No interior do Paraná, Johann Bartz busca – e encontra – soluções para um bom e produtivo convívio com a natureza de sua propriedade. É assim que chega a quase 90 sacas de soja por hectare.

Da Redação FEBRAPDP

Johann Bartz

Entender o que se está fazendo é, muito provavelmente, o caminho mais direto para se chegar onde se deseja. O que, não necessariamente, quer dizer que seja a via mais fácil. Johann Bartz, filho de Herbert Bartz, um dos pioneiros do Sistema Plantio Direto no Brasil, está tentando esse sutil entendimento, assim como muitos produtores Brasil afora. Em seus “diálogos” com a natureza da propriedade que arrenda de seu pai em Grandes Rios, no Paraná, tenta entender o que ela quer para lhe dar as respostas que tanto espera.

Em 2018, ela parece ter ouvido e respondeu com uma produtividade de 87,5 sacas de soja por hectare em quase um quarto da área plantada. Sinal de que o diálogo pode estar sendo entabulado. Na área total plantada, de 200 hectares, Johann, que é engenheiro agrônomo, usa todo o conhecimento adquirido na universidade, no convívio com seu pai e que ainda vem adquirindo em cursos pontuais, como o de Manejo Integrado de Pragas (MIP), que fez recentemente numa entidade da região. Tudo focado em processos que vão lhe permitir o acesso a um entendimento que vai além das técnicas e “receitas prontas”, como ele costuma dizer, citando o saudoso Dirceu Gassen.

Seu dia a dia é observar as flutuantes especificidades da natureza que envolve a fazenda e, por tabela, seu sistema de produção. Na última safra, por exemplo, fez apenas uma única aplicação de inseticida contra percevejo e, ainda assim, somente em 36% da área. “É necessário que haja sustentabilidade econômica e ambiental”, afirma.

A propriedade foi adquirida há cerca de 10 anos. Os solos mais arenosos e mais leves do que a terra roxa de Rolândia, PR, com as quais estava acostumado a lidar, davam ideia de que seria mais fácil. Mas as primeiras chuvas trouxeram o rápido encharcamento do solo. “Com o encharcamento comecei a ter certos problemas que não conhecia. Os solos saturavam muito fácil. Chuvas abundantes de três ou quatro dias pós plantio, representam perda de área. Fomos apanhando para aprender”.


 


Segundo ele, o primeiro grande desafio foi estabelecer uma população boa. Para chegar a um plantio de qualidade, passou a estudar resultados de pesquisa e o que outros produtores faziam. Foi quando optou por fazer adubação a lanço e o chamado plantio invisível. E os resultados de germinação melhoraram. Basicamente, a operação de plantio se tornou mais rápida e eficiente, permitindo que plantasse em janelas menores de tempo.

“Optei também por plantar na macega ainda verde, sem dessecar. O que serviu, principalmente, para minorar os efeitos das fortes chuvas que lavavam solo, sementes e nutrientes da adubação. Isso permitiu um bom estabelecimento das plantas, o que já é um passo importante para chegar a bons resultados no final”, explica.

Planejamento de safra e escolha dos materiais de acordo com as características específicas de sua propriedade são outros pontos importantes da estratégia de Johann, que utiliza soja de ciclo médio, geralmente variedades argentinas ideais para solos mais úmidos. E assim, mesmo em solos mais arenosos, tem chegado a produtividades melhores que as obtidas em solos de terra roxa.

Na adubação usa anualmente calcário de alta solubilidade; fósforo entra em função da extração feita pelas plantas e tentando elevar um pouco a fertilidade; potássio vai de acordo com a cultura. Curiosamente, tem atrasado entre 45/50 dias um pouco a aplicação do potássio para não perder com as chuvas. O que descobriu ser muito vantajoso ao contar com a sorte quando, certa vez, atrasou a aplicação pelo excesso de chuvas. Descobriu também que parcelar a aplicação do potássio é uma boa alternativa. “Como diz meu pai, não existe um ano igual ao outro na agricultura. Cada ano traz uma surpresa nova”, lembra.

Johann conta que não tem equipamentos extremamente modernos, mas procura fazer o melhor possível com o que tem. Cuida de todos os detalhes da operação: velocidade que dê uma boa plantabilidade, aplicação na época certa, no horário certo, com a umidade certa, regulagem de bico, etc. Tudo para que o ato de plantar seja bem feito. O resto ele vai adequando.

Zebra

Johann não está fazendo o milho safrinha porque, segundo ele essa lavoura torna-se de alto risco e acaba deixando a soja também em situação de alto risco. Ele acredita que ao optar por plantar a soja cedo, numa condição adversa, apenas para dar tempo de fazer o milho safrinha e, talvez, ganhar alguma coisa com ele, é arriscado. O encharcamento do milho em seu período inicial é ainda pior para o milho e sua produtividade. Por isso, prefere apostar mais nas culturas de inverno para alimentar o gado. Usa cobertura como milheto, aveia preta e aveia branca, e estão testando braquiária e sorgo forrageiro. Tudo vai depender do que conjugar ser mais interessante para a comercialização, para o solo e, principalmente, para o que vai melhorar as condições para a soja, seu carro-chefe.

Segundo ele é preciso ter abertura para as tecnologias e também consciência das especificidades da propriedade. Isso é determinante em sua opinião. “Meu caso é muito particular. Estou numa região pequena com um solo bem diferenciado. Tenho que estar aberto à inovação, a experimentar, a imaginar. Uns dizem até que sou meio louco, ao optar, por exemplo, por ações como plantar sem dessecar. De início, os vizinhos acham que não vai dar certo. Já ouvi: ‘xiii, isso vai dar uma zebra!’, mas depois passam a querer saber o que foi feito. Geralmente perguntando qual foi a semente que usei, imaginando que exista semente milagrosa. Mas é o conjunto que faz a diferença”.


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Para Johann existe uma ciência por trás de tudo, que envolve muitos fatores e tem necessariamente que ser observada. “É tanta coisa que não gostaria nem de estar falando sobre isso, pois a situação de cada um é específica. O que serve para mim pode não servir para meu vizinho. As situações mudam dentro da minha própria fazenda. Não existe receita de bolo. Nenhuma faculdade prepara você para isso. Cheguei aqui com minha experiência de plantio em Mato Grosso, e logo no primeiro plantio, vi que tudo seria bem diferente”, conta.

Interpretação

O diálogo constante com a natureza é provavelmente a grande arte do agricultor. Como não há como reproduzir a natureza, o quanto mais conseguir imitar e tê-la a seu lado, melhor. Preservar a diversidade biológica de organismos, como os predadores e tudo mais, conservar o solo, protegido da erosão e do sol, são alguns desses pontos.

“Por mais que a agricultura tenha a sua parte lógica, matemática. A natureza é uma ciência biológica, não é exata. Ainda que a informática esteja nos ajudando cada dia mais, eu acredito que seja muito difícil que algum dia, algum robô possa vir a ter uma interpretação mais sensível para olhar e ver o que precisa ser feito”, finaliza.

Fonte: Redação FEBRAPDP
Texto originalmente publicado em:
FEBRAPDP
Autor: FEBRAPDP

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