Objetivou-se com esse trabalho avaliar o efeito de doses de zinco no vigor, germinação e desenvolvimento inicial de sementes soja.

Autores:  SILVA, A.F.1; CERQUEIRA NETO, G.D.1; PARRELLA, N.N.D.1; FERREIRA, A.G.1; SILVA, J.S.1; RIBEIRO, J.B.O.1; MONTEIRO, S.G.T.1; LOURENÇO, M.A.S1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O Zn é um micronutriente que se encontra em baixa disponibilidade em solos. Em caso de deficiência de Zn pode ocorrer alterações bastante complexas no desenvolvimento das plantas. Algumas destas mudanças são típicas e podem ser relacionadas com as funções deste micronutriente em reações ou em fases específicas das vias metabólicas, incluindo efeitos sobre os carboidratos, as proteínas, as auxinas e o comprometimento da integridade da membrana. Pelo fato de manter a estrutura e a integridade da membrana e de controlar sua permeabilidade, o zinco também protege a planta contra vários patógenos (Kirkby; Römheld, 2007).

A reserva inicial de zinco da semente pode ser significativamente aumentada sem prejuízos à germinação e ao vigor. Santos et al. (1986) constataram que quase todo o zinco aplicado é absorvido, aumentando seu teor nas sementes. Sementes de soja tratadas com 0,30g/kg de sementes apresentaram aumento do teor de zinco de 31,8µg/g para 195,2µg/g. Porém, há a necessidade do conhecimento do efeito de doses maiores de Zn na qualidade fisiológica das sementes de soja.



Desta forma, objetivou-se com esse trabalho avaliar o efeito de doses de zinco no vigor, germinação e desenvolvimento inicial de sementes soja.

O experimento foi conduzindo no Laboratório de Análise de Sementes (LAS) na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), campus Sete Lagoas, durante os meses de agosto e setembro de 2017. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3 x 5, com quatro repetições, sendo os fatores: cultivares (M8210 IPRO, RK6813 RR, ANTA82 RR) e cinco doses de Zinco (0, 5, 10, 15 e 20 g kg-1 de sementes). Para a realização dos testes as sementes foram pesadas com auxílio de uma balança de precisão, e tratadas com Cercobim® a 5%. Para adicionar as diferentes doses de Zinco, utilizou-se uma seringa graduada de 2 ml, sendo misturado posteriormente juntamente com a semente.

A fonte de Zn utilizada foi o sulfato de zinco (ZnSO4) que contém 20% de zinco. Foi calculada a quantidade necessária de ZnSO4 para o fornecimento de cada dose de Zn, sendo essa quantidade diluída em uma quantidade de água suficiente para o molhamento uniforme da quantidade de sementes das repetições. Após a aplicação de cada dose, as sementes foram deixadas sobre papel toalha para absorção da solução.

O teste de germinação foi realizado de acordo as Regras de Análise de Sementes – RAS (Brasil, 2009), sendo utilizado 50 sementes por repetição. Os paramentos avaliados durante o teste de germinação foram a germinação total (G) e vigor das sementes pela primeira contagem de germinação (PCG). Após os cinco primeiros dias foi realizado a PCG, as sementes que apresentaram o padrão de plântula normal e foram contadas e descartadas, as restantes permaneceram no papel Germitest e foram enroladas novamente e levadas a BOD a 25 ºC até o oitavo dia para a segunda leitura e assim obtenção dos dados de G. Os resultados obtidos foram expressos em porcentagem (%).

Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade. Para as doses, quando significativo, foi realizado análise de regressão. Foi utilizando o programa estatístico Sisvar 5.0 (Ferreira, 2003). Pelo quadro de análise de variância (Tabela 1), observou-se que houve interação significativa entre cultivares e doses para 1ª contagem de germinação (PCG) e germinação (G).

Tabela 1. Resumo da análise de variância para as características: Primeira contagem de germinação (PCG) e Germinação (G) de sementes de cultivares de soja. UFSJ, Sete Lagoas, MG, 2017.

