O  objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de quatro produtos comerciais usados no tratamento industrial de sementes para o controle de larvas de terceiro e quarto instar de S. frugiperda.

Autores:  MARUCCI, R.C.1; FERREIRA, J.A.1; MOREIRA, S.G.1; PIMENTEL, G.V.1; ALVES, V.M.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Atualmente, os produtores de soja têm a sua disposição excelentes biotecnologias tanto para o manejo de ervas, como de insetos, ampliação da janela de plantio, adoção de técnicas como plantio direto, sistemas de irrigação e outras, que propiciam o aumento da ponte verde e, consequentemente, o aumento da ocorrência de pragas e de doenças inerentes à cultura logo após a semeadura.

Assim, para proteger a semente uma alternativa é o tratamento químico industrial (fungicidas, inseticidas e nematicidas), realizado em Centros de Tratamentos de Sementes (CTS) ou em Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS), que protege tanto a semente quanto os estágios iniciais da plântula do ataque de pragas que têm potencial de causar danos severos (Zorato, 2015).

A lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) é um inseto polífago, amplamente distribuído nas regiões tropicais e subtropicais das Américas (Asley et al.,1989), causando prejuízos a diversas culturas. No Brasil, está presente em todas as regiões, principalmente em função da presença de fonte de alimentação diversificada e disponível o ano todo, além das condições climáticas favoráveis (Sarmento et al., 2002). É considerada praga chave da cultura do milho, apesar de causar significativos prejuízos a outras culturas. Nas áreas de cerrado nos últimos anos têm ocorrido surtos da praga geralmente em períodos ou anos mais secos e/ou cultivos em épocas de menor precipitação em que as lagartas remanescentes da cultura do milho ou do algodão ficam abrigadas no solo e passam a cortar as plântulas de soja recém-germinadas causando redução do estande (Degrande & Vivan, 2015).

Dessa forma, medidas de controle preventivas precisam ser adotadas como a utilização de sementes tratadas. O tratamento de sementes industrial (TSI) proporciona segurança e proteção para as sementes, além de assegurar o investimento realizado pelo produtor, favorecendo a emergência uniforme das plantas e entregando o estande inicial desejado.

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A hipótese desse trabalho é que pelo menos um dos quatro TSI testados protejam as plântulas de soja das larvas de S. frugiperda durante os 20 dias iniciais de cultivo. Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de quatro produtos comerciais usados no tratamento industrial de sementes para o controle de larvas de terceiro e quarto instar de S. frugiperda.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação do Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) durante o período de dezembro de 2017. Utilizaram-se vasos de 5 Kg os quais foram preenchidos com uma parte de Latossolo vermelho e duas de areia, e de acordo com o resultado da análise de solo, foi realizada a correção por vaso (5 g de calcário; 13,63 g de super simples e 2,0 g de cloreto de potássio). A semeadura foi realizada com a cultivar RK6316 IPRO colocando-se cinco sementes tratadas por vaso, sendo que no momento das infestações foram mantidas três plântulas por vaso. Em todos os vasos houve tratamento com inoculante diluído em água em concentração oito vezes superior a dosagem recomendada pelo fabricante. Sobre o solo de cada vaso foi adicionado uma camada de palha de 2 cm para servir de abrigo para as lagartas e simular condição da presença da palhada no campo. Os vasos foram mantidos sem restrição hídrica, adicionando-se água nos pratos diariamente.

Os produtos comerciais utilizados no TSI foram 1-Standak Top® (fipronil 200 mL p.c./100 kg de sementes); 2- Demacor® (clorantraniliprole 100 mL p.c./100 kg de sementes); 3- Fortenza Duo® (ciantraniliprole 80 + tiametoxam 250 mL p.c./100 kg de sementes); 4- Fortenza® (ciantraniliprole 80 mL p.c./100 kg de sementes); 5 – Testemunha. O fungicida Maxim Advanced® (100 mL p.c./100 kg de sementes) foi utilizado em todos os tratamentos, com exceção do Standak Top®. Foram testados dois níveis de infestação de S. frugiperda, 1-plantas com 11 dias da semeadura e infestação com 1 lagarta de 3o ínstar/planta; 2- plantas com 13 dias da semeadura e infestação com 1 lagarta de 4o ínstar/planta. As avaliações das plântulas de soja foram realizadas por meio da quantificação do número de plantas com danos e/ou plantas mortas/ vaso aos 16 e 22 dias da semeadura.


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O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições em esquema fatorial (5 produtos comerciais X 2 níveis de infestação) e três plântulas por repetição. Os dados de porcentagem de plantas com danos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Não houve diferença entre os níveis de infestação e nem interação entre os produtos utilizados no tratamento de sementes e o nível de infestação, no entanto houve efeito do tratamento de sementes aos 16 e 22 dias pós a semeadura (p<0,0022).

Os tratamentos Fortenza Duo® e Fortenza®, assim como o tratamento Demacor®, ocasionaram menor proporção de plântulas com danos aos 16 e 22 dias após a semeadura (Figura 1). Além disso, foram os únicos tratamentos que não ocasionaram a morte de plântulas (Figura 2). Como os danos foram variáveis, desde pequenas lesões no colo e haste até secção quase que total, algumas plantas teriam condições de recuperação, outras não. É importante salientar que o trabalho foi conduzido sem restrições hídricas, assim provavelmente, em condições de seca e no campo os resultados poderiam ser diferentes. O tratamento Standak Top®, assim como a testemunha, não proporcionou proteção total das plântulas de soja, ocasionando plântulas mortas aos seis dias após infestação.

Figura 1. Porcentagem de plântulas de soja cultivar RK6316 IPRO com danos de ataque de larvas de terceiro e quarto ínstar de Spodoptera frugiperda aos 16 e 22 dias após semeadura. Porcentagens seguidas de mesma letra nas barras de mesma cor não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Figura 2. Porcentagem de plântulas de soja da cultivar RK6316 IPRO mortas após 6 dias de infestação com larvas de 3oínstar de Spodoptera frugiperda.

Referências

ASHLEY T.R., WISEMAN B.R., DAVIS F.M., ANDREWS K.L. The fall armyworm: A bibliography. Florida Entomology, v.72, p.152-200, 1989.

DEGRANDE, P.E., VIVAN, L. M. Pragas do sistema de produção, p-268-3005. In: Fundação Mato Grosso: Boletim de pesquisa 2015/2016. Paulo C. Sentelhas et al., (ed) – Santa Cruz do Sul, RS: Editora Gazeta, 2015, 510p.

SARMENTO, R. A.; AGUIAR, R. W. S.; AGUIAR, R. A. S. S.; VIEIRA, S. M. J.; OLIVEIRA, H. G.; HOLTZ, A. M. Revisão da biologia, ocorrência e controle de Spodoptera frugiperda (Lepidoptera:Noctuidae) em milho no Brasil. Bioscience Journal, v. 18, n. 2, p. 41-48, 2002.

ZORATO, M. F. Semente: cápsula de vida do agronegócio na retomada da qualidade, p-46-49. In: Fundação Mato Grosso: Boletim de pesquisa 2015/2016. Paulo C. Sentelhas et al., (ed) – Santa Cruz do Sul, RS: Editora Gazeta, 2015, 510p.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Lavras- UFLA, Lavras, MG;

2MSc. Fitopatologia, Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Uberlândia, MG.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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