Desempenho de pontas de pulverização no controle de percevejos na cultura da soja

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Este trabalho teve como objetivo valiar a influência de pontas de pulverização hidráulica no controle de percevejos-pragas na cultura da soja em condições de campo.

Autores:  MATHEUS ARTHUR G. L. FARIAS1, JOSÉ LUIS C. DOS S. JÚNIOR1, AGATHA DA S. ARGIOLI1, VICTOR H. KORIN1, EVANDRO P. PRADO2

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO

Nos últimos anos, produtores de soja vêm enfrentando dificuldades em controlar percevejos fitófagos, os quais vêm inferindo em perdas de produtividade na cultura. O trabalho teve como objetivo comparar a eficiência de diferentes pontas hidráulica de pulverização no controle do complexo de percevejos em soja.

O experimento foi realizado no delineamento experimental em blocos casualizados com seis tratamentos (T1: pontas de jato cônico, T2: plano duplo, T3: plano com indução de ar, T4: plano duplo de deriva reduzida, T5: jato plano de faixa ampliada e T6: testemunha) com quatro repetições. O número de insetos adultos e ninfas foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste LSD a 5% de probabilidade.

No geral, verifica-se que a ponta de jato plano duplo DGTJ 11002 teve melhor eficiência de controle de percevejos.

PALAVRAS–CHAVE: Tecnologia de aplicação, manejo de pragas, inseticidas.

PERFORMANCE OF SPRAY NOZZLES ON STINK BUGS CONTROL IN SOYBEAN CROP

ABSTRACT

In recent years, soybean farmers have been experiencing difficulties in controlling phytophagous bugs, which have been inferring losses in productivity in the crop. The objective of this work was to compare the efficiency of different hydraulic spraying nozzles in the control of the stink bug complex in soybean crop. The experiment was carried out in a randomized complete block design with six treatments (T1: cone jet nozzle, T2: double flat fan, T3: air induction flat fan, T4: low drift double flat fan, T5: extended flat fan and T6: control- no insecticide application) with four repetitions.

The numbers of stink bugs (adult and nymphs) were subjected to analysis of variance and the means compared by the LSD test at 5% probability. In general, it is verified that the DGTJ 11002 double flat fan nozzle had better control of stink bugs in soybean crop.

KEYWORDS: Application technology, pest management, insecticides.

INTRODUÇÃO

Entende-se por tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas o emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com o mínimo de contaminação de outras áreas (MATUO, 1998).

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De acordo com Ozeki e Kunz (1998) a cobertura do alvo é o principal fator responsável pela eficiência da aplicação, tornando a escolha da ponta de pulverização, fundamental para obtenção do espectro de gotas adequado.

Existem no mercado inúmeros modelos de pontas de pulverização, porém a maioria dos agricultores tem preferência em utilizar as pontas de jatos planos ou cônicos. Essas pontas, em especial a de jato cônico, oferecem boa cobertura da calda pulverizada, entretanto produzem gotas consideradas finas ou muito finas, sendo propensas a perdas por deriva (PRADO et al. 2010). A soja [Glycine max (L.) Merrill.] é uma cultura atacada por diversos insetospragas.

Dentre os que causam maiores danos, destacam-se as espécies de percevejos fitófagos, causando sérios prejuízos aos sojicultores. Os percevejos estão presentes em todas as regiões produtoras do país e seus danos refletem diretamente na produção e qualidade da semente (RAMIRO et al., 2005).

O método de manejo de percevejos mais utilizado é o controle químico, através da pulverização de inseticidas, tornando a escolha do produto e da tecnologia empregada, fundamentais, uma vez que a eficiência biológica da pulverização é dependente não somente de produtos fitossanitários com ação comprovada, mas também da tecnologia empregada na sua aplicação (CARVALHO; FURLANI JUNIOR, 1999; BALAN et al., 2005).

Este trabalho teve como objetivo valiar a influência de pontas de pulverização hidráulica no controle de percevejos-pragas na cultura da soja em condições de campo.

MATERIAL E MÉTODOS

Características do ensaio: O experimento foi conduzido na área experimental pertencente à Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas da UNESP – Câmpus de Dracena/SP. A soja, (cultivar CD 2728 Ipro), foi semeada no espaçamento de 0,5 m e densidade de 18 ementes m-1 para que proporcione uma população de aproximadamente 300.000 plantas por hectare.

