O  objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia de controle de ferrugem asiática da soja com diferentes fungicidas e diferentes pH de caldas.

Autores:  GRIGOLLI, J.F.J.1; GRIGOLLI, M.M.K.1; GITTI, D.C.1; LOURENÇÃO, A.L.F.1; MELOTTO, A.M.1; BEZERRA, A.R.G.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O controle químico da ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & Sydow, é a principal forma de manejo da doença. Plantas severamente infestadas apresentam desfolha precoce, comprometendo a formação e o enchimento de vagens e a massa final dos grãos (Yang et al. 1991). Assim, para o sucesso da aplicação, é necessário dominar a forma adequada de aplicação, de modo a minimizar as perdas (Hoffmann & Boller, 2004).

Um dos aspectos relevantes da aplicação de fungicidas químicos é o pH da calda de pulverização. Existem diversos trabalhos que demonstram a influência do pH da calda na eficiência de controle de plantas daninhas (Queiroz et al., 2008), entretanto, há poucas informações acerca deste parâmetro com fungicidas. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia de controle de ferrugem asiática da soja com diferentes fungicidas e diferentes pH de caldas.

O ensaio foi realizado na Estação Experimental da Fundação MS, em Maracaju, MS. A cultivar de soja utilizada foi M-6410 IPRO, semeada em 18 de outubro de 2016 e com a colheita em 12 de fevereiro de 2017. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco repetições, em esquema fatorial 10 (fungicidas) x 6 (pH da calda), além de uma testemunha sem aplicação.

Os fungicidas utilizados no ensaio foram Benzovindiflupir + Azoxistrobina (Elatus® 200 g ha-1), Benzovindiflupir + Picoxistrobina (Vessarya® 600 mL ha-1), Fluxapiroxade + Piraclostrobina + Epoxiconazole (Ativum® EC 800 mL ha-1), Fluxapiroxade + Piraclostrobina (Orkestra® SC 350 mL ha-1), Trifloxistrobina + Protioconazole (Fox® 400 mL ha-1), Picoxistrobina + Ciproconazole (Aproach® Prima 300 mL ha-1), Trifloxistrobina + Ciproconazole (Sphere® Max 200 mL ha-1), Azoxistrobina + Ciproconazole (Priori Xtra® 300 mL ha-1), Piraclostrobina + Epoxiconazole (Opera® 500 mL ha-1) e Picoxistrobina + Tebuconazole (Horos® 500 mL ha-1). Quando necessário, adicionou-se o óleo recomendado na bula de cada fungicida. O segundo fator foi constituído por 6 faixas de pH (3,0; 4,0; 5,0; 6,0; 7,0 e 8,4).

Foram realizadas três aplicações de fungicida, a primeira em V6, a segunda 17 dias após a primeira aplicação e a terceira 20 dias após a segunda aplicação, através de pulverizador de pressão constante à base de CO2, e volume de calda de 160 L ha-1. Foram realizadas cinco avaliações de severidade de doença, antes de cada aplicação, e aos 15 e 21 dias após a terceira aplicação. As parcelas foram constituídas de 3,5 metros de largura por 10 metros de comprimento, totalizando 35 m2. O controle de pragas e de plantas daninhas foi efetuado conforme as indicações técnicas para a cultura. A calda utilizada no experimento foi preparada e o pH ajustado com titulação com ácido sulfúrico no Laboratório da Fundação MS. A medição do pH foi realizada através de pHmetro digital.

As avaliações foram baseadas na escala diagramática proposta por Godoy et al. (2006) para ferrugem asiática da soja. Foram avaliadas 10 plantas por parcela e em cada planta, foram retirados dois folíolos, de forma que a média da parcela foi considerada a média dos 20 folíolos avaliados.

A severidade da doença é resultado do tamanho e número de lesões, sendo que estes dois componentes podem atuar de forma independente durante o progresso da doença (Kranz 1988; Boff et al. 1991). Além disso, a melhor representação de uma epidemia é a curva de progresso da doença, geralmente expressa plotando-se a proporção de doença em função do tempo (Paula & Oliveira 2003). Desta forma, os dados de severidade foram utilizados para o cálculo da área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) baseado no modelo proposto por Campbell e Madden (1990).

