O objetivo deste trabalho é verificar o desempenho de cultivares de soja cultivada sem preparo do solo, na palha da cana-de-açúcar, na região Pontal do Triângulo Mineiro.

Autores:  KANEKO, F.H1.; CARMO, A.L1.; OLIVEIRA, G.F1.; MADEIRA, H.S1.; SANTOS, L.M1.; SANTOS, L.A.M1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O pontal do Triângulo Mineiro, região de divisas com os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, é forte produtor de cana-de-açúcar e também de pecuária em pastagens extensivas. O cultivo de uma mesma espécie ou de uma atividade agropecuária por tempo determinado em uma mesma área caracteriza o sistema de produção de monocultura, o que pode acarretar em problemas fitossanitários e de desestruturação do solo, além de problemas macroeconômicos e sociais (Hirakuri et al., 2012), sem contar que a reforma da cana-de-açúcar é uma prática onerosa, com alto valor de investimento (Mateus et al., 2017).

Diante disso, a busca por alternativas por sistemas mais diversificados é hoje uma necessidade, principalmente para regiões de clima quente e com baixa disponibilidade hídrica como a região pontal do triângulo mineiro, tornando a rotação e sucessão de culturas com plantas produtoras de grãos como a soja (Glycine max L.) boa opção no contexto da sustentabilidade (Borges et al., 2017), garantindo outras fontes de renda ao agricultor, podendo amortizar o custos da reforma do canavial, quebrando ciclos de pragas, doenças e plantas daninhas, produzindo alimentos além de favorecer a reciclagem de nutrientes. Não menos importante, promovendo diversidade econômica para a região.

Dessa forma, a escolha da cultivar de soja é o passo crucial para o adequado estabelecimento da lavoura, podendo ser a diferença entre o sucesso e o fracasso na atividade agrícola, uma vez que determina maiores ou menores níveis de produtividade (Borges et al., 2017). Há inúmeros genótipos de soja recomendadas para o Brasil, mas como na região Pontal do Triângulo Mineiro há pouco histórico de cultivo, é necessário buscar os mais adaptados para as condições locais, suportando solos mais frágeis, temperaturas maiores e tolerando os veranicos que ocorrem mesmo na época “das águas”.


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O objetivo deste trabalho é verificar o desempenho de cultivares de soja cultivada sem preparo do solo, na palha da cana-de-açúcar, na região Pontal do Triângulo Mineiro.

O trabalho foi desenvolvido na safra 2017/18 na fazenda Monte Alto Boldrin I, no município de Iturama MG, em LATOSSOLO VERMELHO textura média, com altitude de 450 m e clima do tipo Aw, em área anteriormente ocupada pela cultura da cana-de-açúcar. Em agosto de 2017 foram realizadas calagem e gessagem. Anteriormente a implantação da cultura da soja, a área foi dessecada com glifosato quando a soqueira da cana apresentava por volta de 50 cm de altura.

A semeadura da soja ocorreu em 21/11/2017 na palha da cana-de-açúcar com semeadora de precisão a vácuo e espaçamento entrelinhas de 0,45 m. A adubação com 200 kg/ha de 09-4300 foi realizada no sulco de semeadura e 30 dias após a semeadura aplicou-se à lanço 200 kg/ha de cloreto de potássio (00-00-60). A inoculação com bactérias fixadoras de N foi realizada no sulco com 5 doses por hectare de inoculante líquido Bradyrhizobium japonicum (Masterfix) através de jato dirigido no sulco de semeadura, adaptado na semeadora. As sementes foram tratadas com Fipronil em dose de 100 ml/100 kg de sementes + 200 ml/100 kg de sementes de Vitavax-thiram e CoMo na dose de 100 ml/100 kg de sementes.

Durante o manejo da cultura, foram realizadas pulverizações com glifosato para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, já para o controle de lagartas, o manejo foi feito com 3 pulverizações de 0,3 l/ha de Diflubenzuron + 1,5 l/ha de metomil além de 2 aplicações de 200 ml/ha de imidacloprid para controle de percevejos e 3 pulverizações com 350 ml/ha de Fluxapiroxade +Piraclostrobin para o manejo de doenças.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com 4 repetições sendo os tratamentos compostos pelas seguintes cultivares de soja: 1 – Seedcorp HO Cristalino Ipro, 2 – BMX Desafio RR, 3- Msoy 6210 Ipro, 4 – Msoy 7739 Ipro, 5 – P 98Y30 RR, 6 – P96Y90 RR, 7- Seedcorp HO Paranaíba Ipro. As unidades experimentais foram compostas por 9 linhas de 4 m.

