Diagnose foliar em densidades populacionais de milho tratadas com fungicidas

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Este trabalho teve por objetivo avaliar o uso de moléculas do grupo químico das estrubirulinas com efeitos secundários na fisiologia das plantas para diminuir os efeitos negativos da competição intraespecífica por fatores do meio principalmente em altas densidades populacionais

Autores: Elizeu L. Brachtvogel1; Andre Luis Sodre Fernandes2; Simério C. S. Cruz3; Francisco R. S. Pereira4; Magno L. de Abreu5

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

A introdução de híbridos, o incremento na utilização de fertilizantes, novos herbicidas para controle de plantas daninhas, entre outros fatores, estimulam o incremento das densidades de plantio. Este trabalho teve por objetivo avaliar o uso de moléculas do grupo químico das estrubirulinas com efeitos secundários na fisiologia das plantas para diminuir os efeitos negativos da competição intraespecífica por fatores do meio principalmente em altas densidades populacionais.

O ensaio foi conduzido em área de Nitossolo Vermelho distroférrico, de textura argilosa situada na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP/Campus de Botucatu, na safra 2008/2009.

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, em esquema fatorial 4 X 3 (quatro repetições), em parcelas de 5 linhas espaçadas a 0,80 m x 18 m de comprimento. Foram avaliadas características agronômicas número de fileiras, massa e número de grãos por espiga e índice de espiga, com os dados submetidos à análise de variância pelo teste F.

Todos os parâmetros avaliados foram influenciados pelas populações testadas, ao contrário da aplicação/uso de fungicidas, para os quais não foram detectadas diferenças significativas pelo teste F.

Pode-se concluir que, nas condições que o ensaio foi instalado e conduzido, os componentes da produção e a produtividade de plantas de milho são influenciadas pela densidade populacional, sem contribuições significativas da aplicação de fungicidas para os parâmetros estudados

Termos de indexação: Zea mays; Componentes de produção; Densidade de plantas.

INTRODUÇÃO

A introdução de híbridos, o incremento na utilização de fertilizantes, novos herbicidas para controle de plantas daninhas, entre outros fatores, estimulam o incremento das densidades de plantio. Isso se deve ao fato de que os híbridos modernos são em geral mais precoces, apresentarem menor estatura, folhas menores, menor área foliar por planta e melhor penetração de luz dentro do dossel da cultura.

Isso comprova que as alterações no arranjo de plantas em milho surgiram frente a uma necessidade imposta pelas modificações de ordem genética, fisiológica, bioquímica e anatômica incorporadas pelos programas de melhoramento nas últimas décadas (SANGOI, 2001).

Juntamente a este, a utilização de incremento na população de plantas associado à redução de espaçamento aumenta a incidência de doenças foliares, de colmo e de espiga na cultura do milho (CASA; REIS, 2003). Com densidades elevadas, há menor circulação de ar no interior do dossel, o que favorece um período mais prolongado de deposição de orvalho nas folhas, estimulando a germinação de esporos de fungos que ocasionam doenças foliares, principalmente daqueles que são exigentes em período de molhamento (SANGOI et al., 2002).

Altas populações impõem restrições à atividade fotossintética das folhas, e a limitação imposta induz o colmo a redirecionar fotoassimilados em maior quantidade ao enchimento de grãos, fragilizando-o e facilitando a ocorrência de podridões (SANGOI et al., 2001). Diversos patógenos responsáveis por podridões de colmo podem migrar para a espiga, favorecendo a ocorrência de grãos ardidos (RIBEIRO et al., 2005). Diante disso o controle químico principalmente das doenças fúngicas vem ganhando espaço no manejo atual da cultura do milho.

Além disso, com a descoberta de novas moléculas fungicidas, tem sido verificado para algumas culturas que certas moléculas principalmente do grupo químico das estrubirulinas tem demonstrado aumento de produtividade não somente pelo controle das doenças incidentes, mas também por efeitos secundários na fisiologia das plantas cultivadas, o qual tem sido atribuído o aumento da fotossíntese líquida e da atividade da enzima nitrato-redutase, combinado com a diminuição da produção do etileno (VENANCIO et al., 2003; KÖEHLE et al., 2002; GLAAB & KAISER, 1999).

