Avaliação de cultivares de soja em Santa Maria – Semeaduras de dezembro

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Autores: Thomas Newton Martin (martin.ufsm@gmail.com); Evandro Ademir Deak; Glauber Monçon Fipke; Guilherme Kalil Reimann; Matheus Martins Ferreira; Vinícius dos Santos Cunha (Grupo de pesquisas em Grandes Culturas de Coxilha).

A escolha da cultivar de soja é fundamental para a definição da produtividade final da cultura. Não somente pelo aspecto produtivo, mas as sementes de determinada cultivar carregam além da carga genética, uma série de atributos, como os aspectos fitossanitários, fisiológicos e físicos. No que diz respeito a fitossanidade deve-se observar em que condições as sementes foram produzidas, pois a lavoura produtora de sementes é responsável por garantir a constituição nutricional das sementes, mas também a pressão de patógenos que essa semente está submetida. Fisiologicamente, as sementes devem germinar e emergir o mais rapidamente possível garantindo o estabelecimento rápido e uniforme. O mercado produtor de sementes de soja vem se especializando anualmente, sendo capaz de fornecer sementes de alta qualidade que podem ser adaptadas as mais diversas condições do ambiente. Nesse sentido, o grupo de Pesquisa em Manejo de Grandes Culturas de Coxilha, instala anualmente diversos experimentos, dentre eles o de avaliação de cultivares de soja que estão no comércio da região central de Santa Maria conforme a tabela 1.

Tabela 1. Característica das cultivares de soja

*Ciclo: (SP) super precoce; (P) precoce; (T) tardio. **Resistência ao acamamento: (M) moderado; (R) resistente.

A semeadura foi realizada no dia 17 de dezembro de 2015, utilizando espaçamento de 0,45 m entre fileiras e densidade de 35 sementes por m² para todas as cultivares. Os tratamentos fitossanitários foram realizados para garantir altas produtividades da cultura da soja, seguindo as recomendações da cultura (EMBRAPA, 2014).

Dessa forma, é possível verificar que existe uma adaptação diferenciada para as cultivares (Tabela 2) em que a produtividade variou de 27 a 51 sacos/ha. Essas produtividades são consideradas baixas e isso ocorreu devido ao período sem chuvas em pleno florescimento da cultura. Durante o ciclo da cultura, foi registrada uma precipitação total de 1230 mm, sendo mais do que a média histórica para o mesmo período, que é de aproximadamente 900 mm. Por ocasião da colheita houve alto acumulo de precipitação, dificultando a colheita da cultura e reduzindo a quantidade e a qualidade dos grãos produzidos.

Tabela 2. Massa de cem grãos (MCG), produtividade de grãos (PG) e produtividade de grãos em sacos (PGS) de diferentes cultivares de soja na região central do Rio Grande do Sul.

*médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade de erro.

Além de escolher corretamente a cultivar, deve-se realizar a semeadura em época adequada, pois esse é um fator determinante para elevadas produtividades. Nesse experimento foi realizada apenas uma semeadura, 17 de dezembro, já no final da época recomendada, o que pode ter prejudicado as cultivares precoces e superprecoces, não permitindo que estas pudessem expressar todo seu potencial produtivo. No RS a partir do mês de janeiro a temperatura média, o fotoperíodo e a intensidade de radiação solar começam a reduzir. A duração das fases e do ciclo da soja são influenciados pela temperatura e pelo fotoperíodo, variando de acordo com a cultivar.

Dessa forma, o aumento das produtividades de grãos de soja passa por diversos fatores, sendo que eles estão interligados, no presente caso a escolha da cultivar e a época de semeadura foram fundamentais para atingir as produtividades alcançadas.

 

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