O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência exercida pela profundidade de semeadura, com e sem a utilização de palhada de milho e de aveia-preta na emergência de erva de-santa-luzia.

Autores: Gustavo Delabio da Silva1; Vanessa Francieli Vital Silva2; Ana Karoline Silva Sanches3; Rubem Silvério de Oliveira Junior4; Jamil Constantin5

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O plantio direto possibilita alguns benefícios ao sistema agrícola, tais como: descompactação subsuperficial do solo, o incremento de matéria seca, o aumento do teor de matéria orgânica, maior retenção de umidade e menor incidência de plantas daninhas. Com relação a incidência de plantas daninhas, a presença de palhada pode ocasionar a sua supressão devido a menor incidência da luz solar sobre o solo, o que diminui a variação térmica na em sua superfície (Vivian et al., 2008). Outro fator de grande importância são os compostos alelopáticos presentes na palhada, que podem reduzir a infestação de plantas daninhas por um efeito químico natural.

A erva-de-santa-luzia (Chamaesyce hirta) é uma espécie herbácea anual (Lorenzi, 2014) e frequentemente encontrada no cultivo da soja. A propagação ocorre exclusivamente por sementes, as quais possuem baixa reserva devido ao seu tamanho (Moreira & Bragança, 2010).

Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a influência exercida pela profundidade de semeadura, com e sem a utilização de palhada de milho e de aveia-preta na emergência de ervade-santa-luzia.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em casa-de-vegetação situada no Centro de Treinamento em Irrigação (CTI/UEM), localizado no município de Maringá-PR a uma latitude de 23°23’46.55″ Sul e longitude 51°57’2.17″ Oeste, à 509 metros de altitude, entre os dias 15 de fevereiro de 2018 ao dia 26 de março de 2018. Foi montado em esquema fatorial 6×3 com 4 repetições, em que o primeiro fator correspondeu à seis níveis de profundidade (0, 1, 2, 3, 4 e 5 cm) e o segundo fator à três condições de cobertura de solo, uma com a utilização da palha de aveia-preta (Avena strigosa), outra de milho (Zea mays), ambas com cobertura equivalente a 2 t ha-1 e outra sem a adição de cobertura no solo (Figura 1). O experimento foi condicionado a um delineamento experimental de blocos casualisados.

Figura 1. Unidades experimentais após a semeadura de Chamaesyce hirta. Autoria: Gustavo Delabio.

O solo utilizado foi seco, peneirado e colocado em vasos plásticos com capacidade para 1 dm3, os quais foram considerados como unidades experimentais. A análise de solo apresentou as seguintes características químicas e físicas: pH em H2O de 6,50; 3,82 cmolc dm-3 de CTC; 1,00 cmolc dm-3 de H+ + Al+3; 1,80 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,90 cmolc dm-3 de Mg+2; 0,12 cmolc dm-3 de K+; 17,00 mg dm-3 de P; 1,40% de M.O.; 84,30% de areia; 2,70% de silte; 13,00% de argila, com classe textural areia franca (arenosa).

Foram semeadas em cada unidade experimental 100 sementes de erva-de-santa-luzia em suas respectivas profundidades de acordo com cada tratamento. A cobertura vegetal de aveia-preta e milho foram adicionadas aos respectivos tratamentos em seguida da semeadura.

As avaliações foram realizadas diariamente e iniciaram a partir do primeiro dia após a semeadura, consistindo na contagem de plantas emergidas, o que resultou na porcentagem de emergência e no índice de velocidade de germinação (IVG). O IVG foi obtido através de contagens diárias das plântulas emergidas até o décimo dia após a semeadura.

Todos os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das avaliações de porcentagem de emergência e do índice de velocidade de germinação (IVG) de erva-de-santa-luzia encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Resultados da porcentagem de emergência e IVG (índice de velocidade de germinação) de C. hirta.

O início da emergência das plantas de erva-de-santa-luzia ocorreu no terceiro dia após a semeadura (DAS), em todas as repetições das profundidades de 0 cm sem cobertura e com palhada de aveia-preta. Observou-se, até os 21 DAS, a emergência de todos os tratamentos. Os últimos tratamentos a obterem emergência foram os de 4 cm de profundidade com aveia-preta e milho. Aos 30 DAS foi observado a última emergência no tratamento de 2 cm sem cobertura.


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A emergência de plântulas de erva-de-santa-luzia foi inversamente proporcional ao aumento de profundidade. Isso pode estar relacionado ao fato da semente ser muito pequena e assim, conter pouca reserva. Desta forma, de acordo com o aumento da profundidade na semeadura, a plântula não possui reservas suficientes para conseguir sobreviver e realizar sua emergência.

Canossa (2007), ao estudar o efeito da profundidade de semeadura na emergência de apagafogo (Alternanthera tenella Colla), espécie que também apresenta sementes pequenas, observou que o aumento da profundidade de semeadura diminuiu a emergência das plântulas de apaga-fogo.

CONCLUSÃO

Concluiu-se que nos tratamentos acima de 0 cm de profundidade, a emergência de erva-de santa-luzia diminuiu significativamente. E no tratamento de 0 cm de profundidade com cobertura de aveia-preta a emergência reduziu substancialmente.

REFERÊNCIAS

CANOSSA, R.S. Requisitos para germinação e emergência de apaga-fogo (Alternanthera tenella Colla) e alternativas de controle químico. 2007. 130 f. Dissertação (mestrado em Agronomia). Universidade Estadual de Maringá, Maringá. 2007.

LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 7.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum. 2014.

MOREIRA, H.J.C.; BRAGANÇA H.B.N. Manual de identificação de plantas infestantes: Cultivos de verão. Campinas: FMC Agricultural Products, 2010. 642 p.

VIVIAN, R.; GOMES JR., F.G.; CHAMMA, H.M.C.P.; SILVA, A.A.; FAGAN, E.B.; RUIZ, S.T. Efeito da luz e da temperatura na germinação de Alternathera tenella, Conyza bonariensis e Digitaria ciliares. Planta Daninha, 26:507-513, 2008

Informações dos autores:  

1Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

2 Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

3 Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

4 Professor Doutor do Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

5 Professor Doutor do Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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