Desempenho agronômico de híbridos de milho sob a aplicação de fungicidas em diferentes estádios fenológicos

Objetivou-se avaliar o desempenho agronômico de seis híbridos de milho, em função da aplicação em três estágios fenológicos (aplicação em V6, V12 e V6 + V12), assim como o retorno econômico das aplicações.

Autores: Sacon, D,2; Tonello, E.S.2; Netto. A.2; Fabbian, N.L.2; Milanesi. P.M.1

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

Introdução

O milho (Zea mays L.) é uma cultura de grande importância econômica no Brasil. A semeadura desta cultura está presente em várias regiões, com diferentes sistemas de produção. Na safra 2016/17, a cultura alcançou, aproximadamente, 93.835,7 mil toneladas produzidas (COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO, 2017).

Nesse sentido, o avanço das doenças nos últimos anos é visto como um fator limitante para altas produtividades. O sistema de produção intensivo, aliado a sucessão de cultivos da mesma cultura, faz com que haja um estreitamento das relações patógeno-hospedeiro-ambiente (COSTA, 2001). As doenças fúngicas vêm causando uma sensível redução qualitativa e quantitativa na produção de milho pelo aumento da frequência e da severidade com que vêm ocorrendo; hoje encaradas como fator limitante ao aumento da produtividade dessa cultura (PINTO, 2004).

Frente ao constante impacto das doenças sob a produtividade do milho, a aplicação de fungicidas triazóis e suas misturas com estrobilurinas, assim como também benzimidazóis, vem ganhando espaço em sistemas de produção que contam com média e alta tecnologia, assegurando que mantenha-se o potencial produtivo dos híbridos (DUARTE; JULIATTI; FREITAS, 2009).

Dessa forma, neste trabalho objetivou-se avaliar o desempenho agronômico de seis híbridos de milho, em função da aplicação em três estágios fenológicos (aplicação em V6, V12 e V6 + V12), assim como o retorno econômico das aplicações.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Área Experimental e no Laboratório de Entomologia e Fitopatologia da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Erechim, durante a safra 2016/17. A semeadura foi realizada em 26/09/2016 sendo que, nesse momento foram aplicados 350 kg ha-1 da formulação NPK 09-33-14,e em cobertura, complementou-se a adubação nitrogenada utilizando N na forma de ureia (46%) em dois momentos: nos estádios V4 e V8, na proporção de 165 kg ha-1 para cada aplicação.

Para a condução dos ensaios, seguiu-se as indicações de densidade para cada híbrido. Assim, sob espaçamento de 0,5 m entrelinhas, foi estabelecida a densidade de 3,75 plantas por metro linear a fim de obter-se um estande final de 75 mil plantas ha-1 para os híbridos Pionner 3456, Pionner 2866, Pionner 30F53, DKB 230. Para os híbridos DKB 177 e DKB 240, utilizou-se uma densidade de 70 mil plantas ha-1 ou 3,5 plantas por metro linear.

Os tratamentos foram dispostos no delineamento de blocos ao acaso em parcelas subdivididas em esquema fatorial 6 x 4 (híbridos de milho x programas de aplicação de fungicidas), com quatro repetições. As aplicações de fungicidas foram realizadas nos estádios fenológicos V6; V12 e V6 + V12. No tratamento testemunha não foram realizadas aplicações de fungicidas.

Para as aplicações foi utilizado o fungicida azoxistrobina + tebuconazol na dose de 60 + 100 g i.a. ha-1 + óleo mineral 0,5 V/V. A aplicação foi realizada com o auxílio de um pulverizador costal pressurizado a CO2, equipado com bico Cônico TXA 8002 VK, a uma pressão de 40 Ib.pol-2 e regulado para uma vazão de 150 L/ha-1 .

Realizou-se a colheita quando todas as plantas da parcela não apresentaram mais folhas verdes, considerando-se uma área útil de parcela correspondente a 4,0 m², A trilha das amostras de cada parcela foi realizada com o auxílio de uma trilhadora estacionária de parcelas e, após, foi determinado o teor de umidade dos grãos, através do método de estufa a 105 ± 3 °C durante 24 horas, preconizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2009).

