Ensaio brasileiro de cultivares recomendadas de aveia no Oeste do Paraná, 2017

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O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho de 19 cultivares de aveia branca granífera  na região Oeste do Paraná com e sem aplicação de fungicida

Autores: Elir de Oliveira1, Ronaldo Hissayuki Hojo2, Dionathan Willian Lujan3

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A área de produção de aveia branca granífera destinada à alimentação humana e animal tem aumentado no Paraná nos últimos anos atingindo 58.450 hectares (SEAB/DERAL, 2016).  Portanto, a avaliação regional de desempenho de cultivares de aveia nas regiões produtoras são fundamentais para o planejamento da propriedade e permitem a recomendação das novas cultivares pela assistência técnica e a adoção pelos produtores. O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho de 19 cultivares de aveia branca granífera (Avena sativa) na região Oeste do Paraná com e sem aplicação de fungicida.

O experimento foi conduzido no IAPAR – Polo Regional de Pesquisa Oeste, no município de Santa Tereza do Oeste, situado nas coordenadas geográficas latitude 25º 03’ 08’’ S, longitude 53º 37’ 59’’ W, altitude de 749 m, em clima classificado como Cfa (IAPAR, 1994) e solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico com as seguintes características químicas: pH= 5,4; P= 12,6 mg dm-3 ; C= 36,8 g dm-3 ; Al= 0,00; H+Al3= 5,66; Ca= 8,5; Mg= 2,5; K= 0,75 cmolc dm-3 e V= 67%.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso com três repetições, em parcelas subdivididas, sendo a parcela principal de tamanho 1,2 m x 5,0 m, constituída pelos tratamentos com e sem fungicida e a subparcelas pelas cultivares. A semeadura foi realizada em 16/05/2017 e a emergência ocorreu 7 dias após. Como adubação foi utilizado 100 kg ha-1 do fertilizante MAP na base e 60 kg ha-1 de N em cobertura através ureia protegida no perfilhamento.

Durante o período experimental as condições climáticas foram desfavoráveis. Desde a fase inicial até aos 35 dias após a emergência houve excesso de chuvas, baixa luminosidade e atividade fotossintética reduzida. Após esse período, por dois meses, não houve precipitação pluvial. Por conta dessas condições, a pressão por doenças fúngicas ocorreu em menor escala em comparação ao ano anterior. Foram realizadas duas aplicações de fungicida (tebuconazole – 150g i.a. ha-1) na data de 20/07/2017 e 22/08/2017, sendo que a primeira aplicação foi realizada quando as pústulas da ferrugem atingiram severidade de 5% da área foliar de uma cultivar.  A leitura da severidade da incidência de ferrugem foi realizada no estádio de grão leitoso ou nº de escala 89, conforme Zadoks (1974).

Foram procedidas as seguintes avaliações: rendimento de grãos desaristados, estatura de planta, acamamento, ferrugem da folha (incidência e severidade por ocasião das primeiras pústulas e no estádio de grão leitoso), dias da emergência ao florescimento, dias da emergência à maturação. Os resultados de rendimento de grãos foram submetidos à análise de variância e as médias das cultivares foram agrupadas pelo teste de Scott-Knott.

Conforme Tabela 1, a média produção média das cultivares para o tratamento com fungicida foi de 3.035 kg ha-1 e a média para o tratamento sem fungicida foi de 2836 kg ha-1. Cada grupo analisado pelo teste Scott-Knott não apresentou diferença estatística entre as cultivares.

Tabela 1. Dados médios de rendimento de grãos, produção relativa e acamamento para diferentes cultivares de aveia, IAPAR – Polo de Pesquisa Oeste – PR, 2017.

Com relação ao acamamento, as cultivares que receberam o controle da ferrugem não apresentaram sinais de acamamento. Para o tratamento onde as cultivares não receberam controle contra ferrugem, não houve acamamento apenas na cultivar URS Altiva. As cultivares que tiveram acamamento em até 5% foram: URS Fuerza, IPR Afrodite, IPR Artemis, Carlasul, URS Taura, URS Brava e URS Guará. As cultivares que apresentaram até 10% de acamamento foram: UPFA Gaudéria, UPFPS Farroupilha, UPFA Ouro, Barbarasul, Brisasul, URS Tarimba, URS Charrua, URS Estampa.

Os materiais que apresentaram até 15% de acamamento foram: URS Corona, Chiarasul e URS 21. Comparando dos dados de acamamento das culturas com a respectiva estatura de planta os fatores não estão direta e obrigatoriamente relacionados entre si.

Devido às condições climáticas caracterizadas por ausência de chuvas, as doenças foliares como ferrugem da folha (Puccinia coronata) apresentaram índices menores de ataque comparado aos dados obtidos por Oliveira et al. (2014), além do encurtamento do ciclo em duas semanas. Conforme a Tabela 2, para o tratamento sem fungicida as únicas cultivares que não apresentaram qualquer sintoma de ferrugem foram: UPFA Ouro, URS Altiva e URS Fuerza.

Tabela 2. Dados médios de peso de mil grãos (PMG), ferrugem da folha (FF) e ciclo de cultivares de aveia, IAPAR-Polo de Pesquisa Oeste – PR, 2017.

As cultivares que apresentaram até 5% de ferrugem foram: FAEM 4-Carlasul, URS Brava e Guará. As que apresentaram até 10% de ataque foram: UPFA Gaudéria, UPFA Farroupilha, IPR Afrodite, IPR Artemis, Barbarasul, Brisasul, URS 21, URS Tarimba, URS Charrua, URS Corona. As que apresentaram 15%, ou mais, de ferrugem foliar foram: URS Taura, Chiarasul e URS Estampa.

As informações sobre susceptibilidade das cultivares às doenças, especialmente ferrugem da folha, é fundamental para tomada de decisão da assistência técnica para que novos materiais sejam adotados pelos produtores em substituição aos cultivares mais antigos e mais susceptíveis.

Referências Bibliográficas

IAPAR- Instituto Agronômico do Paraná. Cartas Climáticas do Paraná. 1994. Londrina: IAPAR, IAPAR. 49 p.

OLIVEIRA, E. de; HOJO. R.H.; ULIANA, M.R. Ensaio brasileiro de cultivares recomendadas de aveia no Oeste do Paraná. In: Reunião da Comissão BRASILEIRA de Pesquisa de Aveia, 34, 2014, Castro. Anais… Castro: Fundação ABC, 2014. 1 CD-ROM.

SEAB/DERAL, 2016.  Disponível em: www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/AnaliseVBP2015ResumidaVD.pdf> Acesso em      20 fev 2018.

ZADOKS, J.C.; CHANG, T.T.; KONZAK, C.F. A decimal code for the growth stages of cereals. Weed Research. 14:415-421.1974.

Informações dos autores:  

1Eng. Agr., Doutor, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR;

2Eng. Agr., Doutor, Pesquisador do IAPAR;

3Téc. Agríc., IAPAR.

Disponível em: Anais do XXXVIII REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, Ijui – RS, Brasil, 2018.

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