram semeadas em linhas espaçadas de 0,9 m (milho e milho + B. ruziziensis) ou 0,225 m (demais culturas). No consórcio, a semeadura das culturas foi simultânea, com uma linha de B. ruziziensis em cada entrelinha do milho. No T3, as quantidades utilizadas de sementes puras e viáveis foram de 10 kg ha-1 para o milheto e de 20 kg ha-1 para a C. spectabilis. As sementes das duas espécies foram misturadas e distribuídas em todas as linhas de semeadura.

A cultivar de soja plantada foi a BRS 333 RR, e empregou-se uma semeadora tratorizada, regulada de modo a obter-se uma população de 260.000 plantas por hectare, com espaçamento entre linhas de 0,5 m. E os demais tratos culturais foram realizados de acordo com as indicações técnicas para a soja na região.

O crescimento da soja começou a ser avaliado aos 42 dias após a semeadura, sendo avaliadas oito plantas demarcadas por parcela. Foram realizadas quatro medições, com intervalos regulares de uma semana entre cada medição, sempre com as mesmas plantas, aos 42, 49, 56 e 63 dias, sendo utilizada uma trena graduada em cm para a determinação da distância entre o nível do solo e o ápice da planta.

As médias da altura obtida através das oito avaliações por parcela, totalizando 28 unidades experimentais por medição, foram submetidas à análise de variância, para verificação dos efeitos das coberturas de solo em cada medição. A comparação de médias entre os tratamentos foi feita pelo teste Duncan ao nível de 5% de significância, utilizando o software estatístico InfoStat, versão 2016.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A estatística descritiva das épocas de medição pode ser observada na Tabela 1. Pode-se observar que a diferença entre as médias da medição 3 e 4 foram menores que as demais, devido ao fim do estágio vegetativo de desenvolvimento da cultura, com os maiores desvios padrões observados (D.E.), mas também bem próximos. Todas as medições apresentaram mediana bem aproximada da média o que culminou em uma baixa assimetria, indicando uma distribuição normal, pressuposto básico à análise de variância.

Tabela 1. Estatística descritiva dos tratamentos para cada medição realizada.

A análise de variância foi realizada para cada período de medição, podendo-se verificar os efeitos da palhada em cobertura no desenvolvimento da soja, sendo que houve diferença significativa na altura das plantas entre os tratamentos nos quatro períodos avaliados. Isso difere de Freitas (2014), que não obteve resultados significativos para altura de soja cultivar BMX Potência RR, em sistema de rotação.

Já na primeira medição feita pode-se verificar que entre todos os tratamentos, em valores absolutos, a testemunha obteve uma altura inferior às demais coberturas. Entretanto houve uma recuperação do tratamento ao longo das observações apesar do baixo crescimento inicial. Apenas o tratamento 6 (Milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis) foi significativamente superior aos demais tratamentos, sendo observadas diferenças menores ao final das medições (Tabela 2).

Tabela 2. Comparação de médias de alturas de plantas pelo teste Duncan (p>0,05) para cada medição.

Nas demais medições, o tratamento 6 (Milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis) manteve-se com o melhor desempenho com relação as alturas médias de plantas por parcelas (Figura 1), seguido de perto pelo tratamento 5 (Brachiaria ruziziensis) e pelo tratamento 7 (Milho ‘GNZ 2005’). No entanto, nem todas as coberturas de solo mantiveram o mesmo desempenho ao longo do tempo no desenvolvimento da cultura da soja. Vale ressaltar que a altura de planta, assim como a inserção de vagens da soja, é determinada pela genética da variedade, sendo influenciado por condições como a fertilidade do solo, o clima, a época de semeadura e da latitude (BORÉM, 2000).

 

Figura 1. Variação média da altura de plantas nos tratamentos ao longo das medições.

Este resultado é justificado pela pesquisa desenvolvida no Paraná por Franchini et al. (2011), que concluíram que a soja apresenta respostas positivas à rotação de culturas, particularmente quando cultivada no verão em sucessão ao cultivo de milho. Mas para Monteiro et al. (2011) num estudo sobre plantas de cobertura no Piauí, observou que nos tratamentos em que foram utilizadas as plantas de cobertura em pré-safra na soja e consorciada com o milho, estas não expressaram diferenças na fitomassa, o que se deu na soja, segundo o autor, foi em razão da área já apresentar elevada quantidade de milheto, o que anulou o tratamento com o milho.