Antes da semeadura as sementes foram submetidas ao tratamento com fungicidas e inseticidas para controle das possíveis pragas e doenças iniciais e inoculadas por Bradyrhizobium. Foi realizada adubação de semeadura na quantidade de 300 kg ha-1 do formulado 08-28-16. A semeadura da soja foi realizada no dia 21/12/2016 e estabelecida à emergência no dia 01/01/2017 em sistema de semeadura direta no solo.

Controle do complexo de percevejos na soja: Para a avaliação do efeito das pontas de pulverização no controle de percevejos na cultura da soja, o ensaio foi realizado no delineamento experimental em blocos casualizados com 6 tratamentos (T1: pontas de jato cônico – TXA 8002 VK; T2: plano duplo – TTJ 60 11002; T3: plano com indução de ar – AIXR 110025; T4: plano duplo de deriva reduzida – DGTJ 11002; T5: jato plano de faixa ampliada – XR 8003 e T6: testemunha sem aplicação) e 4 repetições. Cada parcela possuía 4 m de largura por 5 m de comprimento. As pulverizações foram realizadas através de pulverizador pesquisa (Herbicat®) pressurizado por CO2 equipados com 4 bicos espaçados em 0,5 m regulados para pulverizar um volume de 200 L ha-1.

Utilizou-se o inseticida imidacloprido + beta-ciflutrina (Connect®) na dose de 56,25 + 112,5 g i.a. ha-1. As condições ambientais no momento da aplicação foram: temperatura de 32±2 C, umidade relativa do ar de 55±5 % e velocidade do vento de 6±2 km/k monitoradas através de Termo-higro-anemômetro digital portátil (modelo THAL-300). O monitoramento visando à incidência da população de percevejos pelo pano-de-batida vertical foi realizado semanalmente a partir do início do desenvolvimento de vagens (estádio R3 – Fehr et al., 1971) para detecção do índice de controle.

A aplicação visando o controle dos percevejos foi iniciado a partir do momento em que foi encontrado 1,1 percevejos adulto ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano-de-batida. As avaliações da população dos percevejos foram realizadas aos: 0 (pré-aplicação), 2, 5, 7 e 11 dias após a aplicação (DAA) do inseticida através do método do pano-de-batida vertical com duas amostragens por parcela. Os valores do número de percevejos foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas entre si pelo teste LSD a 5% de probabilidade. A eficiência de controle foi calculada pela fórmula de Abbott (1925).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 1 apresenta o número de percevejo (todas as espécies) em oito amostragens (pano vertical) nas avaliações realizado aos 2, 5, 7 e 11 DAA e soma de todas as avaliações (total) em função da aplicação de inseticida por diferentes pontas de pulverização. A avaliação prévia apresentou população média de percevejos de 1,1 por pano de batida a qual está ligeiramente acima do nível de controle quando a produção é destinada a sementes, justificando a realização da primeira aplicação.

Nas avaliações realizadas aos 2, 5 e 7 DAA não houve diferença significativa entre pontas de pulverização. Já aos 11 DAA, destaca-se a ponta DGTJ 11002, pois obteve menor número de percevejo por amostragem diferenciando significativa do tratamento testemunha e proporcionado eficiência de controle de 84%. Mesmo após a ponta DGTJ 11002 obter maior controle aos 11 DAA, na soma total de todas as avaliações, não houve diferença estatística em relação às demais pontas de pulverização (Tabela 1).

TABELA 1. Número total de percevejo (todas as espécies) por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes pontas de pulverização. Número de percevejos encontrados em oito amostragens (pano-de-batida) por tratamento.

 

A Tabela 2 apresenta valores de ninfas do percevejo verde-pequeno (oito amostragens por tratamento) aos 2, 5, 7 e 11 DAA e em função da aplicação de inseticida com diferentes pontas de pulverização.

TABELA 2. Número de ninfas do percevejo verde-pequeno (Piezodorus guildinii) por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes pontas de pulverização. Número de ano-de-batida) por tratamento.

