Densidade e porosidade de Latossolo Amarelo sob diferentes condições de uso

1341

O objetivo do trabalho foi avaliar as modificações impostas sobre a densidade e porosidade de um Latossolo, sob distintas condições de uso 

Autores: José Fidelis dos Santos Neto(2); Flávio Pereira de Oliveira(3); Misael Mendes Soares (4); Danillo Dutra Tavares(5)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

Os impactos causados no solo modificam suas propriedades físicas, principalmente a densidade e a porosidade. Essas modificações são resultantes do manejo inadequado do solo, provocado pela transformação de áreas naturais em áreas agrícolas, afetando negativamente os atributos físicos do solo e os sistemas de produção agropecuária. Assim o objetivo deste trabalho foi avaliar a densidade e porosidade total de um Latossolo Amarelo sob diferentes condições de uso. As analises foram realizadas no Laboratório de Física do Solo do Departamento de Solos e Engenharia Rural, Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba – DSER/CCA/UFPB. As amostras de solos foram coletadas de 0-10 e 10-20 cm de profundidade em três condições de uso (cultivada, pastagem e preservada) em Latossolo Amarelo. Foram avaliados os atributos de densidade do solo e porosidade total. Sendo a densidade determinada pelo método do torrão impermeabilizado, e a porosidade total foi obtida através da relação da densidade de solo e densidade de partícula. De acordo com os resultados obtidos, os maiores valores médios absolutos mostraram que a camada subsuperficial obteve maior densidade. Entre as condições de uso, foram verificados maiores valores na área sob pastagem, seguida de cultivada. O pisoteio animal na condição de pastagem resultou em menor valor nos macroporos, mas consequentemente aumentou a sua microporosidade.

Termos de indexação: Física do solo, manejo do solo, estrutura do solo.

INTRODUÇÃO

O solo é a base para a produção de alimentos, constituindo o meio natural para o desenvolvimento das plantas. A densidade e a porosidade são propriedades físicas do solo que sofrem modificações, alterando sua estrutura, alterações essas causadas em função do sistema de manejo utilizado, com consequente influência sobre a produtividade das culturas tornando sua conservação essencial para a manutenção da atividade produtiva (Jakelaitis et al., 2008).

De acordo com o uso e manejo, os solos diferem em seu estado de agregação, textura, teor de água, matéria orgânica e possíveis pressões que recebeu no passado (Llanillo et al.,2006). Desse modo, o solo que é mantido em seu estado natural, sob vegetação nativa, apresenta características físicas, como densidade e porosidade, consideradas adequadas (Andreola et al., 2000).

Entretanto, quando o solo é submetido ao processo produtivo, as características físicas passam por mudanças (Neves et al., 2007), tornando-se fundamental a avaliação desses atributos posteriormente a introdução de atividades de caráter antrópico, as quais são capazes de favorecer perda da qualidade estrutural e aumentar a suscetibilidade à erosão (Bertol et al., 2001).

A intervenção humana continua intrínseca revirando o solo para os mais diferentes fins, onde através do manejo convencional, movimenta o solo de forma severa e em profundidade possibilitando sua parcial desagregação, manuseio este empregado em áreas cultivadas excessivamente e ainda sem a preservação de sua cobertura facilitando assim grandes perdas de sedimentos. Podemos também mencionar áreas de pastagens, onde o pisoteio dos animais altera e concentra as camadas superficiais do solo. Em contraposição podemos mencionar áreas sob mata, em que possui boa agregação, resultante da sobreposição de serapilheira e relevante quantidade de matéria orgânica o que melhora claramente a situação física, química e biológica dos agregados, visto que o solo sob vegetação original pode refletir as condições da qualidade do solo de um determinado período (Abrão, 2011).

Por isso, para avaliar o que transcorre no solo frente as mais diversas maneiras de manejo é preciso realizar um levantamento de seus aspectos, tais como seus parâmetros físicos, afim de compreender os efeitos destes impactos, decorrentes das práticas de manejos sobre a capacidade física do solo, que são de suma importância para os sistemas agrícolas sustentáveis (Dexter & Youngs, 1992).

O objetivo do trabalho foi avaliar as modificações impostas sobre a densidade e porosidade de um Latossolo, sob distintas condições de uso (cultivada, pastagem e preservada) no Brejo Paraibano.

MATERIAL E MÉTODOS

Local e solo

A pesquisa foi realizada no Laboratório de Física do Solo do Departamento de Solos e Engenharia Rural, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal da Paraíba – DSER/CCA/UFPB. As amostras de solo foram coletadas a campo nas camadas de 0-10 e 10-20 cm de profundidade em um Latossolo Amarelo. Foram selecionados três condições de uso do solo: área cultivada, área de pastagem e área preservada.

Densidade do solo, densidade de partículas e porosidade total

A densidade do solo foi determinada pelo princípio da impermeabilização de um torrão ou conglomerado, feita com parafina fundida, de maneira a permitir mergulhá-lo em água ou outro líquido e determinar seu volume. Enquanto que, a densidade de partículas teve como princípio a utilização da água destilada para medir o volume deslocado por uma massa conhecida de solo em um balão volumétrico de 100 ml. Já a porosidade total foi obtida através da relação da densidade de solo e densidade de partícula. A densidade do solo, a densidade de partículas e a porosidade do solo foram determinadas segundo metodologias descritas por Donagema et al. (2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os atributos de densidade, macro e micro porosidade, além de porosidade total, estes estão apresentados na tabela 1. Em relação a densidade, os maiores valores médios absolutos mostraram que a camada subsuperficial obteve maior densidade. Entre as condições de uso, foram verificados maiores valores na área sob pastagem, seguida de cultivada. Esses maiores valores de densidade do solo na condição de pastagem está relacionado com o pisoteio dos animais, que promovem a aproximação das partículas do solo resultando em maior densidade.

