O objetivo deste trabalho foi de verificar a influência das plantas de cobertura em cultivo solteiro e consorciado, na produtividade de grãos da cultura da soja implantada em sucessão.

Autores:  KANEKO, F.H1.; MOREIRA, W.H2., PRADO, J.A2.., RINZO, R.T2., BRITES, M.S2., AQUINO, A.C.B2., ASSIS, G.P.B2., FUTIGAMI,C.Y2., SOUZA, K.M2., LOURENÇO, F.F2.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A busca pela agricultura sustentável deve ser foco da pesquisa científica, indicando ao agricultor as melhores alternativas para o uso racional do solo. Neste contexto a rotação de culturas com planta de cobertura exerce papel importante, pois influencia na melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, na diminuição da ocorrência e disseminação de pragas, doenças e plantas daninhas, bem como na redução dos custos para seu controle (Teodoro et al., 2011). Outra prática agrícola que vêm ganhando destaque nos sistemas de produção refere-se ao cultivo de mais de uma espécie concomitantemente na mesma área, sendo esta prática conhecida como consorciação de culturas. Em áreas comerciais, o consórcio do milho com as braquiárias (Urochloa spp.) já é realidade há décadas (Ceccon, 2008).

No entanto, outras modalidades de consórcio vêm ganhando destaque, como a do milho e braquiária com leguminosas, sendo a crotalária (Crotalaria spp.) e o feijão guandu (Cajanus cajan) as principais a serem utilizadas neste sistema, fazendo com que além de carbono, o nitrogênio seja fixado no sistema através da fixação biológica de N obtida pela simbiose dessas plantas com bactérias fixadoras de nitrogênio, podendo assim, melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo, e incrementar a produtividade das culturas sucessoras que serão implantadas no sistema de produção, como por exemplo, a cultura da soja.

O objetivo deste trabalho foi de verificar a influência das plantas de cobertura em cultivo solteiro e consorciado, na produtividade de grãos da cultura da soja implantada em sucessão.

O experimento foi implantado em Nova Andradina-MS, na Fazenda Santa Bárbara – IFMS campus Nova Andradina, em área anteriormente ocupada por pastagem degradada, em NEOSSOLO QUARTZARÊNICO (Tabela 01). Anteriormente a implantação do projeto em campo, realizou-se a correção do solo com 3 t/ha de calcário dolomítico em janeiro de 2016, sendo posteriormente, feita a incorporação com gradagem 26 polegadas seguidas de escarificação e gradagem de nivelamento. Em 14 de março de 2016 a área experimental foi dessecada com 1.400 g i.a de glifosato sendo no dia posterior, realizada a semeadura das plantas de cobertura. O experimento foi implantado com 7 tratamentos compostos por: 1- Feijão Guandu (Cajanus cajan), 2 – Braquiária (Urochloa ruziziensis), 3 – Milho (Zea mays), 4 – Milho + Braquiária, 5 – Milho + Guandu, 6 – Milho + Guandu + Braquiária, 7 – Braquiária + Guandu. Para os tratamentos que constavam a cultura do milho, foi realizada adubação com 300 kg/ha de 06-28-08 (sulco de semeadura do milho) e 400 kg/ha de sulfato de amônio + 133 kg/ha de KCl na fase V5 da cultura do milho. Nos demais tratamentos não foram feita adubações.

Tabela 1. Características químicas e físicas do solo da área experimental nas profundidades de 0-20 e 20-40 cm.

O tratamentos foram alocados em delineamento experimental em blocos ao acaso, com 7 linhas de 0,45 m por 10 m de comprimento por unidade experimental com 4 repetições. Foram determinadas a matéria seca de parte aérea (MSPA), coletadas na ocasião da colheita do milho, através do quadro de 0,5 x0,5 m, retirando retiradas amostras de matéria verde de parte aérea. Em seguida as amostras foram secas em estufas de circulação forçada a 60ºC até obtenção de massa constante, sendo os valores extrapolados para kg/ha.