A produtividade de grãos foi avaliada por meio da colheita das três linhas centrais de cada parcela, com o auxílio de colhedora de parcela. A umidade dos grãos foi corrigida para 13%. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (p<0,05).


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Na avaliação da AACPD, houve diferença estatística entre os tratamentos com diferentes fungicidas e variação de pH e na interação entre esses dois fatores. Os pH que apresentaram menor AACPD foram 5,0; 6,0 e 7,0, o que corresponde a menor severidade da doença nas plantas de soja. Nos pH 3,0; 4,0 e 8,4 a AACPD foi maior, diferenciando estatisticamente dos outros pH, e isso significa que o controle da doença foi menor (Tabela 1).

Tabela 1. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) de ferrugem asiática em plantas de soja tratadas com diferentes fungicidas com caldas em diferentes pH.

Dentre os fungicidas testados, Benzovindiflupir + Azoxistrobina e Benzovindiflupir + Picoxistrobina apresentaram menor AACPD. Fluxapiroxade + Piraclostrobina + Epoxiconazole; Fluxapiroxade + Piraclostrobina; Trifloxistrobina + Protioconazole; Picoxistrobina + Ciproconazole; Trifloxistrobina + Ciproconazole e Picoxistrobina + Tebuconazole apresentaram AACPD intermediária. Azoxistrobina + Ciproconazole e Piraclostrobina + Epoxiconazole apresentaram a maior AACPD (Tabela 1).

Quanto ao rendimento de grãos, os fatores fungicida e pH diferiram estatisticamente e houve interação entre esses dois fatores. Os tratamentos com pH 5,0; 6,0 e 7,0 tiveram maior produtividade, diferindo estatisticamente dos tratamentos com calda de pH a 3,0; 4,0 e 8,4 (Tabela 2).

Tabela 2. Rendimento de grãos (kg ha-1) de plantas de soja tratadas com diferentes fungicidas com caldas em diferentes pH.

Dessa forma, pode-se concluir que o pH influencia na eficácia de controle de ferrugem asiática por diferentes fungicidas. Além disso, os pH que apresentaram menor AACPD de ferrugem asiática, assim como maior produtividade de grãos de soja foram a 5,0; 6,0 e 7,0.

Referências 

BOFF, P.; ZAMBOLIM, L.; VALE, F.X.R. Escalas para avaliação de severidade de mancha-deestenfílio (Stemphylium solani) e da pinta preta (Alternaria solani) em tomateiro. Fitopatologia Brasileira, v.16, n.1, p.280-283, 1991.

CAMPBELL, C.L.; MADDEN, L.V. Introduction to plant disease epidemiology. New York: John Wiley & Sons, 1990. 532p.

GODOY, C.V.; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v.31, p.63-68, 2006.

HOFFMANN, L. L.; BOLLER, W. Tecnologia de aplicação de fungicidas em soja. IN: COODETEC. Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola. Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas II. Encontro Técnico 8. COOPAVEL/BAYER CropScience. Cascavel: BAYER CropScience, 2004. 122 p.

KRANZ, J. Measuring plant disease. In KRANZ, J.; ROTEM, J. (Eds.) Experimental techniques in plant disease epidemiology, p.35-50. Heldelberg: Springer-Verlag, 1988. 299p.

PAULA, R.S.; OLIVEIRA, W.R. Resistência de tomateiro (Lycopersicon esculentum) ao patógeno Alternaria solani. Pesquisa Agropecuária Tropical, v.33, n.2, p.89-95, 2003.

QUEIROZ, A.A.; MARTINS, J.A.S.; CUNHA, J.P.A.R. Adjuvantes e qualidade da água na aplicação de agrotóxicos. Bioscience Journal, v. 24, n. 4, p. 8-19, 2008

YANG, X.B., TSCHANZ, A.T., DOWLER, W.M. & WANG, T.C. Development of yield loss models in relation to reductions of components of soybeans infected with Phakopsora pachyrhizi. Phytopathology, v. 81, p. 1420-1426. 1991.

Informações dos autores:  

1Fundação MS para Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias, Estrada da Usina Velha, km 2, Maracaju, MS.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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