Em relação ao controle de ninfa do percevejo verde-pequeno, estatisticamente não houve diferença entre pontas de pulverização para o controle da praga. Todas as pontas utilizadas nessa pesquisa tiveram eficiência parecida em todas as avaliações onde diferenças foram observadas entre o tratamento testemunha e os tratamentos que receberam aplicação de inseticida. Na soma de todas as avaliações (total) a ponta TXA 8002 VK, mesmo não diferenciando estatisticamente das outras, observa-se um menor número do percevejo nesse tratamento (Tabela 2). A Tabela 3 apresenta o número de adultos do percevejo verde-pequeno (oito amostragens por tratamento) aos 2, 5, 7 e 11 DAA e em função da aplicação de inseticida com diferentes pontas de pulverização.

Nas avaliações realizadas aos 2 DAA diferenças significativas foram encontradas somente entre os tratamentos que receberam aplicação de inseticida com a testemunha. Aos 5 DAA não houve diferença significativa entre nenhum tratamento. Já na avaliação realizada aos 7 DAA, as pontas TXA 8002 VK, TTJ 60 11002 e DGTJ 11002 apresentaram menores valores de adultos de percevejos diferenciando significativamente da testemunha. Destaca-se a ponta DGTJ 11002, que não foi constatado nenhum percevejo nesta avaliação. Aos 11 DAA não foi verificado diferença significativa entre os tratamentos.

Na soma total das avaliações, as pontas TXA 8002 VK, TTJ 60 11002 e DGTJ 11002 apresentaram os menores valores de percevejos diferenciando significativamente da testemunha. Destaque maior para a ponta DGTJ 11002, que obteve o menor número de percevejo por pano-de-batida em todas as avaliações (Tabela 3).

TABELA 3. Número médio de adultos do percevejo verde-pequeno (P. guildinii) por tratamento em função da aplicação de inseticida por diferentes pontas de pulverização.

CONCLUSÕES

Pelos resultados obtidos nessa pesquisa, conclui-se de forma geral que a ponta de pulverização DGTJ 11002 obteve melhor controle do complexo de percevejos em especial P. guildinii a cultura da soja.

REFERÊNCIAS

ABBOTT, W.S. A method for computing the effectiveness of an insecticide. J. Econ. Entomol. V.18,p.265–266, 1925.

MATUO, T. Fundamentos da tecnologia de aplicação de agrotóxicos. In: GUEDES, J. V. C.; DORNELES, S. H. B. (Org.) Tecnologia e segurança na aplicação de agrotóxicos: novas tecnologias. Santa Maria: Departamento de Defesa Sanitária: Sociedade de Agronomia de Santa Maria, 1998.

RAMIRO, Z.A.; BATISTA FILHO, A.; CINTRA, E.R.R. Eficiência do inseticida actara mix 110 + 220 CE (thiamethoxam + cipermetrina) no controle de percevejos praga da soja. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.72, n.2, p.235-243, 2005.

OZEKI, Y.; KUNZ, R. P. Tecnologia de aplicação aérea – aspectos práticos. In: GUEDES, J. V. C.; DORNELLES, S. H. B. Tecnologia e segurança na aplicação de agrotóxicos. Santa Maria: Departamento de Defesa Fitossanitária; Sociedade de Agronomia de Santa Maria, 1998. p. 65-78.

CARVALHO, W. P. A.; FURLANI JUNIOR, J. A. Estudo comparativo entre coletores para determinação do DMV e coeficiente de dispersão a amostragem de gotas em aplicações de produtos líquidos. Energia na Agricultura, Botucatu, v. 12, n. 1, p. 28-37, 1999.

BALAN, M. G.; ABI-SAAB, O. J. G.; SILVA, C. G.; RIO, A. Pulverização em alvos artificiais: avaliação com o uso do software conta-gotas. Ciência Rural, Santa Maria, v. 35, n. 4, p. 916-919, 2005.

PRADO, E.P. et al. Velocidade do fluxo de ar em barra de pulverização no controle químico de Anticarsia gemmatalis, Hübner e percevejos na cultura da soja. Bragantia, p. 995-1004, 2010.

Informações do autores:     

1 Discente do curso de Engenharia Agronômica da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, UNESP, Dracena/SP – Brasil;

2 Engenheiro Agrônomo, Professor Assistente Doutor, Curso de Engenharia Agronômica da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas,UNESP, Dracena/SP.

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas  – SP, Brasil.

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