Pelo teste de PCG (Tabela 2) a cultivar M8210 IPRO foi superior em relação às demais cultivares em todas as doses utilizadas. Apenas na testemunha a cultivar M8210 IPRO foi estatisticamente igual a ANTA82 RR. Teixeira et al. (2005), avaliando a qualidade fisiológica de sementes de feijão utilizando manganês e zinco (a mesma fonte de zinco utilizada neste trabalho), não verificaram diferenças entre os tratamentos, tendo valor médio de 82% de germinação na primeira contagem.

Tabela 2. Médias de primeira contagem de germinação (PCG) de sementes de cultivares de soja submetidas a doses de zinco. UFSJ, Sete Lagoas, MG, 2017.

Em relação ao comportamento das cultivares em função das doses aplicadas (figura 1A), observou-se que para todas as cultivares houve redução no vigor das sementes observados pelo teste de PCG, porém a cultivar M8210 IPRO foi que apresentou redução menos acentuada, demonstrando ser menos sensível as doses de Zn em relação as demais, as quais tiverem perda de vigor mais acentuada, com pequena tendência a elevar após a dose de 15 g.

Figura 1. Primeira contagem de germinação (A); e Germinação (B) de sementes de soja em função de doses de zinco.


Confira nossa galeria de cursos TOTALMENTE ONLINE! Agregue conhecimento, faça já!


Para a G (Tabela 3), a cultivar M8210 IPRO foi superior em relação às demais cultivares também em todas as doses, exceto na testemunha, a qual não houve diferença significativa. Pode-se observar que as maiores taxas de germinação foram obtidas no tratamento que não continha sulfato de zinco. Este fato corrobora com os encontrados por Yagi et al. (2006) que, estudando aplicação de zinco em sementes de sorgo, também observaram diminuição na germinação das sementes. Resultados semelhantes foram obtidos por Ribeiro et al. (1994), que trabalharam com a cultura do milho e verificaram que a aplicação de Zn nas sementes resultou em menores taxas de germinação. Para a G das cultivares em função das doses aplicadas (figura 1B), assim como para PCG, observou-se o mesmo comportamento para todas as cultivares, ou seja, a cultivar M8210 IPRO foi que teve menor redução de germinação das sementes com a elevação das doses aplicadas. Para as demais cultivares houve a redução mais acentuada até a dose de 15g.

Tabela 3. Médias de germinação (G) de sementes de cultivares de soja submetidas a doses de zinco. UFSJ, Sete Lagoas, MG, 2017.

As altas doses de sulfato de zinco aplicadas na semente não são favoráveis ao vigor e germinação de sementes de soja. A cultivar M8210 IPRO apresenta menor sensibilidade a aplicação de zinco.

Referências

FERREIRA, D.F. SISVAR: sistema para análise de variância. Lavras: UFLA, 2003. (Software estatístico).

KIRKBY, E.A.; RÖMHELD, V. Micronutrientes na fisiologia de plantas: funções, absorção e mobilidade. Informações Agronômicas, Encarte Técnico, n. 118, jun. 2007.

RIBEIRO, N.D.; SANTOS, O.S.; MENEZES, N.L. Efeito do tratamento com fontes de zinco e boro na germinação e vigor de sementes de milho. Scientia Agricola, v.51, p.481-485, 1994.

SANTOS, O.S., ESTEFANEL, V. Efeito de micronutrientes e do enxofre aplicados nas sementes de soja. Ciência Rural, Santa Maria, v. 16, n. 1, p. 5-17, 1986.

TEIXEIRA, I.R.; BOREM, A.; ARAÚJO, G.A.A.; ANDRADE, M.J.B. Teores de nutrientes e qualidade fisiológica de sementes de feijão em resposta à adubação foliar com manganês e zinco. Bragantia, v. 64, n. 1, 2005.

YAGI, R.; SIMILI, F.F.; ARAÚJO, J.C.; PRADO, R.M.; SANCHEZ, S.V.; RIBEIRO, C.E.R.; BARETTO, V.C.M. Aplicação de zinco via sementes e seu efeito na germinação, nutrição e desenvolvimento inicial do sorgo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.41, p.655660, 2006.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de São João del-Rei, Campus de Sete Lagoas – MG.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.