Em relação à microporosidade os valores encontrados nas condições de mata nativa e cultivada nas profundidades de 0-10 e 10-20 cm ficaram próximos, apresentando valores 0,35 e 0,35 m3 m-3, 0,34 e 0,37 m3 m-3, respectivamente, enquanto que o solo submetido a condição de pastagem teve o maior valor, resultado justificado por essa área ser pisoteada frequentemente pelos animais, exercendo forças nas camadas superficiais do solo, modificando-o estruturalmente.

Quanto a macroporosidade, a área de vegetação nativa apresentou o maior valor nas duas profundidades, resultado já esperado em virtude da mesma não sofrer impactos e ainda por que mantem a cobertura vegetal.

Em termos médios, a porosidade total variou entre 0,56 e 0,52 m3 m-3 nas camadas de 0-10 e 10-20, respectivamente. A área sob vegetação nativa e pastagem obtiveram os maiores valores na camada superficial, onde apresenta os maiores teores de matéria orgânica, que de acordo com Wendling et al. (2005), é o principal agente de formação e estabilização dos agregados.

A porosidade de um determinado solo influencia na aeração, condução e retenção de água, resistência à penetração e ramificação das raízes no solo e, como consequência, na disponibilidade de água e nutrientes (Tognon, 1991). A composição de um solo ideal, em relação aos poros, é que estes tenham volume e dimensão adequada para entrada, movimento e retenção de água e ar que atendam às necessidades da cultura (Hillel, 1980).

Tabela 1. Densidade do solo (DS), macro e microporosidade e porosidade total de Latossolo Amarelo em distintas condições de uso e profundidades.

CONCLUSÕES

A densidade do solo apresentou maior valor na condição de pastagem, nas duas profundidades, o que leva a diminuição da porosidade total do solo.

O pisoteio animal na condição de pastagem resultou em menor valor nos macroporos, mas consequentemente aumentou a sua microporosidade.

A porosidade total, na camada de 0- 10, foi maior na condição de pastagem seguida da sob vegetação nativa e com menor valor na área cultivada.

AGRADECIMENTOS

A todos que fazem parte do Laboratório de Física do Solo do Departamento de Solos e Engenharia Rural, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal da Paraíba – DSER/CCA/UFPB.

REFERÊNCIAS

ABRÃO, S. F. Alterações físicas e químicas de um cambissolo húmico em povoamentos de Pinus taedaL. Com diferentes rotações. UFSM, 2011. 95 f. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Universidade de Santa Maria, Santa Maria-RS, 2011.

ANDREOLA, F.; COSTA, L. M.; OLSZEVSKI, N. Influência da cobertura vegetal de inverno e da adubação orgânica e, ou, mineral sobre as propriedades físicas de uma terra roxa estruturada. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 24:857-865, 2000.

BERTOL, I.; BEUTLER, J. F.; LEITE, D. et al. Propriedades físicas de um Cambissolo húmico afetadas pelo tipo de manejo do solo. Science Agriculture, 58:555-560, 2001.

DEXTER, A.R. & YOUNGS, I.M. Soil physic toward 2000. Soil Till. Res., 24:101-106, 1992.

DONAGEMA, G. K., CAMPOS, D. V. B.; CALDERANO, S. B. et al. Manual de métodos de análise de solos. 2 ed. Rev. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2011. 230p.

JAKELAITIS, A.; SILVA, A. A. Qualidade de uma camada superficial sob mata, pastagens e áreas cultivadas. Pesquisa agropecuária tropical, 38:118-127, 2008.

LLANILLO, R. F.; RICHART, A.; FILHO, J. T. et al. Evolução de propriedades físicas do solo em função dos sistemas de manejo em culturas anuais. Semina. Ciências Agrárias, 27:205-220, 2006.

NEVES, C. M. N.; SILVA, M. L. N.; CURI, N.; CARDOSO, E. L. et al. Atributos indicadores da qualidade do solo em sistemas agrossilvipastoril no Noroeste do Estado de Minas Gerais. ScientiaForestalis, 74:45-53, 2007.

WENDLING, B.; JUCKSCH, I.; MENDONÇA, E. de S. et al. Carbono orgânico e estabilidade de agregados de um Latossolo Vermelho sob diferentes manejos. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 40:487-494, 2005.

Informações dos autores:  

 (1) Trabalho executado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

(2) Estudante de Graduação em Agronomia; Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Paraíba – CCA/UFPB; Areia, Paraíba;

(3) Professor Adjunto, Departamento de Solos e Engenharia Rural, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Paraíba – DSER/CCA/UFPB;

(4) Estudante de Graduação em Agronomia; Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Paraíba – CCA/UFPB;

(5) Estudante de Mestrado em Ciência do Solo; Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Paraíba – CCA/UFPB.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.