O objetivo do presente estudo foi avaliar a eficiência de diferentes fontes de N mineral no cultivo de milho

Autores: Claudia Klein (1); Fábio Junior Rodrigues(2); Marcos Antônio Barcarol(3); Cristiane Rosa Adams(4); Alexandre Léo Berwanger(2); André Sordi(5)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O milho (Zea mays L.) é considerado uma das mais importantes espécies utilizadas no Brasil, visto que, anualmente, são cultivados cerca de oito milhões de hectares, os quais contribuem para a produção de aproximadamente 54 milhões de toneladas de grãos (ABRAMILHO, 2011).

A época de aplicação e parcelamento da adubação nitrogenada são fatores indispensáveis que devem ser analisados como uma alternativa para o aumento da eficiência do nitrogênio (N), desta maneira, diminuindo as perdas (DUETE et al., 2008). A recuperação do N dos fertilizantes nitrogenados pelas plantas é relativa, devido a volatilização de amônia, lixiviação e desnitrificação do nitrato, sendo um nutriente muito suscetível a perdas no sistema. A implantação de uma lavoura exige o máximo controle de gastos, visando maior lucratividade.

Segundo Machado (2002) a adubação nitrogenada é a maior responsável pela disponibilidade do N no solo, sendo as seguintes formas em que o N se apresenta nos adubos nitrogenados são: Nítricas (Ex. Nitrato de Cálcio), amoniacal (ou ambas como e o caso do Nitrato de Amônia), orgânica e amídica (Ureia). A concentração de N nos adubos pode variar desde 82% na amônia anidra até em torno de 1% nos adubos orgânicos.

Uma tecnologia de manejo eficiente é a inserção de NBPT (N-(n-butil) tiofosfórico triamida) em produtos de bases nitrogenadas, principalmente de fontes amídicas. O Cooper N e o Super N são compostos de ureia, com concentração de 45% de N, possuindo, respectivamente, inibidor de urease (Uremax NBPT) (FECOAGRO, 2016) e AGROTAIN (NBPT) (FERTIPAR FERTILIZANTES, 2012).

O Nitromag por sua vez, possui uma concentração de 27% de N, sendo 13,5% na forma de N-nítrico e 13,5% na forma de N-amoniacal, contém também em sua formulação 4% de Cálcio (Ca) e 2% de Magnésio (Mg) (MERCADO RURAL CENTRO, 2016).

O mercado disponibiliza várias tecnologias de produtos nitrogenados, que possuem fontes amídicas (com e sem inibidores de urease) e amoniacais, que buscam aprimorar a absorção e diminuir as perdas de N no sistema. Desta forma o objetivo do presente estudo foi avaliar a eficiência de diferentes fontes de N mineral no cultivo de milho.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi realizado na safra 2016/2017, na área experimental do Show Agrícola®, na cidade de Palma Sola – SC. O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso com cinco tratamentos e cinco repetições, totalizando 25 unidades experimentais. Sendo os tratamentos: Ureia (CO(NH2)2) com 45% de N; Super N com 45% de N; Cooper N (aditivado com inibidor da urease que permite melhor aproveitamento do N aplicado) com 45% de N; Nitromag (13,5% N-nítrico e 13,5% N-Amoniacal) com 27% de N e Testemunha com 0 % de N.

A área total do experimento foi de 900 m², sendo que a área da parcela possui 4 m de comprimento por 4 m de largura totalizando 16 m². Cada parcela possuía 8 linhas de semeadura. A semeadura do milho foi realizada no dia 17 de setembro de 2016. O cultivar utilizado foi o híbrido 30f53VYHR. A semeadura foi realizada com espaçamento de 50 cm entre linhas e 3,5 sementes por metro linear.

A recomendação de adubação foi realizada para uma expectativa de rendimento de 10 t, conforme o Manual de Adubação e Calagem (CQFS-RS/SC, 2004). Sendo então utilizado na linha de semeadura 450 kg ha-1 do fertilizante mineral NPK fórmula 8-20-15.

As aplicações das fontes de N foram realizadas a lanço, de forma manual, sendo a primeira aplicação no estádio fenológico V4 (definição do potencial de produção), e a segunda em V8 (definição do número de fileiras), de acordo com a escala fenológica de Ritchie et al. (1993), seguindo as recomendações técnicas de cada fonte.

A dose de N em cobertura aplicadas foi de 124 kg/ha, divididas em duas aplicações As fontes e doses de cada tratamento foram: Nitromag (27% N): 459,25 kg/ha; Cooper N, Super N e Ureia (45% N): 275,55 kg/ha; Testemunha (0% N).

