Efeito da aplicação de inseticidas e associação na eclosão de ninfas de percevejo marrom, Eushistus heros, na soja

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de inseticidas isolados ou em associações  sobre a eclosão de ninfas de E. heros

Autores: GUARNIERI, C.C.O.1; KAJIHARA, L.H.1; PAES JUNIOR, R.1; SILVA, T.R.1; SOUZA, G.B.C.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O percevejo marrom, Euschistus heros, tem a soja como seu hospedeiro principal. É uma espécie adaptada às regiões mais quentes, está presente do Norte do Estado do Paraná ao Centro Oeste Brasileiro (CORRÊA-FERREIRA et al., 1999).

Esse inseto causa danos diretos e agressivos aos grãos de soja, diminuindo sua qualidade e reduzindo a produtividade da cultura. Ele possui uma alta capacidade reprodutiva sendo que a fêmea pode produzir até 130 ovos na fase adulta (COSTA et al., 1998). Existem diversas formas de controle dessa praga, sendo o monitoramento e a aplicação de inseticidas uma delas. Um problema da aplicação de inseticidas é o curto período de controle que algumas moléculas apresentam. Este período de controle está ligado a diversos fatores, tais como residual do produto na folha de soja, efeito sobre diversas formas do inseto (ovos, ninfas e adultos), precipitação, e etc.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de inseticidas isolados ou em associações  sobre a eclosão de ninfas de E. heros, verificando assim quais produtos podem apresentar efeito ovicida.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido de 12 a 20 de novembro de 2016, na laboratório da Estação Experimental da Rotam, em Arthur Nogueira, Foram utilizados ovos provenientes da criação de percevejos da Estação. A população dos insetos é originária da região de Guarapuava/PR e Rio Verde/GO.

Foram coletados 10 ovos de E. heros recém ovipositados e colocados em uma placa de Petri. Em seguida foi feita a aplicação dos tratamentos com pulverizador costal pressurizado com CO2, barra de aplicação de 3 metros com 6 bicos espaçados entre si por 0,5 m. Foi utilizado o volume de aplicação de 200 l/ ha, com pontas do tipo leque XR Teejet 11002.

Na sequência os ovos foram transferidos para outras placas de Petri sem resíduos de inseticidas. Estas placas foram acondicionadas em uma estufa com fotoperíodo de 12 horas, temperatura de 24 a 26 ºC, umidade de 60 a 65 % durante 8 dias.

Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado, sendo que cada placa com 10 ovos correspondeu a uma parcela, com quatro repetições por tratamento.

Os tratamentos aplicados com as doses de produtos comerciais (p.c./ha) e ingredientes ativos (i.a./ha) encontram-se na Tabela 1, sendo que na testemunha foi aplicado somente agua destilada.

Tabela 1. Tratamentos e doses de inseticidas aplicados sobre ovos de E. heros. Arthur Nogueira, SP, novembro de 2016.

Avaliou-se a porcentagem de eclosão aos 4, 7 e 8 dias após aplicação, considerando-se que o período de incubação da espécie em laboratório é próximo de 7 dias (COSTA et al., 1998). Os dados gerados nas avaliações foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste Scott-Knott (p<0,05).

Resultados e Discussão

De acordo com os dados descritos na Tabela 2, aos 4 dias após a aplicação (DAA) todos os tratamentos diferiram estatisticamente da testemunha diminuindo ou zerando a eclosão, exceto o tratamento com Engeo Pleno que apresentou uma eclosão de 80%.

Tabela 2. Porcentagem de eclosão de ninfas de E. heros submetidos a aplicação de  nseticidas, aos 4, 7 e 8 dias após a aplicação (DAA). Arthur Nogueira, SP, novembro de 2016.

Aos 7 DAA a tendência se manteve, e os tratamentos que continham metomil (Bazuka 1000 ml/ha, Bazuka + Rotaprid e Bazuka + Balazo) zeraram a eclosão, sendo seu efeito superior estatisticamente aos demais tratamentos (Galil e Orthene).

Aos 8 DAA os melhores tratamentos foram Bazuka 1000 ml/ha, Bazuka + Rotaprid e Bazuka + Balazo, inviabilizando a eclosão de ninfas. Galil e Orthene nas doses testadas diminuíram a eclosão para valores de 42,5 e 55%, respectivamente, diferindo estatisticamente da testemunha, porém sendo inferiores no efeito em relação aos tratamentos com metomil.

Conclusão

Galil e Orthene possuem um efeito intermediário sobre ovos de E. heros, permitindo a eclosão de 40 a 55 %.

O Bazuka possui efeito drástico sobre eclosão de ninfas de E. heros inviabilizando-os totalmente. Os tratamentos com associações de Bazuka podem ser recomendados para o controle, pois terão efeitos sobre os ovos da praga.

Referências

CORREA-FERREIRA, B.S.; PANIZZI, A.R. Percevejos da soja e seu manejo. Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 1999. 45p. (EMBRAPACNPSo. Circular Tecnica, 24).

 COSTA, M. L. M.; BORGES, M.; VILELA, E. Biologia reprodutiva de Euschistus heros (F.) (Heteroptera: Pentatomidae). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 27, n. 4, p. 559–568, dez. 1998.

Informações dos autores:

1Rotam do Brasil, Rua Siqueira Campos, 125, Distrito de Souzas, CEP 13106-006, Campinas-SP,

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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