Segundo Freitas (2014), os efeitos positivos da rotação de culturas sobre a produtividade da soja podem ser atribuídos à recuperação da qualidade do solo devido a maior produção de fitomassa da parte aérea e raízes pelas culturas antecessoras, e neste caso, a consorciação das culturas de cobertura no tratamento que melhor se sobressaiu (Milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis) favoreceram ainda mais o desenvolvimento da cultura.

CONCLUSÕES

A sucessão de culturas afetou o crescimento da soja, cujo melhor tratamento foi sobre a palhada do sistema consorciado, milho ‘GNZ 2005’ + B. ruziziensis.

REFERÊNCIAS

BORÉM, A. Escape gênico: os riscos do escape gênico da soja no Brasil. Biotecnologia Ciência e Desenvolvimento, 32:101-107, 2000.

CARNEIRO, J. O. F. & BORGES, E. P. Avaliação de diferentes doses e formas de aplicação de herbicidas no manejo de milheto (Penisetum americanum). Maracajú: Fundação MS para Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias, 1994. 3p.

CONAB, COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da Safra Brasileira-Grãos, Safra 2016/2017, 10°Levantamento, Julho de 2017.

DUARTE JUNIOR, J. B.; COELHO, F. C. Rotação de Culturas. Manual Técnico, 22. Programa Rio Rural: Niterói, RJ, 2010. 13p.

FRANCHINI, J.C.; COSTA, J.M.; DEBIASI, H.; TORRES, E. Importância da rotação de culturas para produção agrícola sustentável no Paraná. Embrapa Soja: Londrina: Embrapa Soja. Documento/Embrapa Soja ISSN 1516 -781X; n. 327, 2011, 52p.

FREITAS, M. E. de. Rotação e sucessão de culturas com ênfase em oleaginosas de outono-inverno em plantio direto, 2014. 90 p. Tese (Doutorado em agronomia) – Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados – MS.

MANCIN, C.R.; SOUZA, L.C.F.; NOVELINO, J.O.; MARCHETTI, M.E.; GONÇALVES, M.C. Desempenho agronômico da soja sob diferentes rotações e sucessões de culturas em sistema de plantio direto. Acta Scientiarum. Agronomy, 10:71-77, 2009.

MONTEIRO, M. M. de S.; PACHECO, L. P.; LEANDRO, W. M. et al. Produção de fitomassa por plantas de cobertura no cerrado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 33., 2011. Anais. Uberlândia: SBCS: UFU, ICIAG, 2011. CD-ROM

MURAISHI, C.T.; LEAL, A.J.F.; LAZARINI, E.; RODRIGUES, L.R. & GOMES JUNIOR, F.G.G. Manejo de espécies vegetais de cobertura de solo e produtividade do milho e da soja em semeadura direta. Acta Scientiarum. Agronomy., 27:199-207, 2005.

SANTOS, H. P. & ROMAN, E. S. Efeitos de culturas de inverno e rotações sobre a soja cultivado em sistema plantio direto. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, 12:59-68, 2001.

SANTOS, H. P. dos; LHAMBY, J. C. B.; SPERA, S. T. Rendimento de grãos de soja em função de diferentes sistemas de manejo de solo e de rotação de culturas. Ciência Rural, 4:21-29, 2006.

SANTOS, H.P. dos et al. Efeito de culturas de inverno em plantio direto sobre a soja cultivada em rotação de culturas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 35:289-295, 1998.

Informações dos autores:      

(1)Graduando em Agronomia – Centro de Ciências Agrárias e Ambientais-CCAA; Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Campus IV; Chapadinha, Maranhão;

(1) Graduando em Agronomia-CCAA; UFMA; Campus IV; Chapadinha, Maranhão;

(1) Graduando em Agronomia – CCAA; UFMA; Campus IV; Chapadinha, Maranhão;

(1) Graduando em Agronomia-CCAA; UFMA; Campus IV; Chapadinha, Maranhão;

(2) Docente-CCAA; UFMA; Campus IV; Chapadinha, Maranhão;

(2) Docente – CCAA; UFMA; Campus IV; Chapadinha, Maranhão.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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