O objetivo do estudo foi analisar o comportamento da tensão superficial da água em diferentes concentrações de óleos minerais e vegetais utilizados na cultura da soja.

Autores: FONSECA, A. E.1; LOPES, M. V.1; RAMOS, M. F. T.1; PAULO JUNIOR, J.1; MALDONADO JUNIOR, W2.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O controle químico da ferrugem asiática da soja (Glycine max L. Merrill), causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & Sydow, é uma prática cultural muito frequente nas diferentes regiões do Brasil (SCHERMA et al., 2009). Na ausência deste controle, a ferrugem pode causar grandes prejuízos em produtividade.

Adjuvantes são substâncias adicionadas à calda de pulverização com o objetivo de melhorar a eficiência das aplicações de produtos fitossanitários, permitir uma penetração cuticular mais eficiente (QUEIROZ, 2008), facilitar o molhamento em superfícies hidrorepelentes, reduzir a tensão superficial, diminuindo o ângulo de contato das gotas isoladas sobre a superfície foliar (ANTUNIASSI & BOLLER, 2011) e melhorar o contato da calda com a cutícula (KISSMANN, 1996).

O objetivo do estudo foi analisar o comportamento da tensão superficial da água em diferentes concentrações de óleos minerais e vegetais utilizados na cultura da soja.

O trabalho foi conduzido no Laboratório de Desenvolvimento de Formulações da Oxiquímica Agrociência Ltda., município de Jaboticabal/SP, onde determinou-se a tensão superficial da água contendo óleo minerais, vegetais e vegetais metilados, descritos na Tabela 1. A tensão superficial foi realizada, por meio de um tensiômetro de bancada com anel de platina (Kruss, K10), empregando o método Du Nouy (DOPIERALA & PROCHASKA, 2008). As avaliações foram realizadas a partir de soluções preparadas com as concentrações: 0,025; 0,05; 0,1; 0,25; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5 e 3,0% v/v.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos avaliados. Jaboticabal/SP. Safra 16/17.

Os valores médios de tensão superficial foram submetidos a análise de variância e comparados estatisticamente pelo Teste de Tukey a 5% de significância, utilizando o programa AgroEstat Sistema para Análises Estatísticas versão 1.0 (BARBOSA; MALDONADO JUNIOR, 2010). Foi utilizado delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 5×11 (5 repetições) para os óleos vegetais, 3×11 para os óleos minerais (6 repetições) e 2×11 para os vegetais metilados (15 repetições), sendo o primeiro fator produtos e o segundo fator as concentrações.

Nas Tabelas 2, 3 e 4, estão apresentados os valores médios de tensão superficial (mN m-1) das soluções com óleos minerais, vegetais e vegetais metilados, em diferentes concentrações. Dentre os óleos minerais, a tensão superficial dos produtos Orix e Nimbus apresentaram redução a partir da concentração de 0,5%. Para o Argenfrut RV a redução iniciou-se na concentração de 0,75%. Sendo assim, os produtos Orix e Nimbus obtiveram performance superior ao Argenfrut RV em todas concentrações.

Tabela 2. Valores médios de tensão superficial (mN m-1) de óleos minerais em diferentes concentrações (% v/v), em solução aquosa. Jaboticabal/SP. Safra 16/17.

Tabela 3. Valores médios de tensão superficial (mN m-1) de óleos vegetais em diferentes concentrações (% v/v), em solução aquosa. Jaboticabal/SP. Safra 16/17.

Tabela 4. Valores médios de tensão superficial (mN m-1) de óleos vegetais metilados em diferentes concentrações (% v/v), em solução aquosa. Jaboticabal/SP. Safra 16/17.

Os óleos vegetais Veget’Oil e Natur’L Óleo apresentaram redução da tensão superficial na concentração de 0,25%. Diferentemente, os óleos Agro-Oil, Du fol e Quimióleo, reduziram a tensão superficial, respectivamente, a partir das concentrações 0,75%, 0,75% e 1,0%. O Veget’Oil apresentou o melhor resultado, sendo a menor tensão superficial entre todos os tratamentos (28,1 mN m-1) e Du fol obteve a maior média de tensão superficial (30,8 mN m-1). Baseando-se na concentração recomendada de 0,5%, o produto Veget’Oil apresentou tensão superficial de 27,7 mN m-1. Mendonça et al. (2007), estudando a tensão superficial estática de soluções aquosas com óleos minerais e vegetais, verificaram que o Veget Oil foi o produto que apresentou valor mínimo de tensão, sendo esta de 27,308 mN m-1, pelo Modelo de Mitscherlich.


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Com relação aos óleos vegetais metilados, Vision e Aureo, demonstraram características similares, reduzindo a tensão superficial em soluções com concentrações menores desses adjuvantes (0,25%). Porém, o Vision obteve a menor tensão superficial a partir da concentração de 0,05%.

Portanto, neste estudo pode-se concluir que as maiores reduções da tensão superficial foram obtidas com os óleos minerais: Orix e Nimbus, os óleos vegetais: Veget Oil, Natur’l Óleo e os óleos vegetais metilados: Vision e Aureo.

Referências

ANTUNIASSI, U. R., BOLLER. W. Tecnologia de aplicação para culturas anuais. Ed. 1. Passo Fundo: FEPAF, 2011. 279 p.

DOPIERALA, K.; PROCHASKA, K. The effect of molecular structure on the surface properties of selected quaternary ammonium salts. J. Colloid Interface Sci., v. 321, n. 1, p. 220-226, 2008.

BARBOSA, J.C.; MALDONADO JR, W. Experimentação Agronômica e AgroEstat – Sistema para Análises Estatísticas de Ensaios Agronômicos. Jaboticabal: Gráfica Multipress Ltda, 2015. 396 p.

KISSMANN, K.G. Adjuvantes para caldas de defensivos agrícolas. BASF: São Paulo, 1996. 45p. MENDONÇA, C.G.; RAETANO, C.G.;

MENDONÇA, C.G. Tensão superficial estática de soluções aquosas com óleos minerais e vegetais utilizados na agricultura. Revista Engenharia Agrícola, v.27, p.16-23, 2007.

QUEIROZ, A. A.; MARTINS J.A.S.; CUNHA, J. P. R.; Adjuvantes e qualidade da água na aplicação de agrotóxicos. Bioscience Journal (UFU), v. 24, p. 8-19, 2008.

SCHERMA, H.; CHRISTIANO, R. S. C.; ESKER, P. D.; DEL PONTE, E. M.; GODOY, C. V. Quantitative review of fungicide efficacy trials for managing soybean rust in Brazil. Crop Protection, v. 28, n. 9, p. 774-782, 2009.

Informações dos autores:  

1Oxiquímica Agrociência Ltda – Jaboticabal, SP;

2Universidade Estadual Paulista – FCAV – UNESP, Campus Jaboticabal.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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