Deposição por pulverização na cultura da soja sob diferentes volumes de calda e adjuvantes

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o controle químico de Phakopsora pachyrhizi levando em consideração o volume de calda e a adição de adjuvantes

Autores: Thiago Nunes LANDIM1, Guilherme Sousa ALVES2, Matheus Gregorio MARQUES3, Sergio Macedo SILVA4, João Paulo A. R. da CUNHA5

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar o controle químico de Phakopsora pachyrhizi levando em consideração o volume de calda e a adição de adjuvantes. O ensaio foi conduzido em duplicata, com delineamento de blocos casualizados, quatro repetições, e esquema fatorial 2 x 2 x 2: dois adjuvantes em presença ou ausência, um a base de hidrocarbonetos alifáticos e o segundo a base de óleo essencial de laranja; e dois volumes de calda, 77 e 146 L ha-1. A cultivar AS3730 foi semeada diretamente. Após as pulverizações, que ocorreram no estádio R3 com a combinação de 300 g de azoxistrobina + 150 g de benzovindiflupir, avaliou-se a deposição de calda do terço superior e médio da cultura. O aumento do volume de calda resultou em aumentos de 60 ng cm-2 para o terço médio. Para o terço superior, temos um aumento de deposição de 170 ng cm-2 e 164 ng cm-2 para o volume de calda de 146 L ha-1 e presença de adjuvante a base de hidrocarbonetos alifáticos, respectivamente, no segundo ensaio. Conclui-se que o uso de adjuvantes a base de hidrocarbonetos alifáticos pode proporcionar maiores depósitos no terço superior e o aumento do volume de calda pode proporcionar maiores depósitos no superior e inferior.

PALAVRAS–CHAVE: Tecnologia de aplicação, Glycine max L., Merril, Phakopsora pachyrhizi.

SPRAY DEPOSITION IN THE CULTURE OF SOYBEAN UNDER DIFFERENT APPLICATION VOLUMES AND ADJUVANTS

 ABSTRACT

The aim of this work was to evaluate the chemical control of Phakopsora pachyrhizi taking into the application volumes and addition of adjuvants. The experimental design was in randomized complete-block with four replications, in a factorial model 2 x 2 x 2, being the factors: the presence or the absence of two adjuvants one based on aliphatic hydrocarbons and the second made of orange essential oil; and two spray volumes, 77 and 146 L ha-1. The cultivar AS3730 was sown on the planting rows. After spraying, which occurred at the R3 reprodutive stage with the combination of 300 g of azoxystrobin + 150 g of benzovindiflupir, it was evaluated the deposition of the upper and middle third of the culture. The higher spray volume resulted in values more than 60 ng cm-2 on the middle third. For the upper third, it was obtained deposition values like 170 ng cm-2 and 164 ng cm-2 for the 146 L ha-1 spray volume with the presence of aliphatic hydrocarbon-based adjuvant, respectively, in the second experiment. This allowed concluded that the use of aliphatic hydrocarbon-based adjuvants and the higher spray volume may provide higher deposits in the upper third and in the upper and lower third of the soybean crop, respectively.

KEYWORDS: Spray technology, Glycine max L., Merril, Phakopsora pachyrhizi.

INTRODUÇÃO

O controle químico de Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & Sydow, na cultura da soja, é uma prática consolidada nas lavouras brasileiras; quando este se faz ausente, prejuízos consideráveis são constatados na produtividade esperada. Contudo, no campo, é observada maior preocupação com o produto a ser utilizado do que em relação a forma como o mesmo será aplicado (BUENO et al., 2011). Pelo fato da ferrugem asiática iniciar nas partes mais baixas da cultura, a partir do ponto em que a cultura atinge grande desenvolvimento vegetativo, busca-se a máxima capacidade de cobertura e penetração no dossel, com a finalidade de obter uma boa cobertura no interior da cultura, o que pode ser obtido através do uso de técnicas adequadas de aplicação (CUNHA e PERES, 2010).