No entanto, ainda não se tem dados específicos sobre o efeito desse fungicida na cultura do milho, principalmente em condições de aumento do estresse de aumento da competição intraespecífica, conseqüência do uso de crescentes densidades populacionais cada vez mais empregadas na cultura do milho atualmente.

Tendo em vista os aspectos mencionados acima, este trabalho foi realizado tendo como hipótese de que o uso destes produtos com efeitos secundários na fisiologia das plantas possa diminuir os efeitos negativos da competição intraespecífica por fatores do meio principalmente em altas densidades populacionais. Portanto, o objetivo deste trabalho é avaliar a resposta de variáveis agronômicas e rendimento de grãos de milho híbrido com a aplicação de um fungicida do grupo químico das estrubirulinas, um do grupo químico dos triazóis e uma testemunha sem aplicação em populações de 40000, 60000, 80000, 100000 plantas ha-1.

MATÉRIAS E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido em área de Nitossolo Vermelho distroférrico, de textura argilosa situada na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP/Campus de Botucatu, na safra 2008/2009. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, em esquema fatorial 4 X 3 (quatro repetições), em parcelas de 5 linhas espaçadas a 0,80 m x 18 m de comprimento. Foi utilizado o híbrido de milho 2B587, cujas características são: precocidade de ciclo, porte baixo, arquitetura de folhas normal e grãos de colororação amarelo alaranjada com textura semidentada.

Foram aplicados um fungicida à base do i.a. tebuconazole, para quantificar danos ocasionados por eventuais doenças, e a aplicação de produto fungicida à base do i.a. piraclostrobina, para verificar eventuais efeitos secundários na fisiologia da planta, e uma testemunha absoluta sem aplicação de fungicida, nos estádios V15 e R1, por meio de pulverizador de barra tratorizado adaptado especialmente para as condições do ensaio, nas doses de 150 g i. a. ha-1 de i. a. e volume de calda de 200 L ha-1 em cada aplicação.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Foram avaliadas características agronômicas número de fileiras, massa e número de grãos por espiga e índice de espiga, com os dados submetidos à análise de variância pelo teste F. Como não houve interação entre os fatores testados, procedeu-se com teste de média para médias dos fungicidas testados, e para populações, análise de regressão, calculada para equações lineares e quadráticas. Foram aceitas apenas as equações significativas a 1 (**) e 5 (*) % de probabilidade pelo teste F, escolhida a equação com o maior coeficiente de determinação (R2) nos casos em que ambas apresentaram significância. Estes resultados encontram-se resumidos na Tabela 1.

Tabela 1 – Resumo da análise de variância de número de fileiras (NF), massa (MGE) e número de grãos por espiga (NGE), e índice de espiga (IE) em milho híbrido DOW2B587, safra 2008/09.

Todos os parâmetros avaliados foram influenciados pelas populações testadas, ao contrário da aplicação/uso de fungicidas, para os quais não foram detectadas diferenças significativas pelo teste F. O desmembramento dos graus de liberdade de populações em regressões do tipo linear e quadrática detectou que os parâmetros número de fileiras, massa e número de grãos por espiga ajustam-se ao modelo linear somente, e o parâmetro e índice de espiga se ajustam tanto para regressões do tipo quadrática e linear. Neste caso, todas as regressões que possuíam maior coeficiente de correlação foram as do tipo quadrática, as quais se encontram graficamente representadas na Figura 1.

Figura 1. Efeito nos parâmetros número de fileiras de grãos, massa de grãos por espiga, número de grãos por espiga e índice de espiga, em resposta a populações de milho híbrido DAS 2B587 cultivado na safra 2008/09 com aplicação de três fungicidas. Botucatu (SP),
2010.

