Eficácia agronômica do fungicida DPX-R0G79 para o controle da ferrugem asiática da soja, em aplicação curativa com intervalo entre as aplicações de 14 dias

O presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficácia do fungicida DPX-R0G79 para controle da ferrugem asiática da soja.

Autores: CABRAL, W. C.1; FERREIRA, A.1; DEMANT, L. A.1; RODRIGUES, E.2. 

Logo
Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

Entre os principais fatores fitossanitários que limitam o rendimento da soja, as doenças são os mais presentes e de difícil controle. A importância econômica de cada doença varia de ano para ano e de região para região, dependendo da condição climática de cada safra.

Entre elas a que mais se destaca é a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) (YORINORI et al., 2005). A doença é favorecida por chuvas bem distribuídas e longos períodos de molhamento. A temperatura ótima para a infecção varia entre 18 ºC e 26,5 ºC, clima que ocorre constantemente durante o ciclo da cultura da soja principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. As perdas na produtividade podem variar de 10% a 90% (TECNOLOGIAS…, 2013).

Para evitar ou minimizar tais perdas, o agricultor deve realizar o manejo da doença, ou seja, integrar diferentes medidas de controle de forma lógica e racional. Como a presença da doença ocorre em época desconhecida dentro do ciclo da cultura, a principal medida de controle para conter o progresso da doença e a pressão do inóculo é o uso de fungicidas de forma preventiva. Entretanto, a eficiência desses produtos depende de vários fatores, como a densidade de inóculo, o estágio da epidemia, o grau de cobertura das plantas pelo fungicida, o número de pulverizações, a sua fungitoxidade, dose, época, volume e equipamento de aplicação, entre outros. Assim, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficácia do fungicida DPX-R0G79 para controle da ferrugem asiática da soja.

Material e Métodos 

O ensaio foi realizado no Centro de Pesquisa Agrícola – CPA, de propriedade da Xecape Rural em parceria firmada com a Dupont do Brasil S/A, no período de dezembro de 2013 a abril de 2014.

Nessa área vem sendo utilizado plantio direto e é utilizada para experimentação há cinco anos, período em que vem apresentando significativa pressão da doença.

As plantas foram dispostas em delineamento experimental de blocos casualizados (DBC) com sete tratamentos e quatro repetições. Cada parcela foi composta por oito linhas com cinco metros de comprimento, sendo a parcela útil as quatro linhas centrais. O espaçamento entre linhas foi de 50 cm, e densidade igual a 18 plantas por metro, totalizando 360 mil plantas por hectare.

A semeadura foi realizada no dia 21/12/2013. A cultivar utilizada nesse experimento foi a WHERMANN W 791 RR, com ciclo variando de 112 a 118 dias, recomendada para a região e suscetível à ferrugem asiática da soja. A adubação e os tratos culturais foram realizados conforme necessidade apontada a partir da análise de solo e presença de insetos e plantas daninhas.

As avaliações da praticabilidade e eficácia dos fungicidas foram realizadas com base na severidade da doença, na desfolha, na seletividade, no rendimento (produtividade).

Nas avaliações de severidade observou-se aleatoriamente a porcentagem de área foliar lesionada em três partes da planta (inferior, médio e superior), somando as três notas e obtendo a média por planta. As avaliações se iniciaram no estádio R1, se estendendo até o estádio R6.

Para seletividade, analisou-se visualmente as plantas, verificando alterações na cor, tamanho e formato das folhas conjuntamente a cada avaliação de severidade. O equipamento utilizado para a pulverização foliar foi um pulverizador costal pressurizado a CO2, com barra de três metros de comprimento contendo seis pontas de pulverização do tipo leque duplo, descritas como TJ 110.02, espaçados a 50 cm e volume de calda utilizado foi de 200 L ha-1. Como tratamentos, além da testemunha não tratada, utilizaram-se os produtos DPX R0G79 em diferentes doses e OPERA, todos com três aplicações a intervalos de 14 dias) conforme demonstrado na Tabela 1.

Tabela 1. Tratamentos utilizados no experimento de controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) da soja. DuPont do Brasil, 2014.1

Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo aplicado o teste de Scott- Knott a 5% de probabilidade, com auxílio do programa SASM-Agri (CANTERI, 2001).