Fator importante para a pulverização de fungicidas é o volume de calda, visto que sua redução é um fato consolidado no Brasil, e é sabido seu aumento na capacidade operacional do pulverizador. Mas esta redução requer um aprimoramento na tecnologia de aplicação (CUNHA et al., 2014). Outro fator que altera o desempenho das aplicações é a adição de adjuvantes à calda. Pode-se obter redução da tensão superficial, aumento da superfície de contato e, consequentemente, a cobertura (VAN ZYL et al., 2010).

No entanto, a atuação dos adjuvantes é diferente entre si e pode sofrer interação com os agrotóxicos. Com a grande variedade de adjuvantes no mercado, é preciso conhecer seus efeitos e interações. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o controle químico de Phakopsora pachyrhizi levando em consideração o volume de calda e a adição de adjuvantes.

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi conduzido em duplicata na Fazenda Pires, município de Catalão – GO, altitude média de 850 metros, cuja longitude e latitude aproximadas são 47°46’48’’ e 17°58’30’’. Realizou-se a semeadura direta da cultivar de soja AS3730 IPRO em novembro de 2016. O delineamento adotado foi de blocos casualizados, com quatro repetições, em esquema fatorial 2 x 2 x 2: dois volumes de calda (77 e 146 L ha-1), presença ou ausência de adjuvante a base de hidrocarbonetos alifáticos, e presença ou ausência de adjuvante a base de óleo essencial de laranja.

O fungicida utilizado foi a combinação de 300 g de azoxistrobina + 150 g de benzovindiflupir por quilo de produto, na dose de 0,2 kg ha-1, sendo aplicado apenas uma vez em cada ensaio, no estádio R3, nos dias 22/01 e 05/02/2017, para o primeiro e segundo ensaio, respectivamente.

A parcela experimental foi constituída de 8 m de largura por 20 metros de comprimento, separadas por 3 m, espaço destinado à parada da máquina. As aplicações foram realizadas utilizando-se um pulverizador de arrasto modelo Jacto Columbia Cross com barra de 18 metros, contendo 36 bicos com pontas modelo MagnoJet CH 100 100015.

Para realizar as aplicações em diferentes volumes de calda sem a necessidade de alterar a pressão de trabalho ou mudar a ponta, adotou-se velocidade de trabalho de 2,78 e 1,47 m s-1 para os volumes de calda de 77 e 146 L ha-1, respectivamente, com pressão de trabalho de 3,4 bar. Durante as aplicações, foram coletados os dados de velocidade do vento, temperatura e umidade relativa (Tabela 1).

A avaliação de deposição foliar foi realizada com adição do marcador Azul Brilhante FD&C n° 1 à calda. Logo após a passagem do pulverizador, coletou-se 10 folhas de cada terço da planta, sendo eles superior e médio. As folhas foram armazenadas em sacos plásticos devidamente identificados. A extração do marcador foi realizada com a adição de 75 mL de água destilada no saco plástico, deixando-o sob agitação em uma mesa agitadora pendular por 15 minutos.

A quantidade de marcador na água foi determinada com um espectrofotômetro SP-22, e a área foliar foi mensurada em um medidor de bancada LICOR modelo 3100. Os dados de deposição foram submetidos à análise de variância e suas médias comparadas pelo teste de Tukey a 0,05 de significância.

TABELA 1. Média das condições climáticas durante a pulverização dos tratamentos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nas Tabela 1 e 2, observa-se o efeito dos adjuvantes e do volume de calda na deposição foliar no dossel da cultura da soja. Não houve interação entre os fatores, mostrando a independência entre eles.

A deposição de calda no terço médio, nos dois ensaios, demostrou médias estatisticamente semelhantes quanto ao uso de adjuvantes, diferindo apenas quanto a variação do volume de calda no segundo ensaio, com acréscimo de 60 ng cm-2 para o volume de 146 L ha-1. Ainda em relação ao volume de calda, o mesmo possibilitou maior deposição no dossel superior, no segundo ensaio, com o volume de 146 L ha-1, com acréscimo de 170 ng cm-2. Pesquisas já realizadas com variação do volume de calda, demonstraram maiores depósitos no terço superior e inferior com adoção do volume de calda de 160 L ha-1 quando comparado a 115 L ha-1 (CUNHA et al., 2006).

