Evento técnico sobre Erradicação do Amaranthus palmeri acontece no Mato Grosso

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Foi realizada em Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, no período de 19 a 21 de dezembro de 2017, reunião técnica sobre a praga Amaranthus palmeri e o programa para a sua erradicação naquele Estado. Participaram do evento fiscais estaduais de vários estados da federação e auditores federais agropecuários. O encontro foi organizado pela Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento – Mapa/MT e pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso – Indea. Foram realizadas palestras sobre a praga, suas características, formas de propagação, o programa de erradicação no Mato Grosso, as fiscalizações nos focos pelo Indea e Mapa, além de visita aos locais para reconhecimento visual das plantas e suas características fenotípicas. A Fiscal de Defesa Agropecuária – FDA da Adapar Marlene Soranso participou da reunião representando o Paraná.

A praga: O A. palmeri é uma espécie de caruru originário de regiões áridas do centro-sul dos Estados Unidos e norte do México e já se encontra presente em vários países. Nos últimos anos, esta espécie se tornou a principal planta daninha do algodoeiro nos Estados Unidos, em função de suas características biológicas e da resistência a certos herbicidas. Quando a população de A. palmeri não é controlada, perdas no rendimento nas culturas podem atingir 91% em milho, 79% em soja e 77% em algodoeiro.

Trata-se de uma espécie dioica, com parte de plantas femininas e outra parte masculinas. Essa é uma característica que facilita a sua identificação, uma vez que todas as outras espécies de caruru já identificadas no Brasil têm flores masculinas e femininas na mesma planta. As sementes são produzidas somente nas plantas com flores femininas, no entanto na ausência de polinização, as flores femininas podem produzir sementes por apomixia, que é a reprodução biológica sem fecundação.

A espécie tem o tipo de metabolismo fotossintético C4, sendo muito eficiente na utilização de água, gás carbônico e luz para a produção de açúcares. O crescimento diário das plantas é muito rápido o que exige muita atenção para que as aplicações de herbicidas em pós-emergência sejam realizadas dentro do estádio ideal. Dependendo da condição de desenvolvimento, uma única planta pode produzir de 200 a 600 mil sementes, mas há casos em que esse número pode ultrapassar 1 milhão de sementes. As sementes medem em torno de 1 a 2 mm, o que facilita muito sua dispersão. As atividades humanas assumem grande importância na disseminação da espécie, destacando-se o transporte de máquinas, insumos, resíduos e colheitas, tanto dentro quanto fora das propriedades.

Identificação no Brasil: No Brasil o A. palmeri foi identificada no Centro-Norte do estado de Mato Grosso, em áreas normalmente cultivadas com rotação das culturas de algodão, soja e milho. Nessa região no ano de 2014, observou-se a ocorrência de populações de plantas de caruru que não foram controladas por herbicidas e tiveram suas sementes coletadas e enviadas ao Instituto Matogrossense do Algodão – IMAmt. Nestas amostras, algumas plantas do gênero Amaranthus analisadas chamaram a atenção por não manifestarem qualquer sintoma de toxicidade após a aplicação do herbicida glyphosate e por possuírem características morfológicas de A. palmeri.

Segundo relato de pesquisadores em anos anteriores, várias amostras de populações de plantas do gênero Amaranthus já haviam sido constatadas como resistentes a herbicidas inibidores da ALS, mas foram adequadamente controladas pelo glyphosate e devidamente identificadas como A. deexus e A. retroexus. No ano de 2014, além da resistência aos herbicidas inibidores da ALS, algumas plantas também não foram controladas pelo glyphosate e permaneceram nos vasos até a fase adulta, as quais foram identificadas como sendo da espécie A. palmeri S. Watson.

A praga foi encontrada em 4 propriedades no MT e está sob controle oficial com programa de erradicação, o qual vem logrando sucesso, pois segundo as estimativas do Mapa e do Indea já houve uma redução da infestação das plantas a campo, de cerca de 85% em relação ao período inicial do programa. As fiscalizações são realizadas semanalmente pelo Indea e as propriedades contam com equipes próprias e específicas para o controle da praga, as quais realizam vistorias contínuas nas áreas não permitindo o fechamento do ciclo pela mesma, conforme normativas específicas de defesa sanitária vegetal do Estado do Mato Grosso.

No Paraná: No Paraná a Adapar vem trabalhando com a prevenção da entrada da praga A. palmeri desde o ano 2015 e somando esforços com a Embrapa Soja, e demais órgãos colaboradores com a Defesa Agropecuária Paranaense, como a Faep e a Ocepar. Foram realizadas ações de divulgação de informações, distribuição de materiais técnicos e treinamentos para a equipe de fiscais. Atualmente, os fiscais da Adapar encontram-se capacitados a prestar informações sobre a praga, assim como para a fiscalização a campo, em maquinários agrícolas em barreiras e para a coleta de amostras em casos de suspeita.
Desde o início dos trabalhos de divulgação de informações para a prevenção da entrada dessa praga no Paraná, os fiscais e demais colaboradores da defesa agropecuária do Estado estão em alerta para o aparecimento de plantas de caruru de alto desenvolvimento vegetativo ou resistentes a herbicidas para que comuniquem à Adapar e assim sejam feitas as devidas inspeções para a identificação da espécie.

Durante o encontro, foram ainda discutidas legislações a serem propostas ao Mapa visando dificultar o aparecimento de novos focos e a disseminação da praga por meio de maior controle da entrada e do trânsito de máquinas agrícolas usadas em território nacional.

A reunião técnica possibilitou aos participantes conhecer os fatores de introdução da praga A. palmeri, as características fenotípicas das plantas, os altos custos financeiros despendidos para o controle e a erradicação da mesma, além da importância do trabalho conjunto e integrado do Indea, do Mapa e dos produtores. As ações integradas entre os órgãos de defesa agropecuária (estadual e federal) e setor produtivo podem evitar a introdução e o estabelecimento de uma praga como o A. palmeri, evitando prejuízos do setor agrícola, indispensável à economia nacional.

Fonte: Adapar

Texto originalmente publicado em:
Adapar
Autor: Adapar

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