O presente experimento teve o objetivo de elaborar e testar a eficiência de um inoculante à base cinco isolados de P. chlamydosporia como promotor de crescimento vegetal, selecionados para soja no Estado do Tocantins.

Autores: CHAGAS, L.F.B.1; CHAGAS JUNIOR, A.F.1; BRAGA JUNIOR, G.M.1; AMARAL, L.R.O.1; ARRUDA, F.V.F. 2; MILLER, L.O.2; OLIVEIRA, J.C.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Alguns microrganismos apresentam capacidade de estimular o crescimento vegetal a partir de mecanismos diretos, tais como fixação biológica de nitrogênio, solubilização de fosfatos, aceleração dos processos de mineralização, produção de fitormônios e mecanismos indiretos, como indução de resistência sistêmica, produção de antibióticos e antagonismo em relação a patógenos, entre outros fatores (Oliveira et al., 2003).

Alguns estudos apontaram resultados relevantes no que diz respeito à promoção de crescimento de plantas com a utilização do fungo Pochonia chlamydosporia (Viggiano et al., 2012; Dallemole-Giaretta et al., 2015). Isolados de P. chlamydosporia também têm sido testados em soja para outras finalidades, além de promoção de crescimento e controle de nematoides. Estudos recentes mostram que a promoção de crescimento pode ser atribuída à secreção de metabólitos secundários promotores de crescimento (giberelinas, auxinas, citocininas) por um fungo na rizosfera.

O presente experimento teve o objetivo de elaborar e testar a eficiência de um inoculante à base cinco isolados de P. chlamydosporia como promotor de crescimento vegetal, selecionados para soja no Estado do Tocantins.



Os experimentos foram conduzidos na Estação Experimental da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Gurupi (11° 43’ 45” S e 49° 04’ 07” W a 278 m de altitude). Foram utilizados os isolados de P. chlamydosporia UFTP01, UFTP02, UFTP03, UFTP04 e UFTP05. A partir desses isolados foram produzidos inoculantes em laboratório para os testes em casa de vegetação. Para o preparo do inoculante, os isolados de P. chlamydosporia foram repicados e multiplicados em placas de Petri contendo meio de cultura BDA, das quais, posteriormente, foram transferidas para grãos de arroz esterilizado em autoclave. Após 21 dias de incubação, o substrato com arroz foi pesado em uma proporção de 30 g por vaso de 1,7 L e em seguida incorporado ao solo, que ficou por 7 dias submetido à irrigação para colonização do solo antecedendo a semeadura. As sementes utilizadas para o experimento em casa de vegetação foram da cultivar MSOY 8210 IPRO.

Os tratamentos foram: Inoculação de isolados de Pochonia chlamydosporia previamente selecionados (UFT-P01, UFT-P02, UFT-P03, UFT-P04 e UFT-P05) e uma testemunha sem inoculação, em delineamento experimental inteiramente ao acaso, com 4 repetições e 2 avaliações.

Aos 46 dias após a emergência (DAE) e aos 54 DAG, as plantas foram colhidas e avaliadas quanto à altura (Alt.), massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca radicular (MSR) e massa seca total (MST). Com os dados de biomassa determinou-se a eficiência relativa (ER) de cada tratamento, calculada segundo a fórmula: ER = (MSPA inoculada com cada isolado/MSPA testemunha) x 100.

Tabela 1. Altura, Massa seca da parte aérea (MSPA), Massa seca de raízes (MSR) e Massa seca total (MST) de soja (Glycine max L.) cultivar Monsoy 8210, inoculada com diferentes isolados de Pochonia chlamydosporia.

Na primeira avaliação, aos 46 DAE, todas as plantas em que foram inoculados os isolados de P. chlamydosporia tiveram aumentos (p<0,05) de altura em relação à testemunha (Tabela 1).

Na segunda avaliação, aos 54 DAE, todas as plantas inoculadas foram superiores (p<0,05) à testemunha para altura de plantas, porém os isolados não diferiram (p<0,05) estatisticamente entre si. Para a MSPA os isolados UFT-P03 e UFTP05 foram superiores (p<0,05) à testemunha.

Figura 1. Eficiência relativa de diferentes isolados de Pochonia chlamydosporia inoculados em soja cultivar Monsoy 8210 IPRO, aos 46 (A) e 54 (B) dias após a emergência, em relação à testemunha sem inoculação.


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Com os valores de MSPA obtidos na primeira avaliação (46 DAE), todos os cinco isolados apresentaram ER superior à testemunha, com destaque para o isolado UFTP05 que apresentou ER superior a 30% (Figura 1A). Na segunda avaliação, aos 54 DAE, todos os isolados, exceto UFT-P01, tiveram incremento da ER em relação à primeira avaliação. Além disso, todos os tratamentos com inoculação de P. chlamydosporia foram superiores à testemunha, com destaque para os isolados UFTP05 e UFT-P03 que tiveram os maiores valores (77% e 75% respectivamente) (Figura 1B).

A promoção de crescimento de soja pelo fungo P. chlamydosporia visualizada nesse trabalho pode estar associada à maior absorção de nutrientes pela planta, como observado com os isolados (UFT-P03 e UFT-P05), deixando a planta mais nutrida e, consequentemente, com maior altura, MSPA e ER em relação às plantas não inoculadas. Isso evidencia seu potencial agrícola, não apenas como biocontrolador, mas também por essa ação direta e indireta no desenvolvimento das plantas.

Referências

DALLEMOLE-GIARETTA, R.; FREITAS, L. G. de; LOPES, E. A.; SILVA, M. DE C. S. DA, KASUYA, M. C. M. FERRAZ, S. Pochonia chlamydosporia promotes the growth of tomato and lettuce plants. Acta Scientiarum Agronomy, v. 37, n. 4, p. 417-423, 2015.

OLIVEIRA, A. L. M. de; URQUIAGA, S.; BALDANI, J. I. Processos e mecanismos envolvidos na influência de microrganismos sobre o crescimento vegetal. Seropédica: Embrapa Agrobiologia, 2003. 40 p. (Embrapa Agrobiologia. Documentos, 161).

VIGGIANO, J. R.; FREITAS, L. G. de; FERREIRA, P. A. Resíduo da produção de Pochonia chlamydosporia no desenvolvimento de mudas e plantas de alface. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 47, n. 7, p. 983-990, 2012.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal do Tocantins – Campus de Gurupi, Gurupi, TO;

2JCO Fertilizantes, Barreiras, BA.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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