Eficiência de fungicidas protetores aplicados isoladamente para o controle da Ferrugem-asiática da Soja (Phakopsora pachyrhizi) na região oeste do PR, safra 2016/2017

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de fungicidas protetores aplicados isoladamente para o controle de P. pachyrhizi.

Autores: MADALOSSO, T.1; FAVERO, F. 1; TESTON, R.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática da soja possui elevada capacidade de redução de produtividade na cultura (YORINORI et al., 2005). As estratégias para o manejo dessa doença incluem: o uso de cultivares tolerantes (Inox®), antecipação da época de semeadura, cultivo de cultivares precoces, ausência de cultivo na entressafra, controle de plantas daninhas hospedeiras e o controle químico através de fungicidas.

Com a elevada área de cultivo de soja e o uso de fungicida como uma das únicas estratégias de manejo, na safra 2013/2014 foi detectada pela primeira vez na ferrugem asiática da soja a mutação na posição F129L do gene do citocromo “b” (KLOSOWSKI et al., 2016). Essa mutação confere resistência parcial ao grupo químico das estrobilurinas. Na safra 15/16 foi detectada outra mutação na subunidade C na posição I86F, conferindo perda de sensibilidade ao grupo químico das carboxamidas (FRAC, 2017). Outros fatores podem contribuir para o surgimento do genótipo resistente, como o uso de fungicidas de sítio-específico, aplicações repetidas do mesmo produto, uso dos fungicidas como erradicantes e a elevada produção de esporos pelo fungo.

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Devido às mutações, vem sendo constatado nas últimas safras a diminuição da eficiência de controle dos produtos comerciais comumente utilizados no manejo da doença. O aumento da diversidade química com o uso de fungicidas protetores com múltiplos sítios de atuação nos patógenos pode ser uma importante alternativa para o manejo da resistência.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de fungicidas protetores aplicados isoladamente para o controle de P. pachyrhizi.

Material e Métodos

O experimento foi realizado no Centro de Pesquisa Agrícola da Copacol (CPA), no município de Cafelândia-PR, no período de outubro 2016 a fevereiro de 2017. A cultivar utilizada foi o NA 5909 RG, de hábito de crescimento indeterminado, grupo de maturação 5.9 e ciclo de aproximadamente 120 a 125 dias na região, semeada no dia 25 de outubro de 2016.

A adução da cultura foi realizada na base com 300 kg da formula 4-24-16 N P2O5 K2O e as demais práticas de manejo seguiram as recomendações técnicas para cultura da soja (TECNOLOGIAS, 2013).

As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, com volume de calda de 200 L/ha, utilizando a ponta de Pulverização XR 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm2. O posicionamento das aplicações foi realizado de duas formas, para os fungicidas protetores foram realizadas 5 aplicações sendo a primeira aplicação realizada no dia 13/12/2016 (V9), segunda aplicação dia 22/12/2016, terceira aplicação dia 04/01/2017, quarta aplicação 16/01/2017 e quinta aplicação 27/01/2017 com intervalo entre as aplicações de 9,13,12,11 dias respectivamente.

Já no tratamento padrão com o produto Elatus, foram realizadas apenas 3 aplicações sendo a primeira no dia 13/12/2016 (V9), a segunda aplicação no dia 04/01/2017e a terceira aplicação no dia 16/01/2017 com intervalo entre as aplicações de 22 e 12 dias, respectivamente.

O delineamento experimental foi em blocos inteiramente casualizados com 17 tratamentos e quatro repetições os quais são descritos na tabela 1. As unidades experimentais mediam 2,5 de largura e 10 m de comprimento totalizando 25 m², sendo a área útil 1,5 m de largura por 10 m de comprimento totalizando uma área de 15 m².

Tabela 1. Descrição dos produtos, doses e ingredientes ativos utilizados no experimento.

A avaliação da severidade de ferrugem asiática foi realizada aos 28 dias após a terceira aplicação de fungicida seguindo a escala diagramática proposta por (GODOY et al., 2006). Além da ferrugem foi determinada a severidade de crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii) e a severidade de mancha-alvo (Corynespora cassiicola) no terço inferior da cultura. A determinação do rendimento de grãos (kg/ha) foi corrigindo a umidade para 13%. As variáveis analisadas foram submetidas à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade de erro.

