Diferentes fungicidas aplicados no estádio vegetativo para o controle de Ferrugem da Soja

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O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia dos programas de aplicação com diferentes fungicidas na fase vegetativa da soja no manejo de ferrugem da soja.

Autores: KAJIHARA, L.H.1; GUARNIERI, C.C.O.1; PAES JUNIOR, R.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A cadeia produtiva de soja representa um importante segmento na economia nacional gerando novos empregos, fontes de renda e melhorias na qualidade de serviços.

A ferrugem-asiática continua trazendo grande preocupação aos produtores, pois é uma doença agressiva e avassaladora podendo ocorrer em qualquer fase da cultura da soja, reduzindo o potencial produtivo da lavoura.

Por este fato, aplicações preventivas podem apresentar melhores resultados, atingindo a fase reprodutiva com elevados níveis de sanidade para o complexo de doenças, possibilitando a melhor performance dos fungicidas aplicados na fase reprodutiva (redução e retardamento da fonte de inóculo), evitando, assim, aplicações curativas com baixas eficiências e ainda minimizando problemas de perdas da sensibilidade do fungo aos fungicidas.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia dos programas de aplicação com diferentes fungicidas na fase vegetativa da soja no manejo de ferrugem da soja.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da Rotam, Artur Nogueira, SP, safra 2015/2016, com a cultivar NS7200 RR, semeada em 05 de novembro de 2015, 15 sementes por metro linear, espaçamento de 0,5 m, sistema plantio direto em palhada de milho.

Os tratos culturais (tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas, adubação de base, aplicação de herbicidas e inseticidas) foram realizados conforme padrão local. O delineamento experimental foi de bloco ao acaso, com cinco tratamentos e cinco repetições. Cada parcela foi constituída de 3 m de largura por 5 m de comprimento, totalizando 15 m2.

Foram realizadas quatro aplicações, sendo a primeira no V5, em seguida R1, R3 e R5 (Tabela 1). Em todas as aplicações foi utilizado 0,5% v/v de Assist. Para aplicação dos produtos foi utilizado pulverizador costal pressurizado com CO2, barra com 6 pontas espaçadas de 0,5 m, ponta do tipo leque XR Teejet 110.02 e volume de calda de 200 L.ha-1.

Tabela 1. Tratamentos e doses dos fungicidas utilizados em cada estádio fenológico de soja para o controlede doenças em soja. Artur Nogueira, SP, safra 2015/2016.

Para avaliar a severidade de ferrugem da soja foi utilizada a escala proposta por Godoy et al. (2006). Essa avaliação foi realizada em quatro pontos nas linhas centrais de cada parcela, nos terços médio e superior das plantas, no total de 8 folíolos por parcela. Com os valores de severidade média de ferrugem de cada parcela calculou-se a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) (CAMPBELL; MADDEN, 1990).

A escala proposta por Soares et al. (2009) foi utilizada para avaliar a severidade da mancha-alvo. Essa avaliação foi realizada em quatro pontos nas linhas centrais de cada parcela, nos terços médio e superior das plantas, no total de 8 folíolos por parcela. Com os valores de severidade média de mancha-alvo de cada parcela calculou-se a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) (CAMPBELL; MADDEN, 1990).

Foram avaliados alguns caracteres da soja: diâmetro do caule, número de nós/planta, número de vagens/planta, peso fresco de folhas/planta, peso de 1000 sementes, % de desfolha e produtividade.

As plantas foram colhidas quando atingiram o estádio R8 de desenvolvimento (FEHR et al., 1971), em 2 m2 por parcela, quando os grãos estavam com grau de umidade abaixo de 15 % (base úmida). Após a colheita, os grãos de soja foram debulhados das vagens em máquina trilhadora estacionária, limpos com o auxílio de peneiras e acondicionados em sacos de papel. Partindo-se do rendimento de grãos nas parcelas, foram calculadas as produtividades em kg ha-1. Os dados de produtividade foram corrigidos para 13% de umidade (base úmida).

Os dados foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste Tukey (p<0,05) através do software ARM9.1.0.

Resultados e Discussão

Ao avaliar a AACPD da ferrugem da soja, verificou-se que todos os fungicidas diferiram estatisticamente da testemunha (Tabela 2). No entanto, entre os fungicidas testados, menores níveis da doença foram observados nos tratamentos 2 e 4, onde atingiram 83,2 e 82,1% de eficácia, respectivamente.

Tabela 2. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) de ferrugem e mancha-alvo, eficácia dos tratamentos (%), peso de 1000 sementes (g), produtividade (sc.ha-1) e ganho relativo (GR), Artur Nogueira, SP, safra 2015/2016.

Em se tratando de mancha-alvo, todos os tratamentos diferiram estatisticamente da testemunha, com destaque para o tratamento 2, no qual atingiu 82,3% de controle (Tabela 2).

O tratamento 2 diferiu estatisticamente da testemunha apresentando maior diâmetro de caule, maior número de nós/planta, maior número de vagens/planta, maior peso fresco de folhas/planta e menor % de desfolha (Tabela 3). Todos esses parâmetros avaliados demonstraram o potencial produtivo de cada tratamento testado.

Tabela 3. Diâmetro de caule (cm), número de nós/planta, número de vagens/planta, peso de vagens/ planta (g), peso fresco de folhas/planta (g),% de desfolha, Artur Nogueira, SP, safra 2015/2016.

No caso de rendimento, o tratamento 2 mostrou um incremento de 14,8 sc.ha-1 em relação à testemunha, sendo superior aos demais tratamentos (Tabela 2).

Conclusão

O fungicida Tebuzim 250 SC na dose de 1,0 L/ha, contribuiu na redução da severidade da ferrugem da soja, mancha-alvo e aumento de produtividade quando aplicado no estádio vegetativo (V5);

Além disso, o fungicida Tebuzim 250 SC promoveu aumento no diâmetro do caule, número de vagens/planta, peso de vagens/planta, peso fresco de folhas/planta, peso de 1000 sementes e redução na porcentagem de desfolha.

Referências

CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L.V. Introduction to plant disease epidemiology. New York: John Willey, 1990. 532p.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E.; BURMOOD, D.T.; PENNINGTON, J.S. Stage of development descriptions for soybeans, Glycine max (L.) Merril. Crop Science, v.11, n.6, p.929-931, 1971.

GODOY, C.V.; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagramatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.1, p.63-68, 2006.

SOARES, R.M.; GODOY, C.V.; OLIVEIRA, M.C.N. de. Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha alvo da soja. Tropical Plant Pathology, v.34, n.5, p.333-338, 2009.

Informações dos autores:

1Rotam do Brasil, Rua Siqueira Campos, 125, Distrito de Souzas, CEP 13106-006, Campinas-SP.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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