Para a obtenção do índice de clorofila foliar foi utilizado um clorofilômetro Falker, modelo CFL 1030. O aparelho mede as clorofilas A e B, num índice de 0 a 100. Foram realizadas três medições, uma em cada respectivo estádio fenológico, V8, V10 e R1. A medição foi realizada no terço médio da última folha expandida de cada planta, utilizando-se de cinco plantas aleatórias por parcela fazendo-se a média das leituras.

Para obtenção dos valores de massa verde e seca, foram coletados 2 metros lineares de plantas no estádio fenológico R4. As amostras foram trituradas e pesadas, resultando nos valores de massa verde. Para a massa seca, as amostras foram secas em estufa à uma temperatura média de ± 60 ºC, até atingir peso constante, então convertido o valor da amostra em produtividade/ha.

Para a quantificação do rendimento de grãos foram retiradas manualmente as espigas de cada parcela, no estádio fenológico R6, realizada a debulha manualmente, corrigida a umidade a 13% e extrapolado o valor de rendimento de grãos por hectare.

Os resultados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as diferenças entre médias foram comparadas pelo teste de Tukey (P≤0,05) de probabilidade de erro, com auxílio do software SISVAR.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A utilização do clorofilômetro revelou que no estádio V8 a determinação do valor de clorofila foliar foi mais baixa na testemunha e na ureia, para os demais tratamentos os valores foram maiores, porém sem diferenças entre si (Tabela 1). Quando realizada a avaliação em V10 em todos os tratamentos tiveram valores maiores em relação a testemunha. No estádio R1 as unidades experimentais onde utilizou-se o produto Nitromag foram constatados os maiores valores de índice de clorofila foliar, porém sem diferença estatística dos produtos Super N e Cooper N. De maneira geral, a testemunha apresentou menores valores de índice de clorofila foliar, o que era esperado, pois o único suporte do nutriente foi via solo, especialmente pelo aporte de matéria orgânica.

Tabela 1 – Índice de clorofila foliar nos estádios V8, V10 e R1 em função das fontes de nitrogênio aplicadas na cultura do milho (Zea mays). Palma Sola – SC, 2017.

O nível de N na planta de milho foram considerados adequados em comparação com as faixas estabelecidas por Argenta et al., (2003), de 45,4 para os estádios de três a quatro folhas, ≥52,1 para de seis a sete folhas, ≥ 55,3 para 10 a 11 folhas e ≥58,0 para espigamento. Neste estudo, em V10 os valores de índice de clorofila foliar foram menores que aqueles preconizados por Argenta et al. (2003). Entretanto, os resultados obtidos nos diferentes estádios encontram-se acima dos resultados encontrados por Sousa et al. (2015) para os estádios V8 e V10. Os resultados diferem dos encontrados por Mota (2015), onde avaliando em dois anos agrícolas, as fontes de N não alteraram o teor de N foliar.

Para a variável massa verde, todas as fontes de N se diferiram da testemunha, mas não entre si (Tabela 3). O presente estudo revelou uma média de produção de 70 t ha-1. Observa-se incrementos de massa verde acima dos valores de referência para uma boa produtividade, que se situa em valores acima de 50 t ha-1 quando a produção é destinada a confecção de silagem (PESCUMO; IGASARI, 2013).

É percebível também a alta produtividade da testemunha, a qual não houve aplicação de N, sendo que sua produção está dentro dos valores de uma produção normal com aplicação de N. Essa alta produtividade deve-se especialmente ao índice de matéria orgânica do solo, a qual está em nível médio (4,65 %) chegando próximo ao nível alto (CQFS-RS/SC, 2004).

Tabela 3 – Rendimento de grãos (t ha-1), massa verde (t ha-1) e massa seca (t ha-1) da cultura do milho (Zea mays) submetida a diferentes fontes nitrogenadas em cobertura. Palma Sola/SC, 2017.

Segundo estudos de Morais et al. (2012) o N influência no crescimento inicial da cultura do milho e por sequência na produção de massa verde, massa seca, bem como no diâmetro de colmo e altura de planta. O que fica claro é que independente do produto a aplicação de N responde de forma positiva nos atributos agronômicos de massa verde e massa seca.

A aplicação de diferentes fontes de N não diferiu significativamente entre si para a massa seca, com a exceção da testemunha (Tabela 3).

Observa-se uma resposta significativa à aplicação da adubação com N para as variáveis massa verde e massa seca, sendo a ausência de adubação nitrogenada prejudicial ao desenvolvimento, afetando diretamente o seu rendimento (GUARESCHI et al., 2013). Porém no presente estudo, mesmo sem adição de N em cobertura a produtividade de 12 t ha-1 de massa seca da testemunha não foi tão baixa à produção média estimada para um bom rendimento que situasse próximo a 17 t ha-1 de massa seca (PESCUMO; IGASARI, 2013).

