O presente trabalho teve como objetivo verificar se diferentes fungicidas aplicados nos estádios de V4 a V5 pode influenciar no controle de Ferrugem Asiática e com isso as deixando as plantas sadias do início ao final.

Autores: MUTTA, F.T.T.1; KATO, D.S.1, BELLETTINI, R.2; MEGDA, F.F.1, PEREIRA, R.A.1; FIGUEIRA, M.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

As cultivares de soja utilizadas pelos produtores tem excelentes potenciais produtivos, porem existem vários fatores que podem ocasionar a redução desses potenciais, o fator de maior importância devido aos seus danos é a Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi), a aplicação preventiva de fungicidas é a forma de controle mais utilizada.

Porem a aplicação nos estádios vegetativos da soja não é uma aplicação largamente utilizada devido as dúvidas que se essa aplicação pode influenciar no controle de ferrugem desde o início.

O presente trabalho teve como objetivo verificar se diferentes fungicidas aplicados nos estádios de V4 a V5 pode influenciar no controle de Ferrugem Asiática e com isso as deixando as plantas sadias do início ao final.

O experimento foi conduzido na Fazenda Igashibara em Mauá da Serra, PR, durante a safra 2016/2017. O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho distroférrico. A cultivar semeada foi Brasmax Garra IPRO, com semeadura realizada dia 26/12/16, com adubação de base foi realizada seguindo recomendação agronômica após análise de solo. O controle de ervas daninhas e pragas foram também seguindo recomendações agronômicas para que não se houvesse interferência nos dados a serem estudados.

O delineamento experimental utilizado foi blocos inteiramente casualizados, com quatro repetições e as parcelas foram constituídas de 5,0 m de comprimento e 3,0 m de largura, totalizando 15 m2, sendo a área útil das parcelas eram de 5,4 m2 (4 m de comprimento por 1,35 m de largura).

Os tratamentos testados no presente trabalho foram 1) Testemunha; 2) Sem aplicação em V4; 3) Priori Xtra 0,3 lt/ha + Nimbus 0,5 % v/v; 4) Unizeb Glory 1,5 kg/ha + Agris 0,5 % v/v; 5) Score Flexi 0,15 lt/ha; 6) Opera 0,5 lt/ha; 7) Aproach Prima 0,3 lt/ha + Nimbus 0,5 % v/v, todos esses tratamentos aplicados em V4. Foram realizadas mais quatro aplicações nos tratamentos 2, 3, 4, 5, 6 e 7, porem essas aplicações foram patrões para todos esses tratamentos, sendo aplicados os seguintes produtos Fox 0,4 lt/ha + Áureo 0,25 % v/v em V7, Elatus 0,2 kg/ha + Nimbus 0,5 % v/v em R1, Ativum 0,8 lt/ha em R4 e Aproach Prima 0,3 lt/ha + Unizeb Gold 2,0 kg/ha + Nimbus 0,5 % v/v em R5.5. As aplicações foram realizadas com pulverizador costal pressurizado por CO2, com barra de 3,0 m de largura, vazão de 150 l/ha, pontas Teejet XR 11015, pressão constante de 2,0 kgf/cm2 e espaçamento entre pontas de 50 cm.

Avaliações foliares, foram realizadas a cada prévia de aplicações e a cada 07 dias após a última aplicação, sendo utilizada escala diagramática proposta por Godoy et al., 2006. Foram avaliados 10 folíolos do terço médio das plantas que estavam presentes dentro da área útil de cada parcela. Com esses valores é possível calcularmos a severidade média e a AACPD. A produtividade de cada parcela foi realizada através da colheita total das plantas que estavam dentro da área útil de cada parcela, com isso gerada os valores de produtividade.

A ocorrência de ferrugem asiática foi identificada a partir da avaliação prévia da terceira aplicação, estando no estádio as plantas em R4, sendo encontradas pústulas nas parcelas da Testemunha e nas do tratamento 2 que não tinham recebido aplicações no estádio vegetativo, a severidade média foi de 6,49 na testemunha e 5,61 para o tratamento 2.

Nas demais avaliações tivemos a presença de ferrugem em todos os tratamentos, porem como era esperando a testemunha alcançou os maiores valores de severidade do ensaio chegando a 73,25 de severidade média na última avaliação. O tratamento 2 que não recebeu aplicação de V4, também teve uma alta severidade chegando a 41,98 de média no final. Nos tratamentos que receberam aplicação em V4 tivemos os melhores resultados nas médias de severidade, não havendo grandes diferenças entre os tratamentos, o destaque ficou para Unizeb Glory a 1,5 kg/ha que obteve uma média final de 19,96 de severidade. Os resultados podem ser observados na Tabela 1.

Tabela 1. Médias das severidades de Ferrugem Asiática, na avaliação realizada em R6, AACPD e controle, cultivar Brasmax Garra IPRO, Mauá da Serra, PR, 2017.

Os resultados de produtividade seguiram a mesma tendência dos resultados de severidade, com uma menor produtividade na testemunha que obteve 47,27 sc/ha, seguida pelo tratamento 2 (sem aplicação no estádio vegetativo) com 61,49 sc/ha. Dentre os que receberam a aplicação no vegetativo as produtividades foram muito parecidas e novamente o destaque ficou para Unizeb Glory a alcançando uma produtividade média de 67,37 sc/ha. No peso de mil sementes a testemunha foi a única que se diferiu dos outros tratamentos.

Tabela 2. Médias de produtividade (sc/ha), acréscimo na produtividade em relação a testemunha e o peso de mil sementes (PMS) (g), cultivar Brasmax Garra IPRO, Mauá da Serra, PR, 2017.


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Sendo assim é possível concluir que a aplicação de fungicidas para controle de ferrugem asiática é viável pois os tratamentos que receberam fungicidas obtiveram melhores resultados de severidade, produtividade e peso de mil sementes, todas essas variáveis diferiram estatisticamente da testemunha. Quando analisamos os tratamentos que receberam fungicidas, foi possível observar que os tratamentos que receberam fungicidas no estádio V4 foram superiores nas variáveis analisadas ao tratamento que não recebeu aplicação, somente recebendo aplicação em V7. Dentre os tratamentos que receberam aplicação em V4, todos os fungicidas testados controlaram e consequentemente produziram melhor que a testemunha e o tratamento que não recebeu fungicidas em V4, destes o que mais se destacou foi o Unizeb Glory entre todas as variáveis.

Referências

GODOY, C.V.; KOGA, L.J, CANTERI, M.G. Escala diagramática para avaliação de severidade da soja. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.1, p.63-68. 2006.

Informações dos autores:  

1UPL do Brasil S.A., Campinas, SP;

2Unicampo.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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