O trabalho teve por objetivo determinar se o silicato de Mg é uma fonte nutricional magnesiana para a cultura da soja, e se é capaz de melhorar positivamente o desempenho agronômico, alterando, dessa forma, a produtividade.

Autores: MORETTI, L.G.1; CRUSCIOL, C.A.C.1; ROSSI, R.1; MICHERI, P.H.1; BATISTA, F.K.1; VIEIRA, T.S.1, MARICATO, L.D.1; CÔRREA, L.M.1; BATISTA, R.O.1; CHECCO, M.1; ABRAMI, L.S.1; MARCELINO, G.I.1, SILVA, B.S.1; ALBUQUERQUE, J.P.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A adubação magnesiana é frequentemente negligenciada, e sua falta afeta o crescimento de plantas. Muitas funções essenciais requerem sua nutrição adequada, sendo o seu papel mais visível na formação de raízes, clorofila e na fotossíntese. Muitas reações menos visíveis também são dependentes de seu suprimento adequado. Sua deficiência está associada a solos ácidos (sem calagem) e/ou a situações que provocam desequilíbrio, como excesso de adubação potássica (Cakmak; Yazici, 2010).

O silicato de magnésio utilizado no presente estudo é proveniente de uma rocha ígnea (Serpentinito), e é constituído em sua maior parte por olivina (MgFe)2SiO4. A rocha moída serve como matéria prima para a indústria siderúrgica na produção de níquel (Ni). O referido material (MgSiO3) é conhecido como escória de níquel, e tal resíduo contém aproximadamente 40 % de óxido de magnésio (MgO) e 34 % de sílica (SiO2). O trabalho teve por objetivo determinar se o silicato de Mg é uma fonte nutricional magnesiana para a cultura da soja, e se é capaz de melhorar positivamente o desempenho agronômico, alterando, dessa forma, a produtividade.

O experimento foi conduzido em estufa na Fazenda de Ensino Pesquisa e Extensão – Campus Lageado, Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP, em Botucatu-SP, no período de novembro de 2016 a março de 2017. O delineamento utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados (DIC), com 5 doses do insumo, e 5 repetições. O ensaio foi realizado em solo de granulometria de textura argilosa: 602; 117 e 281 g kg-1, respectivamente de argila, silte e areia. A aplicação do silicato de Mg foi realizada 20 dias antes da semeadura da soja [Glycine max (L.) merr.].

Foram conduzidas 3 plantas (TMG 7062 RR) semeadas em vasos de 25 L de solo corrigido (saturação por bases de 70%). Os tratamentos foram constituídos pela testemunha absoluta (0 kg ha-1), e 4 doses do silicato de Mg estipuladas para manter as relações 1/1; 2/1; 3/1 e 4/1 entre Ca/Mg, respectivamente: 3084; 1084; 416 e 84 kg ha-1. A irrigação foi realizada conforme a necessidade e evapotranspiração de referência (ETo). Todos os tratos e manejos fitossanitários foram realizados conforme a necessidade e recomendação para a cultura.

No estádio fenológico R2(Florescimento pleno), foram coletadas folhas + pecíolos, e deste material foi determinado os teores de N, P, K, Ca, Mg, S e Si segundo a metodologia descrita por Malavolta et al. (1997). Neste mesmo momento foram coletadas 2 plantas por vaso para amostragem de massa de matéria seca. As mesmas foram colocadas para secar em estufa de circulação forçada de ar a ± 65ºC por 72 horas. Após isso as amostras foram pesadas e os dados transformados em kg ha-1 de massa de matéria seca produzida, respeitando a população final ha-1 recomendada para a cultivar.

No estádio fenológico R8, foi coletada a planta final para as análises biométricas: altura de plantas e de inserção da primeira vagem, número de ramos e vagens por planta, número de grãos por planta. A massa de 100 grãos foi avaliada, através da contagem de 100 grãos, da produção obtida por cada planta, com posterior pesagem em balança de precisão e correção da pesagem para 13% em base úmida. Para a produtividade de grãos, coletaram-se todos os grãos e corrigiu-se a pesagem para 13% de umidade (base úmida). Os resultados obtidos foram utilizados para o cálculo da produtividade de grãos ha-1, respeitando a população final para a variedade. Os dados foram submetidos ao teste de normalidade de Shapiro – Wilk e, em seguida, à análise de variância – ANOVA pelo teste F (p≤0,05). Para as doses do silicato de Mg foi realizada regressão polinomial.