Percebe-se uma pequena queda na produtividade de massa seca quando utilizado o tratamento Cooper N, produto o qual assemelha-se ao Super N, onde os mesmos possuem inibidores de urease. Fato esse no qual pode estar atrelado a qualidade dos produtos, pois os mesmos possuem marcas comerciais diferentes, ou por alguma perda de N no sistema.

A aplicação de diferentes fontes de N não diferiu significativamente entre si para a variável rendimento de grãos, com a exceção da testemunha (Tabela 3). É nítido o elevado rendimento para todos os tratamentos, apresentando-se todos acima das médias de produção, que em Santa Catarina é de 8,5 t ha-1 (ICEPA/EPAGRI 2017) e em torno de 12 t ha-1 alcançada por alguns produtores do Brasil para este híbrido (PIONEER SEMENTES 2016). O rendimento de grãos da testemunha apresentou-se acima das produções médias, o que pode ser relacionado com as ideais condições edafoclimáticas.

Argenta et al. (2003) em estudos realizados obtiveram rendimento de grãos superior a 7 t ha-1 com tratamentos sem utilização de N em cobertura, evidenciando a elevada disponibilidade de N no solo. O aumento no rendimento de grãos está relacionado de forma direta com o N (BASTOS et al., 2008). Frazão et al. (2014) constatou que utilização de ureia tratada com aditivo NBPT demonstrou maior rendimento de grãos quando comparada a ureia comum, pois sua disponibilidade foi maior devido à redução de perdas de N por volatilização, fato que não foi verificado neste estudo, pois tanto o Super N como o Cooper N apresentaram resultados semelhantes as demais tecnologias e que também foi constatado por Lucas (2016), onde a ureia tratada com inibidores de urease e nitrificação não promoveu diferenças significativas no crescimento, no estado nutricional e consequentemente, no rendimento de grãos de milho em relação à ureia convencional.

Mota et al. (2015) em seu estudo utilizando ureia com inibidores de urease e de nitrificação, nitrato e ureia convencional, constataram que não houveram diferenças, principalmente quando comparadas as fontes ureia convencional ao nitrato. Essas condições são semelhantes ao presente estudo, quando pode se relacionar com o produto Nitromag, que possui nitrato em sua composição, o qual apresentou alta eficiência para todas as variáveis analisadas, sendo assim que não ocorreu a lixiviação do mesmo

CONCLUSÕES

O teor de clorofila da folha é maior quando aplicado N independente da fonte utilizada.

O rendimento de grãos de milho, produtividade de massa verde e seca não diferem significativamente para as fontes de N.

REFERÊNCIAS

ABRAMILHO. Área para milho e soja deve crescer. Brasília, DF, 2011. Disponível em: < https://goo.gl/uHiNuE> Acesso em: 27 out. 2016.

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BASTOS, EB. CARDOSO, MJ. MELO, FB. RIBEIRO, VQ. JUNIOR, ASA. Doses e formas de parcelamento de nitrogênio para a produção de milho sob plantio direto. Revista Ciência Agronômica, Fortaleza: v. 39, n.2, p. 275-280, Abr./Jun. 2008.

COMISSÃO DE QUIMICA E FERTILIDADE DO SOLO. Manual de adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 10ª ed. Porto Alegre – RS, 2004. 140 p.

DUETE, RRC. MURAOKA, T. SILVA, EC. TRIVELIN, PCO. AMBROSANO, EJ. Manejo da adubação nitrogenada e utilização do nitrogênio pelo milho em Latossolo Vermelho. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, 2008. v.32.

FECOAGRO, Cooper N – Ureia Aditivada. Florianópolis, SC. 2016. Disponível em:< https://goo.gl/Tau6Z4>. Acesso em: 05 nov. 2016.

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LUCAS, FT. Efeitos da ureia com inibidores de nitrificação e urease na cultura do milho. Tese (Produção Vegetal). Universidade Estadual Paulista – Unesp Campus De Jaboticabal. 2016. 60 p.

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Informações dos autores:  

(1) Enga Agra Professora do Curso de Agronomia da Universidade do Oeste de Santa Catarina;

(2) Engenheiro Agrônomo, Egresso da Unoesc SJCedro;

(3) Engenheiro Agrônomo, Egresso da Unoesc SJCedro;

(4) Enga Agra Egressa Unoesc SJCedro, Mestranda da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC;

(5) Eng. Agr. Professor do Curso de Agronomia Unoesc.

 Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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