O objetivo desse trabalho foi definir a produtividade potencial, experimental e das melhores lavouras de soja em terras baixas no Rio Grande do Sul em função da época de semeadura e identificar qual período que minimiza a lacuna entre os diferentes níveis de produtividade.

Autores: MARQUES DA ROCHA, T.S.1; STRECK, N.A.1; GIOVANA, G.R.1; WEBER, P.S.1; ZANON, A.J. 1; RICHTER, G. L.1; DUARTE, A.1; TAGLIAPIETRA, E. L. 1; DA SILVA, M. R.1; BEXAIRA, K. P.1; LANDSKRON, G. R2; MILANESI, R.1; PUNTEL, S. 1; ANDRADE, F1; SCHUTZ, R. P. 1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A crescente demanda por alimentos no mundo apresenta como principal alternativa a necessidade de aumentar a produtividade das culturas agrícolas, onde a cultura da soja (Glycine max (L.) Merril), surge com papel central. A definição de potenciais de produtividade e das lacunas existentes entre os potenciais e os diferentes níveis de produtividade (experimental, melhores produtores e média de determinada região) permite conhecer a capacidade produtiva de um sistema e auxiliar na identificação dos fatores que causam as lacunas existentes (LOBELL et al., 2009).

Nos últimos anos ocorreu a ampliação significativa na área de soja cultivada em rotação com o arroz irrigado no Estado do Rio Grande do Sul (IRGA, 2017), motivada principalmente pelo benefício que a leguminosa traz ao sistema de produção. A maior limitação encontrada para cultivos de sequeiro, como é o caso da soja, nessas áreas orizícolas é a característica de hidromorfismo e a camada compactada presente principalmente em planossolos e gleissolos onde o arroz irrigado vem sendo cultivado ao longo dos anos. Essas características limitam o desenvolvimento do sistema radicular e favorecem a ocorrência de déficits e excessos hídricos (BORGES et al., 2004; MARQUES DA ROCHA et al., 2017).

Resultados de soja em terras altas para o estado do Rio Grande do Sul mostram que as maiores produtividades são observadas em semeaduras que ocorrem de 20 de setembro até 4 de novembro (ZANON et al., 2016), porém é necessário conhecer a produtividade em função da época de semeadura para as áreas de terras baixas do Estado. O objetivo desse trabalho foi definir a produtividade potencial, experimental e das melhores lavouras de soja em terras baixas no Rio Grande do Sul em função da época de semeadura e identificar qual período que minimiza a lacuna entre os diferentes níveis de produtividade.

Para estimar a produtividade potencial da cultura foi utilizado o modelo CSM CROPGRO (HOOGENBOOM et al., 2004), que foi rodado para 19 pontos equidistantes distribuídos nas regiões orizícolas do estado. As rodadas foram realizadas com três cultivares previamente calibradas, abrangendo os principais grupos de maturidade relativa utilizadas no estado.

Experimentos de campo foram conduzidos com a cultura da soja nos anos agrícolas 2014/2015, 2015/2016 e 2016/2017 em Alegrete, Palmares do Sul, Santa Vitória do Palmar, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Itaqui, Uruguaiana e Pelotas, em áreas de rotação com o arroz irrigado. Ao longo dos três anos agrícolas, oito locais, e 31 datas de semeadura (distribuídas de 30/9 até 19/01), foram utilizadas um total de 19 cultivares de soja. Essas cultivares foram selecionadas por representar os diferentes grupos de maturidade relativa e tipo de crescimento disponíveis no mercado.

Foram levantados dados de 73 lavouras de soja em rotação com arroz irrigado para definir as maiores produtividades de lavouras em função da data de semeadura. A metodologia utilizada para determinar as curvas das melhores produtividades experimentais e das lavouras em função da data de semeadura foi pela definição da Função-Limite Superior, conforme Zanon et al. (2016) e French & Shultz (1984).