Foram realizadas as seguintes avaliações: altura de planta (cm) – determinada em 3 plantas por unidade experimental, sendo a distância entre o solo e o último nó superior da planta; altura de inserção da 1ª vagem (cm) – determinada em 3 plantas por unidade experimental, sendo a medida entre a inserção da vagem mais próxima do solo até o solo; número de vagens por planta (vagem/planta) – retirou-se todas as vagens em 3 plantas, e após a contagem, realizou-se a média aritmética; número de grãos por vagem (grãos/vagem) – após a determinação do número de vagens por planta, retirou-se ao acaso 10 vagens por unidade experimental, em seguida realizou-se a contagem da quantidade de grãos, efetuando posteriormente a média aritmética; população final de plantas (plantas/ha )- na ocasião da colheita, realizou-se a contagem da quantidade total de plantas em 2 linhas de 4 m em cada unidade experimental, em seguida os dados foram extrapolados para o total de plantas por hectare; massa de 1000 grãos (g) – após a colheita, realizou-se a contagem de 1000 grãos por unidade experimental, sendo posteriormente determinada a umidade dos grãos, e corrigindo a massa em 13% de umidade em base úmida. Produtividade de grãos (kg/ha): Realizou-se a colheita manual (19/03/2018) em 2 linhas de 4 m em cada unidade experimental. Em seguida as plantas foram secas a pleno sol por 24 h e submetidas a trilha mecânica. Após a determinação da umidade dos grãos, os dados foram corrigidos em 13% em base úmida.

Os valores encontrados foram submetidos à análise de variância (p<0,05) e posteriormente quando o caso, realizado o Teste de Scott Knott (p<0,05) através do programa Sisvar 6.0.

As cultivares de soja apresentaram comportamento diferenciado quanto à altura de plantas (Tabela 01), com maiores valores para a Cristalino e Paranaíba. Já altura de inserção de primeira vagem (Tabela 01), a maior média foi obtida na Cristalino, seguidos da Paranaíba, P98Y30 e M 7739. Já os menores valores foram verificados na P96Y90. Em relação à população final de plantas, na medida do possível tentou-se adequar a população para a recomendação de cada cultivar. No entanto, em função da dificuldade em realizar uma boa semeadura em função do excesso de palha de cana-de-açúcar, a plantabilidade foi prejudicada. A população final de plantas (Tabela 01) oscilou entre valores próximos a 183 mil plantas/ha para a Desafio, em torno de 210 mil plantas/ha para a Cristalino, P98Y30 e P96Y90 e acima de 220 mil plantas por hectare para a Paranaíba e M 6210 (Tabela 01).

Tabela 1. Altura de planta, altura de inserção da 1ª vagem e população final de plantas de soja cultivada em Iturama MG, safra 2017/18.

Não houve diferença significativa (p>0,05) entre as cultivares de soja para o número de vagens por planta e número de grãos por vagem (Tabela 02). Assim, os valores oscilaram entre 48,83 a 79,50 vagens por planta e 2,36 a 2,63 grãos por vagem. Já para a massa de mil grãos (Tabela 02), os maiores valores foram observados nas cultivares M 7739 e P98Y30, seguidos pela Desafio e Paranaíba e posteriormente pela M 6210 e P96Y90.

Tabela 2. Número de vagens por planta, grãos por vagem, massa de 1000 grãos e produtividade de grãos da soja cultivada em Iturama MG, safra 2017/18.

Em relação a produtividade de grãos (Tabela 02), as cultivares Seedcorp Ho Cristalino Ipro, BMX Desafio RR, M 7739 Ipro, P 98Y30 RR e Seedcorp Ho Paranaíba Ipro apresentaram as maiores médias, oscilando entre 4.097 a 4.549 kg/ha. Já as cultivares M 6210 Ipro e P 96Y90 RR apresentaram as menores médias respectivamente. Destaca-se aqui que em função dos problemas de plantabilidade na palha de cana-de-açúcar, a população de plantas em alguns casos não foi a ideal para algumas cultivares, influenciando os valores apresentados neste trabalho.

Referências

BORGES, W.L.B., FREITAS, R.S., MATEUS, G.P., CAZENTINI FILHO, G., TOKUDA, F.S. Desempenho de cultivares de soja em sistema agropastoril no noroeste paulista. Nucleus, 2º Encontro técnico sobre as culturas da soja e do milho no noroeste paulista, 2017.

HIRAKURI, M.H., DEBIASI, H., PROCÓPIO, S.O., FRANCHINI, J.C., CASTRO, C. Sistemas de produção: conceitos e definições no contexto agrícola. Embrapa, Documentos 335, 2012, 14 p.

MATEUS, G.P., ARAUJO, H.S., MULLER, R.V., CRUSCIOL, C.A.C., BORGES, W.L.B. Produção e massa seca de culturas em rotação em diferentes manejos do solo em áreas de reforma de canavial no Oeste Paulista. Nucleus, 2º Encontro técnico sobre as culturas da soja e do milho no noroeste paulista, 2017.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM campus Iturama, Iturama MG.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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