Após a colheita, foi realizada a roçagem mecânica na área experimental, respeitando cada tratamento, e aplicado 1 t/ha de gesso. Em 29/11/2016 a área foi dessecada, e em 02/12/2016 realizou-se a semeadura da cultura da soja sobre as plantas de cobertura. A cultivar BRS 1001 Ipro foi semeada com semeadora à vácuo de 7 linhas e espaçamento de 0,45 m buscando população de 400.000 plantas por hectare. A adubação de semeadura foi realizada com 330 kg/ha de 06-27-06 no sulco e em cobertura foram aplicadas 167 kg/ha de KCl na fase V4. A inoculação de sementes com Bradyrhizobium japonicum foi realizada com inoculante comercial turfoso utilizando 3 doses, na ocasião da semeadura. Em 10/04/2017 realizou-se a colheita manual da soja em 2 linhas centrais de 4 m de comprimento. Após a trilha mecânica, os grãos foram pesados, e a umidade corrigida para 13% em base úmida e extrapolados para kg/ha. Os dados foram submetidos a análise de variância e na presença de significância (p<0,05) foi realizado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.


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Para o acúmulo total de matéria seca de parte aérea (Tabela 2), os maiores valores foram obtidos para o milho solteiro, feijão guandu consorciado com braquiária, milho com feijão guandu e milho com braquiária. Já o menor aporte foi verificado para a braquiária em cultivo solteiro, guandu solteiro, e consorcio milho com guandu e braquiária. É importante destacar que para os tratamentos com braquiária e guandu solteiro, e consórcio guandu com braquiária, não foi realizada adubação. Sendo assim, as exigências nutricionais foram supridas somente pelo solo, apenas adicionando calcário (3 t/ha de calcário dolomítico), enquanto que para os demais tratamentos (envolvendo a cultura do milho), foi realizada adubação com 300 kg/ha de 06-27-06 no sulco de semeadura do milho, e cobertura com 400 kg/ha de sulfato de amônio + 133 kg/ha de cloreto de potássio. Além disso, é importante ressaltar que o risco para a implantação da cultura do milho em solos arenosos em segunda época (safrinha) é alto frente aos custos de implantação da cultura, principalmente em solos degradados.

Tabela 2. Matéria seca de parte aérea (MSPA) das plantas de cobertura (PC) e produtividade de grãos da cultura da soja cultivada em Nova Andradina MS, safra 2016/17.

A produtividade da soja foi significativamente influenciada pelas plantas de cobertura (p<0,05). A implantação da soja em sucessão a cultura do milho consorciado com feijão guandu proporcionou produtividades de grãos significativamente maior (3.130 kg/ha), quando comparadas ao cultivo em sucessão ao feijão guandu (2.428 kg/ha), ao consórcio milho com braquiária (2.390 kg/ha) e braquiária solteira (2.186 kg/ha). Destaca-se também o consórcio de braquiária com feijão guandu, o qual proporcionou produtividades significativamente maior (2.827 kg/ha) em relação a braquiária solteira.


Confira…..


Neste contexto, no qual se ressalta o cultivo em NEOSSOLO QUARTZARÊNICO, em solos com baixos níveis de fertilidade sobre pastagem degradada, em região com presença de períodos de veranicos mesmo na estação chuvosa, no qual o risco da implantação da cultura do milho tanto em cultivo solteiro quanto consorciado é elevado, o uso da braquiária consorciada com feijão guandu pode ser uma boa opção como planta de cobertura no período de entressafra antecedendo a cultura da soja.

Referências

CECCON, G. Consórcio milho-braquiária. Dourados, Embrapa Agropecuária Oeste, 2013, 175 p. CECCON, G. Milho safrinha com braquiária em consórcio. Dourados, Embrapa Agropecuária Oeste, 2008, 7 p. (Comunicado Técnico 140)

TEODORO, R. B.; OLIVEIRA, F. L.; SILVA, D. M. N.; FÁVERO, C.; QUARESMA, M. A. L. Aspectos agronômicos de leguminosas para adubação verde no cerrado do alto vale do Jequitinhonha. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 35, n. 2, p. 635-643, 2011.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM campus Iturama, Iturama MG;

2Instituto Federal de educação, ciência e tecnologia de Mato Grosso do Sul – IFMS campus Nova Andradina, Nova Andradina MS.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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