Semeaduras realizadas entre 15/10 e 15/11 permitem atingir os melhores valores de produtividade, seja no nível potencial, experimental e de lavoura comercial (Figura 1). Após esse período tem-se uma perda na produtividade que pode chegar a 50 kg dia-1 para áreas de maior potencial.

Figura 1. Níveis de produtividades (Potencial, Experimental, Melhores lavouras e produtividade média) para a soja em rotação com o arroz irrigado em função da data de semeadura a partir do dia 20 de Setembro no estado do Rio Grande do Sul.

A menor lacuna de produtividade entre a produtividade potencial e a atingível em lavouras também ocorre nesse período preferencial. Conforme ocorre o afastamento das datas de semeadura em relação a esse período, ocorre um aumento nas lacunas (diferenças entre os níveis). O aumento nas lacunas é mais pronunciado entre as produtividades de lavouras e a produtividade potencial do que entre o nível experimental e o potencial.


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Ao considerar as produtividades para o período de 15/10 a 15/11, que está de acordo com a realidade produtiva de grande parte dos produtores e que permite as melhores produtividades atingíveis em lavouras, tem-se uma média de produtividade de 4.5 Mg/ha para a função limite dessas melhores lavouras (Figura 2). Esse valor representa 75% da produtividade potencial (6 Mg/ha). Valor muito próximo de 80% que serve como indicador de que um sistema produtivo que está em máxima eficiência ambiental e econômica (GRASSINI et al., 2015).

Figura 2. Produtividade Potencial, Produtividade atingida experimentalmente, produtividades das melhores lavouras e produtividade média de soja em rotação com o arroz irrigado para o período de 15 de Outubro a 15 de Novembro no Rio Grande do Sul.

Apesar de que alguns poucos produtores atingem altas produtividades nesse sistema, existe uma grande lacuna entre a média geral das áreas de soja em rotação com o arroz irrigado e a produtividade potencial. A média geral (2.1 Mg/ha) representa 35% do potencial para o período preferencial de 15/10 até 15/11.

Referências

BORGES, J.R. et al. Resistência à penetração de um gleissolo submetido a sistemas de cultivo e culturas. Revista Brasileira de Agrociência, v.10, n.1, p. 83-86, 2004.

FRENCH, R.J.; SCHULTZ, J.E. Water use efficiency of wheat in a Mediterraneantype environment. I. The relation between yield, water use and climate. Australian Journal of Agricultural, v. 35, p. 743–764, 1984.

GRASSINI, P.; TORRION, J.A.; YANG, H.S.; REES, J.; ANDERSEN, D.; CASSMAN, K.G.; SPECHT, J.E. Soybean yield gaps and water productivity in the western U.S. Corn Belt. Field Crops Research, v.179, p.150-163, 2015.

HOOGENBOO, M.G.; JONES, J.W.; WILKENS, P.W.; PORTER, C.H.; BATCHELOR, W.D.; HUNT, L.A.; GIJSMAN, A.J. Decision support system for agrotechnology transfer version 4.0. University of Hawaii, Honolulu, HI (CD-ROM), 2004.

IRGA. Soja 6000: Manejo para alta produtividade em terras baixas. Porto Alegre: Gráfica e Editora RJR, 2017.

LOBELL, D.B.; CASSMAN, K.G.; FIELD C.B. Crop yield gaps: their importance, magnitudes and causes. Review of Environment and Resources, v. 34, p. 179-204, 2009.

MARQUES DA ROCHA, T. S. et al. Performance of soybean in hydromorphic and nonhydromorphic soil under irrigated or rainfed conditions. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.52, n.5, p.293-302, maio 2017.

ZANON, A.J.; STRECK, N.A.; GRASSINI, P. Climate and management factors influence soybean yield potential in a subtropical environment. Agronomy Journal, v. 108, n. 4, 2016.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Santa Maria, RS;

2Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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