O objetivo desse trabalho foi verificar a velocidade de emergência de sementes de soja em diferentes épocas de semeaduras.

Autores:  Eduardo Lago Tagliapietra1; Alencar Junior Zanon2; Patric Scolari Weber1; Kelin Pribs Bexaira1 e Francisco Tonetto3.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O Brasil é responsável por 28% da produção mundial de soja, produzindo em torno de 118 milhões de toneladas de grãos anualmente (CONAB, 2018). A produtividade média da soja no Brasil aumentou ao longo das últimas décadas, passando de 1,5 Mg ha-1 (1976-1981) para 2,9 Mg ha-1 (2010-2014) (IBGE, 2015). O Rio Grande do Sul (RS), localizado no sul do Brasil, é o terceiro maior produtor de soja do país, com 17% da produção nacional e, durante a última safra, teve rendimento médio de 3,0 ton.ha-1 (CONAB, 2018).

Durante os últimos anos, há um aumento da área cultivada com soja no RS, sobretudo devido a: (i) semeadura antecipada, que permite duas safras de verão por ano, e (ii) introdução de soja em áreas de várzea tipicamente utilizadas para cultivo de arroz irrigado (ZANON et al., 2015). Apesar do aumento contínuo no rendimento médio de soja durante os últimos anos, existe uma grande lacuna entre os rendimentos observados em experimentos (5,5-6,9 Mg ha-1 ) e a produtividade média atual (3,0 ton.ha-1) (BATTISTI et al., 2013).

Nesse sentido, entende-se que a velocidade de emergência das plântulas, que é variável de acordo com a época de semeadura, apresenta grande influência na produtividade potencial da soja. Em condições de umidade do solo adequada, a duração do sub período semeadura-emergência é determinada pela temperatura do solo, em que as temperaturas ideias devem oscilar entre 20 a 35ºC (ZANON et al., 2018).

Semeaduras no início do período recomendado (outubro) apresentam menor velocidade de emergência das plântulas em função das baixas temperaturas, exigindo maior vigor das sementes para que ocorra uma germinação uniforme, além da necessidade de se fazer o tratamento de sementes para proteger contra-ataque de insetos praga e doenças (ZANON et al., 2016). Desta maneira, o objetivo desse trabalho foi verificar a velocidade de emergência de sementes de soja em diferentes épocas de semeaduras.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria – RS durante a safra agrícola 2017/2018. O delineamento utilizado foi de blocos ao acaso com quatro repetições, sendo o tamanho das parcelas de 12,60 m² e espaçamento entre linhas de 0,45 cm. A adubação e o manejo fitossanitário foram realizados visando atingir altas produtividades (6 ton.ha-1).

Foi realizada irrigação suplementar para manter o nível de água do solo próxima à capacidade de campo. O índice de velocidade de emergência foi determinado por meio da contagem de plântulas emergidas a cada dia, desde a primeira plântula até não a estabilização do número de plântulas. O número de plântulas foi avaliado em seis linhas de 1 metro por parcela. Para determinação do índice de velocidade de emergência de plântulas, foi utilizado o critério do número de dias desde a emergência da primeira plântula até a emergência de 50% das plântulas emergidas.

Foram utilizadas três cultivares: NS 4823 RR, TMG 7062 IPRO e TEC 7849 IPRO, com grupo de maturidade relativa (GMR) de 4.6, 6.2 e 7.8, respectivamente, em sete épocas de semeadura (05/08/2017, 02/09/2017, 17/10/2017, 21/11/2017, 19/12/2017, 16/01/2018, 16/02/2017 21/03/2018).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A data de emergência foi a mesma para todas as cultivares semeadas em cada época de semeadura, independente do seu grupo de maturidade relativa. Este comportamento também determinou que a exigência térmica da soja, no sub período semeadura-emergência, não variou com a cultivar. Nos meses de setembro e novembro, o aumento do teor de água do solo relacionado a uma precipitação de aproximadamente 30 mm, associado às baixas temperaturas médias proporcionaram redução do índice de velocidade de emergência nas datas de semeadura, 01/09/2017 e 01/11/2017, em relação à semeadura de janeiro de 38%. A semeadura de janeiro apresentou a maior velocidade de emergência das plântulas de soja, devido a temperatura média ser maior durante essa época do ano no RS (Figura 1).

 Figura 1– Valores diários de precipitação pluvial (mm/dia) e temperatura média do ar (oC/dia) durante o período de agosto de 2017 a junho de 2018, em Santa Maria.

Porém, nota-se que na época de semeadura de novembro (01/11/2017) houve uma maior variação, que pode estar relacionado com a temperatura e profundidade de semeadura das plântulas (Reis et al., 2006). (Figura 2). À medida que ocorreram acréscimos na temperatura do ar, observou-se aumentos na velocidade de emergência, até atingir um valor de temperatura no qual a velocidade de emergência foi máxima, ou seja, quando a temperatura foi próxima da ótima (31,5°C), o que pode ser observado, principalmente, nas semeaduras de janeiro.


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Em geral, verifica-se uma tendência de redução no número de dias para emergência a cada aumento de temperatura, assim quanto mais perto da temperatura ótima, mais rápido será a velocidade da emergência, assim diminuindo os dias de emergência (Figura 2).

Figura 2 – Relação entre a emergência das plântulas com a temperatura do ar em diferentes épocas de semeadura na cultura da soja, na safra 2017/2018.

Cultivares semeadas na mesma época de semeadura não variaram quanto ao índice de velocidade de emergência. Com atraso da época de semeadura a velocidade de emergência aumenta em função do aumento da temperatura média, independente da cultivar (6 dias).

CONCLUSÃO

Portanto, nota-se a influência das temperaturas médias diárias na velocidade de emergência das plantas, tendo em vista que o aumento da mesma acarretou em um menor intervalo entre a data de semeadura e o evento de emergência.

REFERÊNCIAS

BATISTTI, R., P.C. Sentelhas, F.G. Pilau, and C.A. Wollmann. 2013. Climatic efficiency for soybean and wheat crops in the state of Rio Grande do Sul, Brazil, in different sowing date. ( In Portugueses, with English abstract.) Cienc. Rural 43:390-396. doi:10.1590/S0103-84782013000300003.

CONAB. Boletim da Safra de Grãos. 2018. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/infoagro/safras/graos>. Acesso em: 28 de meio de 2018. IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola. 2015. Disponível em: < https://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 28 de maio de 2018.

ZANON, A.J.; STRECK, N.A.; GRASSINI, P. Climate and Management Factors Influence Soybean Yield Potential in a Subtropical Environment. Agronomy Journal, v. 108, n. 4, p. 1447-1454, 2016.

ZANON, A. J.; STRECK, N. A.; RICHTER, G. L.; BECKER, C. C.; ROCHA, T. S. M.; CERA, J. C.; WINCK, E. M.; CARDOSO, A. P.; TAGLIAPIETRA, E. L.; WEBER, P. S. Contribuição das ramificações e a evolução do índice de área foliar em cultivares modernas de soja. Bragantia, Campinas, SP, v. 74, n. 3, p.279-290. 2015.

ZANON, A. J.; SILVA, M. R.; TAGLIAPIETRA, E. L.; CERA, J. C.; BEXAIRA, K. P.; RICHTER, G. L.; JUNIOR, A. J. D.; ROCHA, T. S. M.; WEBER, P. S.; Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. Santa Maria, 2018.136p.

Informações dos autores:  

1Acadêmico do Curso de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

2Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

3Acadêmico do Curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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