Ensaio brasileiro de cultivares recomendadas de Aveia Branca, Três de Maio, RS, 2017

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Com objetivo de conhecer a adaptação das cultivares recomendadas de aveia branca às condições edafoclimáticas do município de Três de Maio, RS, é que se realizou o presente estudo

Autores: Marcos Caraffa1; Cinei Teresinha Riffel2; Emerson Antunes Carneiro3; Gilson Preussler Witczack3; Marlon Eduardo Zawacki3

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Em um sistema de produção de grãos, a aveia é uma cultura que se destaca, assim como em sistema de integração lavoura/pecuária, no sul do Brasil, especialmente quando considerada sua importância nos sistemas de semeadura direta e de rotação de culturas, tão necessários à sustentabilidade dos processos produtivos primários, uma vez que suas atuais cultivares tem alta capacidade de produção de palha, com alta relação carbono/nitrogênio (COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 2006).

Segundo a Comissão Brasileira de Pesquisa de Aveia (2003), este cereal é cultivado para produção de grãos, forragem verde, cobertura verde/morta de solo e como matéria-prima para elaboração de silagem e feno, especialmente utilizados na alimentação de bovinos de leite.

Sua importância para o consumo humano é notável se considerada a preocupação com a qualidade de vida das pessoas, uma vez que fornecedora de fibras, as quais se constituem paradoxo, pois, apesar de não alimentarem, são essenciais à saúde. Segundo Credidio (2007), elas constituem-se em importante elemento das dietas alimentares, já que geram saciedade, reduzem o colesterol, controlam a glicose, facilitam a digestão e fazem o intestino funcionar melhor. Nesse sentido, a aveia ocupa um lugar de destaque, uma vez que possível de ser consumida em diversas formas, sobretudo de flocos.

Com objetivo de conhecer a adaptação das cultivares recomendadas de aveia branca às condições edafoclimáticas do município de Três de Maio, RS, é que se realizou o presente estudo.

A pesquisa, conduzida na Área de Pesquisa SETREM, no município de Três de Maio, RS, teve caráter quantitativo, com procedimento laboratorial, estatístico e comparativo (LIMA, 2004). A coleta de dados foi efetuada por observação direta intensiva e testes de aferição de pesos e medidas (LAKATOS; MARCONI, 2006), sendo que o tratamento dos mesmos foi efetuado utilizando médias, desvio padrão e teste de Tukey (LIMA, 2004), com auxílio do programa XLStat your data analysis solution (ADDINSOFT, 2014). No ano em epígrafe foram avaliadas 19 cultivares, em delineamento experimental de blocos ao acaso, com parcelas subdivididas, sendo a parcela principal com e sem aplicação de fungicida e as subparcelas os cultivares, com 3 repetições.

Cada parcela foi instalada em 5 linhas de 5 metros de comprimento, espaçadas de 0,20 m, sendo colhidos 4 metros centrais das três linhas internas, numa área útil de 2,4 m2 . Nas parcelas que receberam controle fungicida foram efetuadas três aplicações de tebuconazole (Solist 450 SC – 350 mL ha-1), nas datas de 14/08, 13/09 e 29/09. Nos dias 13 e 29/09 foi efetuado controle de pulgões com aplicação de tiametoxan + lambda-cialotrina (Engeo Pleno – 50 mL ha-1).

Estabelecimento em sistema de semeadura direta, após cultura da soja, usando semeadoura de parcelas, a semeadura foi efetuada em 01 de junho (emergência plena em 09 de junho), com densidade de 300 sementes aptas por metro quadrado. No sulco de cultivo, conforme padrões apontados pela análise de solo, foi aplicada adubação com 180 kg ha-1 da fórmula 10-20-20. A adubação de cobertura, com 60 kg ha-1 de nitrogênio na forma de ureia, foi parcelada em duas aplicações de 30 kg ha-1, em 17 de julho e 03 de agosto. Em 10 de julho foi feita uma aplicação de metsulfuron-metil (Ally – 4 g ha-1).

Os resultados relativos ao rendimento de grãos não desaristados e ao peso do hectolitro (PH) foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos significativos foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de significância (Tabela 1). Nos demais resultados (Tabela 2), os cultivares foram comparados com a média mais um desvio padrão (superior – S) e a média menos um desvio padrão (inferior – I).

Tabela 1. Rendimento de grãos não desaristados (RG) e peso do hectolitro (PH) do Ensaio Brasileiro de Cultivares Recomendadas de Aveia Branca com e sem fungicida, Três de Maio, RS, 2017.

Quanto ao rendimento de grãos, no tratamento com fungicida (média de 2.631 kg ha-1), coube destaque a cultivar URS Charrua (3.239 kg ha-1), sem diferença significativa para com outros nove genótipos (URS Taura, URS Altiva, URS Corona, URS Tarimba, URS Guará, URS Brava, FAEM 5 Chiarasul, URS 21 e Barbarasul). No tratamento sem fungicida (média de 1.857 kg ha-1), o destaque também ficou com a cultivar URS Charrua (2.777 kg ha-1), o qual não se diferenciou estatisticamente do resultado gerado por outros dois materiais (URS Brava e URS Altiva). No quesito peso do hectolitro (PH), tanto com como sem fungicida (média, respectivamente de 44,71 e 42,76 kg hL-1) o destaque coube ao genótipo URS Altiva (respectivamente, 51,23 e 50,53 kg hL-1), sem diferenciar-se do cultivar URS Brava (50,60 kg hL-1) no tratamento com fungicida e diferenciando-se de todos os demais resultados no tratamento sem fungicida.

