Condições ocorridas no mês de Outubro

No geral, tivemos a primeira quinzena de outubro mais chuvosa, tanto em relação à frequência das chuvas, quanto na quantidade precipitada. Já, na segunda metade do mês, houve redução nas chuvas, na metade sul do Rio Grande do Sul, pois no Norte do estado, os acumulados se mantiveram altos. No acumulado mensal, os volumes foram maiores no Norte, Nordeste e parte do Sul do Rio Grande do Sul (Imagem 1A). Já as regiões; Central, Oeste e parte da Campanha registraram chuvas abaixo do normal para o mês de outubro, com um déficit de precipitação de até 100 mm (Imagem 1B).

A redução nas chuvas teve sua parte boa e sua parte ruim. A parte boa é que muitos produtores conseguiram avançar com a semeadura e, a parte ruim, é que alguns produtores tiveram problemas no estabelecimento das lavouras, devido ao solo muito seco, tendo que banhar as áreas para não perder a lavoura.


Quer saber mais sobre Drones? Confira nosso novo curso clicando aqui.


As temperaturas mínimas estiveram superiores à média, entre 1 e 2°C, na metade Norte do estado. As máximas ficaram, no geral, dentro do normal. A exceção foi o Sul, onde as máximas ficaram entre 1 e 2°C abaixo do normal e na região metropolitana de Porto Alegre, onde as temperaturas vespertinas ficaram entre 1 e 3°C acima da média.

Imagem 1
Imagem 1 – Foto: Reprodução

Imagem 1: Mapa da precipitação acumulada (A) e anomalia (B) de precipitação em relação à Normal Climatológica para o mês de Outubro de 2018. As escalas de cores indicam o acumulado de precipitação em mm (A) e anomalia de precipitação (B), também em mm, onde valores positivos (azul) indicam precipitação acima da média e valores negativos (laranja) indicam precipitação abaixo da média. Fonte: Adaptado de CPTEC/INPE

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas

 O Oceano Pacífico Equatorial continua sob Neutralidade climática, mas o aquecimento aumentou em relação a setembro e a tendência é de que atinja seu ápice em dezembro (Imagem 2, ver área do retângulo-Niño3. 4). Em outubro, a anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região do Niño3.4 foi de +0,9°C, ou seja, atingiu o valor mínimo para falarmos em El Niño, que é de, no mínimo 0,5°C. Porém, o último trimestre ainda ficou com anomalia +0,4°C. A partir de agora precisamos que o aquecimento continue, para que o El Niño aconteça.

O retângulo na Imagem 2 mostra a região do Niño3.4, região que os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña).A área marcada pelo círculo, no Oceano Atlântico Sul, mostra que a região está com temperaturas acima do normal, já há alguns meses. O aquecimento nesta região confere uma condição de maior temperatura e umidade do ar, o que favorece as chuvas, principalmente na metade Leste do Rio Grande do Sul.

Imagem 2
Imagem 2 – Foto: Reprodução

Imagem 2: Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar no mês de Outubro de 2018. Fonte: Adaptado de CPTEC

A tendência para Novembro é de que a temperatura do Oceano Pacífico continue em elevação e o Oceano Atlântico Sul continue com temperaturas acima do normal. Agora toda a extensão do Oceano Pacífico tem se apresentado mais aquecida, embora a parte próxima à Costa da América do Sul ainda não esteja com um padrão bem definido, apresentando ora temperaturas mais altas, ora temperaturas mais amenas. A variação da temperatura nessa região pode ter algum efeito não esperado nas chuvas no Sul do Brasil, como por exemplo, períodos secos intercalados com períodos de chuva.

A maioria dos modelos projeta que o pico do aquecimento do Oceano Pacífico acontecerá durante o verão, com isso teríamos um El Niño, provavelmente de fraca intensidade e curta duração.

Previsão para a precipitação nos próximos três meses

A previsão de probabilidades do IRI (International Research Institute for Climate and Society, da Universidade de Columbia-EUA) aumentou para 84% de chance de formação do El Niño no trimestre Nov-Dez-Jan. Com relação às chuvas, o IRI prevê que a precipitação fique acima do normal no trimestre Nov-Dez-Jan em grande parte do Rio Grande do Sul.

O modelo do INMET/UFPel prevê para Novembro (Imagem 3B) um padrão de chuvas acima do normal em todo o estado, mas com os maiores volumes para as regiões Oeste e Campanha. Ressalta-se que essa chuva pode acontecer de forma concentrada, em 3 ou 4 episódios, ou seja, a chuva acontece, porém intercalada com períodos maiores de tempo seco. Já Dezembro (Imagem 3E), o modelo prevê chuvas bem acima do normal, podendo passar dos 130 mm, em relação à Normal Climatológica, nas regiões Oeste e Noroeste (parte em verde mais escuro no mapa). Janeiro deve se apresentar com chuvas dentro da normalidade. Mas atenção, pois janeiro é aquele mês em que podem acontecer pequenas estiagens regionalizadas, independente de termos El Niño ou não.

Com relação às temperaturas, elas devem ficar entre o normal e um pouco acima do normal.

Imagem 3
Imagem 3 – Foto: Reprodução

Imagem 3: Normal Climatológica (A, D e G), anomalia de precipitação INMET/UFPel (B, E, H) e anomalia de precipitação NMME/NOAA (C, F, I), para os meses de Novembro e Dezembro de 2018 e Janeiro de 2019, respectivamente, para o estado do Rio Grande do Sul. Fonte: Adaptado de CPPMet-UFPel/INMET

 Com as informações acima, o que podemos esperar para os próximos meses?

  • Novembro: O corredor de umidade migra da região Sul para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Com isso, enquanto chove lá, não chove aqui, como já aconteceu em momentos do mês de Outubro. Ou seja, haverá chuvas em Novembro, e que podem ficar acima da média, mas serão mais concentradas. Com isso a chuva ocorre em períodos curtos e em maior volume. As temperaturas têm estado mais altas, favorecendo que o solo seque mais rápido e os produtores consigam implementar suas lavouras.
  • Dezembro/Janeiro: São meses com maior variação nas chuvas, ou seja, podem apresentar tanto um padrão mais chuvoso ou mais seco, com estiagens curtas (15-20 dias). No entanto, se o aquecimento do Oceano Pacífico continuar, poderemos ter algum transtorno com as chuvas em Dezembro. Por isso, acompanhar a previsão de clima e do tempo se faz muito importante nesses momentos.
  • Fevereiro/Março:
    • Se o período de Neutralidade continuar, o produtor deve ficar atento para a entrada de frentes frias, que podem trazer temporais de granizo e chuvas intensas, principalmente em Março, mês de transição entre a estação quente e fria do ano. Além disso, quando a atmosfera está em Neutralidade climática, as chuvas podem ficar tanto dentro, quanto acima ou abaixo do normal.
    • Se o El Niño Canônico/Clássico se configurar, a tendência é termos mais chuvas, principalmente para a segunda quinzena de fevereiro em diante. Portanto, o produtor deve ficar atento e acompanhar a atualização da previsão climática para não correr riscos.

Sobre a autora: Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

Texto originalmente publicado em:
IRGA
Autor: Jossana Cera

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.