Na Tabela 01 encontram-se os teores foliares de macronutrientes e silício na cultura. Os teores nutricionais foliares estão na faixa que se considera ideal segundo proposto por Raij et al. (1996), sendo nitrogênio entre 40-54; fósforo entre 2,5-5; potássio entre 17-25; cálcio entre 4-20; magnésio entre 3-10 e enxofre entre 2,1-4,0 g kg-1. Os teores de magnésio e silício foliar tiveram ajustes lineares crescentes em função das doses empregadas. De modo geral, a deficiência de Mg se manifesta em solos derivados de rochas pobres em Mg; solos leves e com pouca matéria orgânica; em plantações velhas sem reposição; altas doses de K (antagonismo); alta variação do regime hídrico; adubação nitrogenada com N-amoniacal e alta relação K/Mg. O Si é classificado como um elemento benéfico para grande parte das culturas, sua deposição pode diminuir as perdas de água através da evapotranspiração e aumento da tolerância às pragas, doenças, metais pesados e alumínio tóxico. Além do que, as plantas se tornam mais eretas e melhoram eficiência fotossintética. Tal elemento também pode estar envolvido em atividades metabólicas ou fisiológicas das plantas sob estresse salino e/ou hídrico (Gunes et al., 2008).

Tabela 01. Valores de F e médias para os teores de macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg e S) e silício (Si) na cultura da soja em função dos tratamentos utilizados. Botucatu, 2016/17.

Na Tabela 02 encontram-se os componentes de produção e produtividade. Observa-se que as variáveis: altura de plantas e de inserção de primeira vagem, número de ramos, número de vagens, e número de grãos por planta não foram influenciados. No entanto, foi constatado efeito significativo e ajuste linear crescente para a massa de 100 grãos, e ajustes quadráticos positivos para a massa de matéria seca de plantas e produtividade de grãos. Todavia, credita-se que o efeito mais pronunciado do Mg foi constatado no enchimento de grãos, com acréscimo de 1,4 g para a massa de 100 gramas entre a menor e maior dose do insumo, interferindo positivamente nos parâmetros produtivos.

Tabela 02. Valores de F e médias para altura de plantas (AP), inserção da primeira vagem (IPV), número de ramos (R), vagens (V), grãos por planta, massa de 100 grãos, massa da matéria seca (MMS) e produtividade de grãos de soja (P), em função dos tratamentos utilizados. Botucatu, 2016/17.

Segundo Cakmak et al. (1994), o magnésio tem várias funções-chave nas plantas. Sendo que um dos principais é a influencia positiva no enchimento de grãos, o qual pode ser devido a sua função no carregamento do floema, pois o acúmulo de carboidratos nas folhas é um fenômeno comum em plantas com sua deficiência, podendo ter de 3,5 a 9 vezes mais sacarose e também podem conter elevados teores de amido e reduzidos teores de açúcares, comparadas às plantas com teores suficientes.


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Assim, esses autores indicam claramente que existe uma inibição severa na exportação de açúcares das folhas deficientes em Mg para o floema, e do floema para os órgãos dreno (grãos), comprovando papel direto proposto por esse ensaio no fornecimento de magnésio para enchimento e consequentemente maiores produtividades de grãos da cultura. O silicato de magnésio é uma fonte nutricional magnesiana e fornecedora de Si para a cultura da soja. É capaz de melhorar positivamente o desempenho agronômico, proporcionando efeitos diretos no estado nutricional, enchimento e produtividade de grãos.

Referências

CAKMAK, I.; HENGELER, C.; MARSCHNER,H. Partitioning of shoot and root dry matter and carbohydrates in bean plants suffering from phosphorus, potassium and magnesium deficiency. Journal of Experimental Botany, v. 45, p. 1245-1250, 1994.

CAKMAK, I.; YAZICI, A.M. Magnésio: um elemento esquecido na produção agrícola. Informações Agronômicas, n. 132, p. 14-16, dez. 2010.

GUNES, A.; PILBEAM, D.J.; INAL, A.; COBAN, S. Influence of silicon on sunflower cultivars under drought stress, in growth, antioxidant mechanisms, and lipid peroxidation. Comunication in Soil Science and plant Analysis, v. 39, n. 13-14, p. 1885-1903, 2008.

MALAVOLTA, E.; VITTI, G.C.; OLIVEIRA, S.A. Avaliação do estado nutricional das plantas. Piracicaba: Associação Brasileira para pesquisa de potassa e do fosfato, 1997. 201 p.

Informações dos autores:  

1Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Faculdade de Ciências Agronômicas – FCA, Botucatu – SP;

2C MAG Fertilizantes, Jaboticabal – SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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