Referente ao período de dias entre a emergência e a floração, no tratamento com fungicida (média 84,9 dias) apresentaram resultado superior os genótipos UPFA Ouro (91 dias), IPR Afrodite e Brisasul (ambos com 89 dias) e resultado inferior o URS Altiva (75 dias) e URS Taura (80 dias). Já, no tratamento sem fungicida (média 84,1 dias), resultado superior foi apresentado pelas cultivares UPFA Ouro (91 dias) e FAEM 4 Carlasul (89 dias) e Brisasul (88 dias), com resultado inferior gerado pela URS Altiva e URS Taura (76 e 80 dias, respectivamente).

Em relação ao período de dias entre a emergência e a maturação, no tratamento com fungicida (média 133,7 dias), resultado superior foi detectado nas cultivares UPFPS Farroupilha, UPFA Fuerza, IPR Afrodite (ambas com 139 dias), Barbarasul e FAEM 5 Chiarasul (ambas com 138 dias), com resultado inferior ocorrendo URS Taura, URS Tarimba e URS Charrua (ambas com 129 dias). No tratamento sem fungicida (média 126,7 dias), resultado superior foi gerado pelos genótipos UPFA Fuerza (131 dias), UPFPS Farroupilha, IPR Afrodite e FAEM 5 Chiarasul (ambos com 129 dias), com resultado inferior ocorrendo no URS Taura (122 dias) e URS Altiva (124 dias).

Quanto ao período decorrido entre a floração e a maturação, no tratamento com fungicida (média 48,8 dias), resultado superior ocorreu nas cultivares UPFPS Farroupilha (56 dias), UPFA Fuerza, URS Altiva (ambas com 55 dias) e Barbarasul (54 dias), sendo resultado inferior gerado na URS Tarimba (43 dias) e URS Corona (44 dias). No tratamento sem fungicida (média 42,6 dias), resultado superior no quesito ocorreu nos genótipos UPFA Fuerza e URS Altiva (ambos com 48 dias), com resultado inferior ocorrendo no UPFA Ouro (37 dias), Brisasul (38 dias), FAEM 4 Carlasul e URS Corona (ambas com 39 dias). No tratamento com fungicida, estatura de planta (média 76,1 cm) superior foi apresentada pelas cultivares URS Charrua (93 cm), UPFA Ouro (87 cm) e UPFA Gaudéria (85 cm), com resultado inferior ocorrendo na URS Taura (62 cm) e na IPR Artemis (65 cm).

No tratamento sem fungicida (média 77,3 cm), resultado superior ocorreu nos genótipos URS Charrua (94 cm) e FAEM $ Carlasul (87 cm), com resultado inferior ocorrendo no URS Taura (64 cm) e no IPR Artemis (65 cm).

Os demais dados do Ensaio Brasileiro de Cultivares Recomendadas de Aveia Branca, com e sem fungicida, conduzido em Três de Maio, RS, referentes ao percentual de grão com mais de 2 mm de espessura, massa de mil grãos (g), severidade da ferrugem da folha no estádio de grão leitoso (%), incidência de ferrugem do colmo na fase reprodutiva (%), severidade de manchas foliares na folha bandeira na fase de grão leitoso (%), VNAC na floração (%) e acamamento de plantas no estádio de maturação (%) encontram-se explicitados na Tabela 2.

Tabela 2. Dias da emergência à floração (DEF), dias da emergência à maturação (DEM), dias da floração à maturação (DFM), estatura de plantas (EP), grãos com mais de 2 mm de espessura, massa de mil grãos (MMG), reação à ferrugem da folha (FF), ferrugem do colmo (FC), manchas foliares (MF), vírus do nanismo amarelo da cevada (VNAC) e acamamento no Ensaio Brasileiro de Cultivares Recomendadas de Aveia Branca, com e sem fungicida, Três de Maio, RS, 2017.

Referências Bibliográficas:

ADDINSOFT. XLStat your data analysis solution. Lausanne: Addinsoft, 2014. 1-CD-ROM. COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA. Indicações técnicas para cultura da aveia: grãos e forrageira. Passo Fundo: UPF, 2003. 88 p.

Indicações técnicas para cultura da aveia. Guarapuava: Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, 2006. 84 p.

CREDIDIO, E. A importância das fibras alimentares. Disponível em: http://londrinatecnopolis.org.br/novoportal/noticias/shownews.asp.>. Acesso em 30 jul. 2007.

LAKATOS, E.M.; MARCONI, M.A. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006. 312 p.

LIMA, M. Monografia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva, 2004. 210 p.

Informações dos autores:  

¹ Eng. Agrônomo, M.Sc., Professor da Faculdade de Agronomia – SETREM .

2 Engª. Agrônoma, Drª, Professora da Faculdade de Agronomia – SETREM;

3 Acadêmico, Faculdade de Agronomia da SETREM, Três de Maio, RS.

Disponível em: Anais do XXXVIII REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, Ijui – RS, Brasil, 2018.

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