Posteriormente prosseguiu-se com as avaliações de produtividade (kg ha-1) e componentes de rendimento, considerando-se número de fileiras por espiga, grãos por fileira e peso de mil grãos. Para cada parcela os dados obtidos foram submetidos à análise de variância por meio do teste F (p ≤ 0,05) e comparação de médias pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05). Os dados foram analisados através do software estatístico ASSISTAT, v. 7.7 (SILVA; AZEVEDO, 2016).

A análise de retorno financeiro por aplicação foi realizada através da comparação da produtividade obtida com a aplicação em cada tratamento em função da produtividade dos híbridos na ausência de aplicação. O lucro atribuído à aplicação foi calculado com base no preço da saca de milho, R$ 21,50 a saca (Não-Me-Toque/RS – Cotrijal, 12/06/2017) e o custo de aplicação de R$ 93,00 por aplicação (R$ 43,00 custo com fungicida + óleo e R$ 50,00 custo operacional de aplicação).

Resultados e discussão

Conforme a tabela 1, nos híbridos Pionner 30F53, 3456 e 2866 a aplicação de azoxistrobina (estrubilurina) + tebuconazol (triazol) no estádio V6, V12 e V6 + V12, resultou em uma produtividade superior quando comparado à produtividade na ausência de aplicação fungicida.

Tabela 1: Produtividade média (kg ha-1 ), peso de mil grãos (PMG), número de fileiras por espiga e número de grãos por fileira dos híbridos DKB 230, Pionner (P.) 30F53, DKB 240, Pionner (P.) 3456, DKB 177 e Pionner (P.) 2866, avaliadas nos anos agrícolas 2016/17.

A aplicação de fungicida no estádio V6, tabela 1, resultou em uma produtividade 14% superior para os híbridos Pionner 30F53 e 7% para o 3456 e de 15% para Pionner 2866. A aplicação em V12 resultou em uma produtividade 18% superior em Pionner 30F53, 16% em Pionner 2866e 9% em Pionner 3456. A aplicação em V6 + V12 resultou em uma produtividade 20% superior em Pionner 30F53 e em Pionner 3456 e de 18% em Pionner 2866, porém, não se observou diferença significativa para número de fileiras por espiga e grãos por fileira nos híbridos Pionner 30F53, Pionner 3456 e Pionner 2866.

Houve maior peso de mil grãos com a aplicação de fungicida, independendo do estádio fenológico de aplicação, para os híbridos Pionner 30F53, DKB 240 e Pionner 3456 (Tabela 1).

A aplicação de fungicidas nos diferentes estágios fenológicos nos híbridos DKB 230, 177 não diferiu a testemunha quanto à produtividade. Peso de mil grãos, número de fileiras por espiga e número de grãos por fileira.

Conforme Juliatti et al. (2004), avaliando diferentes ingredientes ativos, épocas de aplicação e híbridos de milho, relata que uma maior produtividade foi alcançada quando realizou-se a aplicação de fungicida, independentemente da época de aplicação, sendo o fungicida azoxystrobin (estrobilurina) o que apresentou maior produtividade.

A ocorrência de doenças e seu impacto sobre a produtividade está estreitamente ligada as
características genéticas da cultura e condições de solo e meteorológicas do local. Neste sentido, os híbridos DKB demonstraram que uma aplicação de fungicida, independendo do estádio fenológico, manteve o potencial produtivo.

Juliatti et al. (2004), ao testar diferentes épocas de aplicação de fungicidas, com uma, duas e três aplicações, relataram comportamento distinto entre os híbridos testados. Dessa forma, os autores observaram que híbridos de maior resistência genética não diferiram quanto ao número e épocas de aplicação, porém todos obtiveram incremento de produtividade com a aplicação de fungicida.

Reis et al. (2016) enumeraram alguns efeitos causados pelo uso de fungicidas, especialmente as estrobilurinas, na fisiologia da planta, sendo que estes interferem desde o incremento de produtividade, até o aumento na atividade da enzima nitrato redutase, redução da respiração e aumento da fotossíntese, redução da produção de etileno e aumento da tolerância a estresses, podendo desta forma trazer efeitos positivos sobre a produtividade da cultura (BECK et al., 2002).

Na análise do retorno econômica por aplicação de fungicida (Figura 1), a aplicação em V6 representou um incremento de R$ 474,42 para o híbrido Pionner 30F53 e de R$ 187,31 para Pionner 2866. Porém, para o híbrido Pionner 3456, a aplicação significou um custo de R$ 59,63, ou seja, não obteve-se retorno financeiro com a aplicação em V6.

