Entenda como produzir etanol a partir do excedente da produção de milho

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Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Brasil é um grande produtor de milho, com mais de 106 milhões de toneladas colhidas na safra 2016/17  – e a tendência é que haja um crescimento ainda maior ao longo dos próximos anos. Graças a essa alta produção, a oferta de milho no Brasil é considerada bastante superior ao consumo interno, que no ano passado representou 66,7% da produção. O armazenamento poderia ser uma opção para esse excedente, porém, os armazéns preferem a soja, que tem maior valor agregado se comparada ao milho.

Assim, uma solução para aproveitar os grãos excedentes precisa ser ponderada. Porém, ela deve ser lucrativa a ponto de gerar renda e empregos para os trabalhadores da agroindústria. E qual poderia ser essa solução? Uma das opções que vem chamando a atenção do mercado é a produção do Etanol de Milho, prática bastante utilizada nos Estados Unidos e que vem conquistando cada vez mais entusiastas no Brasil.

Porque produzir Etanol de Milho?

Nos últimos anos, o milho vem surgindo como uma forte opção para produção de etanol, pois este produto oferece vantagens características e particulares que o indicam como uma ótima forma de gerar etanol.

A primeira vantagem relaciona-se à capacidade de armazenamento da matéria prima. O milho pode ser armazenado por mais tempo para uma futura conversão em etanol, diferentemente da cana-de-açúcar que precisa ser processada imediatamente, para que não perca suas taxas de açúcares, a qualidade, etc.

Além disso, hoje em dia há a constatação de que algumas usinas estão com sérias dificuldades de produção, principalmente no período de entressafra – onde há ociosidade das indústrias sucroenergéticas, já que não possuem matéria prima (cana-de-açúcar) para moagem.

O excedente do milho poderia ser o responsável por suprir essas altas demandas do mercado.

Por fim, o processo industrial da produção de Etanol do milho é relativamente simples, de condução mais fácil e menos exigente que o da cana. Os mesmos operadores da planta de cana podem operar o milho, com ainda mais facilidade.

Qualquer variedade de milho pode ser usada na produção de etanol?

Muitos produtores podem se perguntar se o mesmo milho que é plantado para ração animal ou para exportação pode ser utilizado como matéria prima para produção de etanol. A resposta é sim, mas isso tende a mudar!

Segundo a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (Empresa Brasileira de pesquisa Agropecuária) Maria Cristina Dias Paes, a maior parte dos cultivares de milho plantados no Brasil apresentam grãos semi-duros ou semi-dentados, mas há ainda produção de milho do tipo dentado e duro.

Atualmente, o mesmo milho destinado à exportação e alimentação de animais (rações) está sendo processado para etanol, embora a pesquisa ainda avance na identificação de matéria prima (grãos) mais adequada aos processos atualmente praticados nas usinas flex (cana-de açúcar/milho) ou exclusiva (milho)”, explica.

De acordo com a pesquisadora, nas áreas de produção há pequena segregação e não existe ainda produção de materiais que apresentem perfil mais adequado à indústria de etanol de milho, mesmo porque somente em 2015 foram publicados os primeiros resultados de estudos com foco na qualidade de milho para etanol.

A tendência é que nos próximos anos, possivelmente irá ocorrer mudanças na especificidade do milho a ser plantado em regiões onde as unidades fabris estão instaladas (MT e GO), atendendo a demanda industrial.

Por enquanto, a produção não precisa de nenhuma adaptação

Maria Cristina cita que inicialmente não há a necessidade de adaptar a produção para que ela seja exclusiva à produção de etanol do milho.

Considerando os híbridos e variedades disponíveis no mercado, não será necessário adaptar a produção para o etanol até que informações de qualidade de grãos dos cultivares, especialmente rendimento de etanol, concentração de óleo e proteína sejam disponibilizadas pela pesquisa”.

Entretanto, a pesquisadora explica que a armazenagem necessita atender às exigências das indústrias de etanol de milho: “Danos aos grãos na pós-colheita afetam o rendimento da qualidade do óleo, dos grãos destilados e do etanol de milho, produtos de valor agregado obtidos no processo”.

Principais desafios a serem enfrentados neste cenário

São vários os desafios enfrentados pelos empresários que buscam iniciar ou ampliar a produção de etanol de milho. No entanto, é quase que consenso que o principal desafio é aumentar a capacidade de envolvimento de todos os grupos do setor.

Produtores de milho e usineiros (aqueles responsáveis pela produção de etanol), grupos sucroalcooleiros e demais responsáveis precisam estar em total sintonia, principalmente os grupos sucroalcooleiros, que precisam se estabelecer nas novas fronteiras de produção de cana e que podem contar com a ajuda adicional do milho como matéria-prima.

Outro desafio a ser enfrentado relaciona-se ao custo. No Brasil, gerar etanol de milho é mais caro que o etanol tradicional, por esta razão há a necessidade de agregar valor ao produto. Segundo as usinas, produzir etanol a partir do milho é economicamente viável para valores da saca abaixo de R$20 – e hoje isso só acontece no Mato Grosso.

Dessa forma, para viabilizar tais usinas, a melhor saída será a adoção do conceito de ‘multiproduto’, ou seja, a produção conjugada de DDG (nutrição animal), óleo, entre outros, devem se agregar à produção de etanol de milho.

Fonte: Agrishow Digital, o canal de conteúdo digital da Agrishow.

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Texto originalmente publicado em:
Agrishow Digital
Autor: Redação Agrishow

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