Comparando-se os adjuvantes, tem-se que o uso de óleo mineral aumentou a deposição foliar em 164 ng cm-2 no segundo ensaio, o oposto foi observado quanto ao uso de óleo vegetal, com redução de 123 ng cm-2, no primeiro ensaio. Aguiar Junior (2011), estudando o efeito da adição de adjuvantes à calda na deposição foliar, constataram maiores depósitos no terço superior da cultura da soja com adição de adjuvantes.

O efeito dos adjuvantes está diretamente relacionado com as propriedades físicas, químicas e fisiológicas (CHOW, 1993), desta forma, a diferença no comportamento dos adjuvantes entre os ensaios possivelmente se deve a média de velocidade do vento, com uma variação de 1,75 m s-1 do primeiro para o segundo ensaio.

TABELA 2. Média da deposição foliar (ng cm-2) no terço superior e médio da cultura da soja no primeiro ensaio, em função do volume de calda e adição de adjuvantes.

TABELA 3. Média da deposição foliar (ng cm-2) no terço superior e médio da cultura da soja no segundo ensaio, em função do volume de calda e adição de adjuvantes.

CONCLUSÕES

O uso de adjuvantes a base de hidrocarbonetos alifáticos pode proporcionar maiores depósitos no terço superior da cultura.

A adoção de volumes de calda maiores aumenta a cobertura no terço superior e inferior da cultura.

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem a FAPEMIG (Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais) pelo financiamento deste trabalho.

REFERÊNCIAS

AGUIAR JÚNIOR, H. O. A. et al. Adjuvantes e assistência de ar em pulverizador de barras sobre a deposição da calda e controle de Phakopsora pachyrhizi (Sydow & Sydow). Summa Phytopathol., Botucatu, v. 37, n. 3, p. 103-109, 2011.

BUENO, M. R.; CUNHA, J. P. A. R.; ALVES, G. S. Estudo do espectro de gotas produzidas nas pulverizações aérea e terrestre na cultura da batata. Revista de Ciências Agrárias, Belém, v. 54, n. 3, p. 225-234, 2011.

CHOW, P. N. P. Adjuvants in spray formulation in relation to foliar application of herbicides. In: MATTHEWS, G. A.; HISLOP, E. C. (Ed.). Application technology for crop protection. Wallingford: CAB, 1993. p. 291-304.

CUNHA, J. P. A. R.; REIS, E. F.; SANTOS, R. O. Controle químico da ferrugem asiática da soja em função de ponta de pulverização e de volume de calda. Ciência Rural, Santa Maria, v. 36, n. 5, p. 1360-1366, 2006.

CUNHA, J. P. A. R.; PERES, T. C. M. Influência de pontas de pulverização e adjuvantes no controle químico de ferrugem asiática da soja. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v. 32, n. 4, p. 597-602, 2010.

CUNHA, J. P. A. R.; JULIATTI, F. C.; REIS, E. f. Tecnologia de aplicação de fungicida no controle da ferrugem asiática da soja: resultados de oito anos de estudos em minas gerais e goiás. Biosci. J., Uberlandia, v. 30, n. 4, p. 950-957, 2014.

VAN ZYL, S.A. et al. The use of adjuvants to improve spray deposition and Botrytis cinerea control on chardonnay grapevine leaves. Crop Protection, v.29, p. 58-67, 2010.

Informações dos autores:  

1Engenheiro Agrônomo, Mestrando em fitotecnia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG – Brasil;

2Engenheiro Agrônomo, Doutorando em Agronomia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG;

3Graduando em Agronomia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG;

4Engenheiro Agrônomo, Pós-doutorando em Agronomia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG;

5Engenheiro Agrícola, Prof. Doutor, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia/MG.

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas – SP, Brasil.

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