Eficiência de inseticidas no controle do percevejo-marrom, Euschistus heros, em soja

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O objetivo do experimento foi avaliar a eficiência de diferentes inseticidas no controle do percevejo-marrom, Euschistus heros, na cultura da soja, em condições de campo.

Autores:  OLIVEIRA, J.1,; MARIANO, P.1; PEREIRA, C.1,2;THEODORO, C.1; TOMQUELSKI, G.V.1,2.

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Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A cultura da soja ocupa posição de destaque entre as culturas na região do Cerrado do Brasil, apresentando cultivo em área na ordem de 33.234,00 mil hectares (CONAB, 2016). O agroecossistema utilizado no Centro-Oeste é um ambiente favorável à multiplicação de pragas, pois prevalece um sistema de produção em que a soja é principal cultura a se estabelecer na grande maioria das áreas, podendo ser rotacionada ou não.

 

Este sistema com poucas culturas em sucessão aliado a condições climáticas favoráveis, de altas temperaturas e de inverno ameno para as pragas, tornam-se ideais para a sua multiplicação. Dentre as pragas que atacam soja, encontram-se os percevejos, os quais provocam danos significativos às plantas, vagens e grãos.

Ao sugarem ramos ou hastes, injetam toxinas que podem provocar a “retenção foliar” ou soja louca, ou seja, as folhas não caem normalmente e dificultam a colheita mecânica, já nas vagens essas ficam marrons e “chochas” (GALLO et al., 2002), exigindo ações de controle, no qual o controle químico é a principal estratégia de controle dessa praga disponível atualmente. O objetivo do experimento foi avaliar a eficiência de diferentes inseticidas no controle do percevejo-marrom, Euschistus heros, na cultura da soja, em condições de campo.

Material e Métodos

O experimento foi instalado na área experimental da Fundação Chapadão, localizada no município de Chapadão do Sul, MS, no período de 2 a 22 de fevereiro de 2016. Utilizou-se a cultivar de soja Desafio RR, com espaçamento de 0,45 metros entre linhas e densidade de 19 plantas por metro. A parcela foi constituída de 20 linhas de soja com 10 metros de comprimento cada, totalizando em 90 m2. As aplicações foram realizadas com volume de calda estabelecido em 120 L ha-1, pontas de jato cônico, modelo PJ02, sendo as temperaturas abaixo de 30 ºC e umidade acima de 75%. Os tratamentos utilizados com as doses em L ou kg p.c. ha-1 encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Inseticidas e doses utilizados no controle do percevejo-marrom (Euschistus heros) na cultura da soja em duas aplicações. Município de Chapadão do Sul/MS, 2016.1

As avaliações foram realizadas contando- -se o número de percevejos ninfas e adultos em 4 panos de batida por parcela (4 metros de linha), aos, 2, 4, 7 e 10 dias após a primeira aplicação (DAA) e aos 2, 4, 7 e 10 dias após a segunda aplicação (DA2A).
Utilizou-se o programa SASm-Agri para a análises estatísticas (CANTERI et al., 2001). A porcentagem (%) de eficiência dos inseticidas no controle da praga foi calculada pela equação de Abbott (1925). Utilizando o software estatístico SASM-Agri os dados originais do número de percevejos foram transformados em raiz, e suas médias analisadas comparativamente pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

As médias de ninfas e adultos e % eficiência encontram-se resumidos aos 0, 2, 4, 7 e 10 dias após a primeira aplicação (Tabela) 2 e aos 2, 4, 7 e 10 dias após a segunda aplicação (Tabela 3). Nas avaliações apresentadas na Tabela 2, observaram-se as maiores porcentagens de eficiência no controle de E. heros aos 2 e 4 dias após a primeira aplicação, com os tratamentos 6, 7 e 10 diferindo significativamente da testemunha.

Tabela 2. Efeito de inseticidas no controle de Euschistus heros. Número de médio de ninfas e adultos de E. heros. Média por metro e % eficiência (Abbott), aos 0, 2, 4, 7 e 10 dias após a primeira aplicação na cultura da soja. Fundação Chapadão. Município de Chapadão do Sul/MS. 2016.2

Aos 7 dias após primeira aplicação dos tratamentos 4 e 9, verificou-se maior controle entre os tratamentos, mas sem diferir significativamente da testemunha. Aos 10 dias após a primeira aplicação, os tratamentos 2 e 3 alcançaram as maiores porcentagens de controle, comparado aos demais tratamentos.

Nas avaliações de E. heros após a 2ª aplicação (Tabela 3) observou-se que, aos 2 dias após a segunda aplicação (DA2A), os tratamentos 3, 4 , 5, 6, 7, 8, 9 e 10 alcançaram eficiências entre de 83,3% até 100%, diferindo significativamente da testemunha. Aos 4 dias após a segunda aplicação, somente o tratamento 5, apresentou maior eficiência com 79,2% entre os tratamentos, mas sem diferir significativamente da testemunha.

Tabela 3. Efeito de inseticidas no controle de Euschistus heros. Número de médio de E. heros por tratamento. Média por metro e %Eficiência (Abbott), aos 2, 4, 7 e 10 dias após a segunda aplicação na cultura da soja. Fundação Chapadão. Município de Chapadão do Sul/MS. 2016.3

Aos 7 dias após a segunda aplicação, os maiores níveis controle variaram entre 75,5% a 83,7%, os tratamentos 3, 4, 5, 6 , 7 , 8 e 10 diferindo significativamente da testemunha.

Aos 10 dias após a segunda aplicação, os tratamentos 2, 3 e 4 apresentaram eficiências de controle de 83,3% e os tratamentos 8 (77,8%) e 10 (72,2%), diferindo significativamente da testemunha.

Oliveira et al. (2014) observaram que em condições com aplicações densidades populacionais  maiores que 3 percevejos por metro, os tratamentos com Bifentrina+Imidacloprido, Lambdacyhalotrina+Tiametoxan e Betaciflutrina+Imidacloprido apresentaram controle de E. heros abaixo de 80%.

Referências

CANTERI, M. G., ALTHAUS, R. A., VIRGENS FILHO, J. S., GIGLIOTI, E. A., GODOY, C. V. SASM – Agri: Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scott-Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v. 1, n. 2, p. 18-24, 2001.

CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, safra 2015/2016, sexto levantamento,
março/2016. Brasília: MAPA, 2016. 28 p. Disponível em: <http://www.conab.gov.br>. Acesso em: 05 abr. 2016.

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BATISTA, G. C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B.; VENDRAMIM, J. D.; MARCHINI, L. C.; LOPES, J. R. S.; OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920 p.

OLIVEIRA, J.F.; PEREIRA, C.;RODRIGUES, L.A.; CADAMURO,M.; TOMQUELSKI, G.V. Efeito de alguns inseticidas em altas populações de Euschistus heros na cultura da soja. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA, 34., 2014, Londrina. Resumos expandidos… Londrina: Embrapa Soja, 2014. p.73-76. (Embrapa Soja. Documentos, 353).

Informações dos autores: 

1Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão – Fundação Chapadão;

2Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Chapadão do Sul.

Disponível em: Anais da XXXV Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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