Resultados e Discussão

Houve diferença significativa pela análise de variância (P<0,05) para todas as variáveis analisadas. A pressão de ferrugem da soja foi baixa no ensaio. Para severidade dessa doença, os produtos Unizeb Gold (3,0 kg/ha), Manfil 800 WP, Fortuna 800, e Unizeb Gold (2,5 kg/ha) apresentaram os menores valores, com controle para esta doença superior a 80%. Os produtos NTX 12100, OFA 064 e Previnil 720 SC ficaram no segundo grupo em eficiência para o controle da ferrugem com valores próximos a 70%. Todos esses produtos são formulados com mancozeb ou clorotalonil. Verificou-se que o fungicida Elatus em 3 aplicações, apresentou menores valores de controle para ferrugem da soja que a maioria dos fungicidas multissítio em 5 aplicações. O produto biológico Quartz SC a base de Bacillus amyloliquefaciens, não apresentou desempenho satisfatório no controle da ferrugem da soja.

Tabela 2. Rendimento de grãos de soja, redução de rendimento em relação do melhor tratamento (RR), severidade e controle de ferrugem (Phakopsora pachyrhizi), crestamento foliar de Cercospora kikuchii e mancha-alvo (Corynespora cassiicola) em função da aplicação de diferentes combinações de fungicidas, Cafelândia- PR, safra 2016/2017.

Para a severidade de mancha-alvo, observou-se um menor valor para os produtos formulados com mancozeb, clorotalonil e fluazinan sendo que os controles chegaram ao patamar de 70% para os melhores produtos.

Para o produto Redshield 750 (óxido cuproso), houve aumento significativo no controle de mancha-alvo em função do aumento da dose de 0,5 para 1,0 kg/ha (38% para 53%). Para o produto Unizeb Gold também houve tendência de aumento de controle com aumento da dose de 2,5 para 3,0 kg/ha (56% para 73%). O fungicida Elatus apresentou controle intermediário para essa doença e produto biológico Quartz SC, não diferiu da testemunha não tratada.

Para a severidade de crestamento foliar de cercospora, o comportamento dos produtos foi semelhante ao apresentado para mancha–alvo. Os menores valores de severidade foram observados nos produtos formulados com mancozeb, clorotalonil e fluazinan sendo que os controles chegaram ao patamar de 84% para os melhores produtos. Assim, o uso destes produtos multissítio, além de auxiliar no controle da ferrugem da soja, pode atuar melhorando o desempenho dos fungicidas de sítio-específico para o controle do complexo de manchas foliares em soja.

A redução de rendimento da testemunha em relação ao melhor tratamento foi de 17%, valor esse compatível à pressão de doenças para o ciclo estudado. O rendimento de grãos foi superior para os fungicidas Previnil 720 SC, Unizeb Gold (3,0 kg/ha), Manfil 800 WP, OFA 064, Fortuna 800, Redshield 750 (1,0 kg/ha) e Cuprodil WG. O rendimento de grãos desses fungicidas multissítio foi superior ao padrão Elatus. Para os produtos trabalhados em duas doses Redshield 750 e Unizeb Gold, observou-se aumento significativo no rendimento de grãos em função do uso das doses maiores, demonstrando assim o efeito dose x resposta para esse grupo de fungicidas. Entre os fungicidas avaliados o pior desempenho no rendimento de grãos foi para Quartz SC, sendo este superior somente à testemunha não tratada.

Conclusão

O uso de fungicidas multissítio aplicados em intervalos aproximados de 10 dias apresentou controle satisfatório das principais doenças que ocorreram no ensaio.

Em termos médios os fungicidas a base de clorotalonil e mancozeb apresentaram desempenho superior no rendimento de grãos.

Com as mutações ocorridas no fungo causador da ferrugem da soja e a baixa perspectiva de lançamento de novas moléculas sistêmicas, o uso de fungicidas multissítio aplicados isoladamente em intervalos curtos pode ser uma estratégia no manejo das doenças da cultura da soja.

Referências

FRAC. Informação sobre carboxamidas em ferrugem da soja. Disponível em: <http://www.frac-br.org>. Acesso em: 25 abr. 2017.

GODOY, C.V.; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v. 31, p.63-68, 2006.

KLOSOWSKI A.C.; MAY DE MIO L.L.; MIESSNER S.; RODRIGUES R.; STAMMLER G.; Detection of the F129L mutation in the cytochrome b gene in Phakopsora pachyrhizi. Pest Management Science, v. 72, n. 6, p. 1211-1215, 2016. DOI: 10.1002/ps.4099.

TECNOLOGIAS de produção de soja – Região Central do Brasil 2014. Londrina: Embrapa Soja, 2013. 265 p. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, 16).

YORINORI, J.T.; PAIVA, W.M.; FREDERICK, R.D.; COSTAMILAN, L.M.; BERTAGNOLLI, P.F.; HARTMAN, G.L.; GODOY, C.V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005.

Informações dos autores:

1Centro de Pesquisa Agrícola da Cooperativa Agroindustrial Consolata (CPA Copacol) PR 180 km 269, CEP 85415-000 Cafelândia-PR.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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