Resultados e Discussão 

Durante a primeira avaliação de severidade em R1 (momento da primeira aplicação), observou-se instalada a doença (severidade 1,50% em todos os tratamentos), o que caracterizou o rápido avanço da doença nas avaliações seguintes.

No estágio fenológico R4 (momento da segunda aplicação), observou-se diferença entre todos tratamentos contendo fungicidas comparados a testemunha. Entre os tratamentos contendo fungicidas, melhores controles foram observados nos tratamentos com o fungicida DPX-R0G79 nas doses a partir de 600 mL p.f. ha-1.

A avaliação no estágio fenológico R5.3 (momento da terceira aplicação) foi observado que apenas os tratamentos contendo o fungicida  DPX-R0G79 nas doses de 100 mL p.f. ha-1e 200 mL p.f. ha-1 não se diferenciaram da testemunha.

No estágio R5.6 (14 dias após a terceira aplicação) observou-se que todos os tratamentos contendo o fungicida DPX-R0G79 foram superiores ao tratamento padrão OPERA e também a testemunha. Para essa mesma avaliação houve diferença de dose para o fungicida DPX-R0G79, onde as doses a partir de 600 mL p.f. ha-1 foram superiores as demais. Na última avaliação no estágio R6 (28 dias após a terceira aplicação) apenas os tratamentos contendo o fungicida DPX-R0G79 nas doses de 900 mL p.f. ha-1 e 1200 mL p.f. ha-1mantiveram-se com folhas, enquanto os demais já apresentavam 100% de severidade (Tabela 2).

Tabela 2. Severidade (%) em função do controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) da soja com a aplicação de fungicidas. DuPont do Brasil, 2014.2

Na avaliação das médias obtidas a partir da AACPD, todos os tratamentos com fungicidas diferiram estatisticamente da testemunha.

Entre os tratamentos contendo fungicidas, o produto DPX-R0G79 nas doses a partir de 600 mL p.f. ha-1 foram superiores a este mesmo fungicida nas doses de 100 mL p.f. ha-1 e 200 mL p.f. ha-1 e também ao tratamento padrão OPERA (Tabela 3).

Tabela 3. Área abaixo da curva do progresso da doença (AACPD), avaliação de seletividade à cultura da soja (fitotoxidez), desfolha e produtividade, visando o controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) da soja com a aplicação de fungicidas. DuPont do Brasil, 2014.3

Para as avaliações referentes à desfolha o tratamento com o Fungicida DPX-R0G79 independente da dose e o tratamento padrão OPERA se diferenciaram estatisticamente da testemunha. Já para os tratamentos contendo fungicidas, maiores notas de desfolha foram atribuídas aos tratamentos contendo o fungicida DPX-R0G79 na dose de 100 mL p.f. ha-1 e para o tratamento padrão OPERA (Tabela 3).

Para a seletividade dos fungicidas a cultura, nenhum sintoma de fitotoxidez foi verificado (Tabela 3). As melhores produtividades foram obtidas nos tratamentos contendo o DPX-R0G79 nas doses de 600 mL p.f. ha-1, 900 mL p.f. ha -1 e 1200 mL p.f. ha -1(Tabela 3).

Conclusão

Para o controle da ferrugem asiática da soja, causada por Phakopsora pachyrhizi, deve-se considerar o fungicida DPX-R0G79 nas doses a partir de 600 mL p.f. ha-1 como tratamento efetivo para o controle da doença.

Referências

CANTERI, M. G., ALTHAUS, R. A., VIRGENS FILHO, J. S., GIGLIOTI, E. A.,  ODOY, C. V. SASM-Agri: Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scoft – Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v.1, n.2, p.18-24, 2001.

YORINORI, J. T.; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; HARTMAN, G. E.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay from 2001 to 2003. Plant Disease, St. Paul, v. 89, n. 6, p. 675-677, 2005.

TECNOLOGIAS de produção de soja – Região Central do Brasil 2014. Londrina: Embrapa Soja, 2013. 265 p. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, 16). 

Informações dos autores:

1DuPont do Brasil S/A, Rod. PLN 145, 943, Bairro Boa Esperança, CEP 13148-080, Paulínia-SP;

2Universidade de Rio Verde.

Disponível em: Anais da XXXV Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.