Figura 1: Avaliação de retorno financeiro para as aplicações de azoxistrobina (estrubilurina) + tebuconazol (triazol) no estágio V6, V12 e V6 + V12 para os híbridos Pionner 30F53, 3456 e 2866.

Além disso, como exposto pelo trabalho e reforçado por Costa e Cota (2009), existem situações em que as respostas positivas em produtividade, não são suficientes para garantir um retorno econômico. Tais fatores contribuem para que se formem opiniões opostas sobre a utilização e viabilidade econômica dos fungicidas para a cultura do milho.

Conclusão

A aplicação de fungicidas, independentemente dos estágios fenológicos, proporcionou incremento de produtividade para os híbridos Pionner 30F53, 3456 e 2866. Nos híbridos Pionner 30F53, 3456 e 2866, as aplicações de fungicidas trazem em retorno econômico, com exceção da aplicação em V6 para o híbrido Pionner 3456.

Referências

COMPANHIA NAIONAL DE ABASTECIMENTO, Acompanhamento da Safra Brasileira: grãos: Sétimo levantamento: safra 2016/17, 2017, Disponível em: < http://www,conab,gov,br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_05_12_10_37_57_boletim_graos_maio_2017,pdf> Acesso em: 10 jun, 2017,

COSTA, F, M, P, Severidade de Phaeosphaeria maydis e rendimentode grãos de milho (Zea mays L,) em diferentes ambientes e doses de nitrogênio, 2001, 99p, Dissertação (Mestrado) – ESALQ, Piracicaba,

DUARTE, R, P,; JULIATTI, F, C,; FREITAS, P, T, Eficácia de diferentes fungicidas na cultura do milho, Bioscience Journal, Uberlândia, v, 25, n, 4, p, 101-111, July/Aug, 2009, , Disponível em:< http://www,seer,ufu,br/index,php/biosciencejournal/article/view/6966/4614> Acesso em: 10 jun, 2017,

PINTO, N, F, J, A, Controle químico de doenças foliares em milho, Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG, v,3, n,1, p,134-138, 2004, Disponível em:<http://rbms,cnpms,embrapa,br/index,php/ojs/article/view/96/97> Acesso em: 10 jun, 2017,

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: SNDA/DNDV/CLAV. 2009.398 p.

REIS, E. M.; REIS, A. C.; CARMONA, M. A. Manual de fungicidas: Guia para o controle químico racional de doenças de plantas. 7.ed. Passo Fundo: Gráfica e Editora Berthier, 2016.

JULIATTI, F. C. Controle de feosféria, ferrugem comum e cercosporiose pelo uso de resistência genética, fungicidas e épocas de aplicação na cultura do milho. Bioscience Journal, [s.l], v. 20, n. 3, p. 45-54, 2004.

SILVA, F.de A.S.; AZEVEDO, C.A.V. de. Principal components analysis in the software Assistat-Statistical Attendance. In: WORD CONGRESS ON COMPUTERS IN AGRICULTURE, 7, Reno-NV-USA: American Society of Agricultural and Biological Engineers, 2009. <http://www.assistat.com/indexp.html>. Acesso em: 4 Ago. 2016.

HARLAPUR, S. I.; KULKARNI, M. S.; SRIKANT KULKARNI PATIL, B. C. Assessment of crop loss due to turcicum leaf blight caused by Exserohilum turcicum (Pass.) Leonard and Suggs in maize. Indian Phytopathology, New Delhi, v. 62, n. 2, p. 144-154, 2009.

BECK, C.; OERKE, O. C.; DEHNE, H. W. Impact of strobilurins on physiology and yield formation of wheat. Mededelingen Rijksuniversiteit te Gent. Fakulteit van de Landbouwkundige en Toegepaste Biologische Wetenschappen, v. 67, n. 2, p. 181-187, 2002.

Informações dos autores:

Professora Adjunta, Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Erechim.

Acadêmicos do curso de Agronomia; UFFS – Campus Erechim.

Disponível em: Anais da 62ª Reunião Técnica Anual de Pesquisa do Milho e 45ª Reunião Técnica Anual de Pesquisa do Sorgo. 2017 Sertão – RS, Brasil.

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