Quanto ao número médio de fileiras de grãos por espiga, a mesma decresceu de forma linear com o aumento da população de plantas (Figura 1). Os dados obtidos corroboram com os obtidos por Brachtvogel et al. (2009), onde se observou que à medida que se elevou a densidade de plantas, o número de fileiras de grãos diminui. Entretanto, Marchão et al. (2004) obtiveram resultados contrários aos obtidos neste experimento, pois os autores chegaram à conclusão que o número de fileiras de grãos não foi influenciado pelo aumento na densidade de semeadura.

Quanto à massa de grãos por espiga, também houve decréscimo linear com o aumento da população, (Figura 1), a qual concorda com os dados obtidos por Revoredo e Cazetta (2006) e Pinotti (2003), ambos em populações compreendidas entre 30000 e 90000 plantas ha-1.

O número de grãos por espiga também seguiu a tendência de decréscimo com o aumento da população (Figura 1). A diminuição do número de grãos por espiga com o incremento da população de plantas é relatada com certa freqüência na literatura (REVOREDO; CAZETTA 2006; PALHARES, 2003), independentemente do híbrido (SANGOI et al., 2005), e do espaçamento entre linhas (PALHARES, 2003).

O índice de espigas foi sensivelmente afetado pelas populações de plantas testadas, não sendo influenciado pelos fungicidas testados (Tabela 1). O índice de prolificidade é um importante indicativo da capacidade dos híbridos modernos em suportar maiores populações, sem diminuir acentuadamente a emissão e manutenção das espigas (ALMEIDA et al., 2000).

Conforme demonstra a Figura 1, houve decréscimo do número de espigas por planta à medida que se elevou a população de plantas. Dados semelhantes foram encontrados por Pereira Filho et al. (1991), Cruz et al. (1994), Barbosa (1995), Argenta et al. (2001), Flesch e Vieira (2004), que trabalharam com diferentes híbridos e obtiveram redução do índice de prolificidade com o aumento de plantas. Outros autores, trabalhando com diferentes híbridos em diferentes locais e anos, também não encontraram variação do índice de espiga com a redução do espaçamento (CARVALHO, 2007; FLESCH; VIEIRA, 2004; SANGOI et al., 2001).

CONCLUSÃO

Todos os parâmetros avaliados foram influenciados pelas populações testadas, ao contrário da aplicação/uso de fungicidas. De maneira geral, com o aumento da população, há diminuição do número de fileiras, número e massa de grãos por espiga e de espigas por planta. Pode-se concluir que, nas condições que o ensaio foi instalado e conduzido, os componentes da produção e a produtividade de plantas de milho são influenciadas pela densidade populacional, sem contribuições significativas da aplicação de fungicidas para os parâmetros estudados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ARGENTA, G, SILVA, P. R F. da; SANGOI, L. Arranjo de plantas em milho: análise do estado-da-arte. Ciência Rural, Santa Maria, v. 31, n. 6, p 1075-1084, 2001.

BARBOSA, J.A. Influência de espaçamento e arquitetura foliar no rendimento de grãos e outras características agronômicas do milho. (Zea mavs L.). 1995, 48 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura de Lavras, Lavras, 1995.

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CARVALHO, I. Q. Espaçamento entre fileira e população de plantas em milho. 2007. 118f. Dissertação (Mestrado em

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CRUZ, J. C. et al. Resposta de cultivares de milho a variação em espaçamento e densidade. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 25., 2004, Cuiabá. Resumos… Cuiabá: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2004. l CD-ROM.

FLESCH, R. D.; VIEIRA, L. C. Espaçamentos e densidades de milho com diferentes ciclos no oeste de Santa Catarina, Brasil. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 1, p. 25-31, 2004.

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VENÂNCIO, W.S. et al. Physiological effects of strobilurin fungicides on plants. Publicatio UEPG, Ponta Grossa, v.9, n.3, p.59-68, 2003.

Informações dos autores:  

1Prof. IFMT/Confresa;.

2Acadêmico do curso de Bacharelado em Agronomia no Instituto Federal do Mato Grosso – Campus Confresa;

3Prof. UFG/Jataí;

4Prof. IFAL/Rio Largo;

5Prof. IFAL/Santana do Ipanema.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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