Experimento realizado na Argentina avalia a influência da desfolha no rendimento de grãos da soja

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A soja é a principal cultura agrícola da Argentina. Na safra de 2016/17, foram colhidos 53,6 milhões de toneladas, em uma área de aproximadamente 20 milhões de hectares, com um rendimento médio de 2,8 t / ha.

As principais províncias produtoras foram Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé. Nos departamentos 9 de Julio, Vera e General Obligado foram produzidas 415 mil toneladas em 150 mil hectares com um rendimento médio de 2,7 t / ha.

O INTA Reconquista realizou um trabalho para determinas a influência da desfolha nos rendimentos da soja, o qual apresentaremos a seguir:

O rendimento da cultura é influenciado por diversos fatores abióticos e bióticos, estes últimos se destacam especialmente as lagartas desfoliadoras. No norte da província de Santa Fe, as espécies mais importantes dentro do complexo é, em ordem decrescente: a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu),” lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda, Spodoptera cosmioides) e lagarta-falsa medideira (Chrysodeixis includens).

A diminuição do rendimento da cultura da soja devido a  desfoliação ocorre pela redução da área foliar e conseqüentemente uma intercepção mais baixa da radiação que traduz-se em menor capacidade fotossintética.

Atualmente na Argentina, para controlar os desfoliadores da soja são utilizados princípios que foram estabelecidos com base em experiências na área de produção principal, com cultivares de maturação do grupo VI a VII, de crescimento determinado, em semeadura convencional com espaçamentos de 70 cm entre as linhas.

As condições agroecológicas do Norte de Santa Fe diferem da zona central, o que determina diferentes taxas de crescimento e desenvolvimento da safra. De desta forma as cultivares têm comportamento diferente em resposta a diferentes níveis de desfoliação e ao período ou estágio em que ocorre.

O EXPERIMENTO:

Com o objetivo de validar princípios de desfolhação ajustados, foi realizado um ensaio pelo INTA Reconquista. O mesmo foi semEado em 22 de novembro de 2016, em semeadura direta, a 0,52m de distância entre linhas e com uma densidade de 16 plantas/m. Utilizou-se a variedade DM 7.8i de crescimento indeterminado.

O experimento permaneceu livre de ervas daninhas e pragas até sua colheita. Os tratamentos foram combinações de quatro níveis de desfoliação em três momentos: 0% (testemunha sem desfolha), 33%, 66% e 100% de desfolha em R1 (início da floração), R3 (início do crescimento das vagens) e R5 (enchimento do início do grão).

Foto do experimento realizado

Para atingir os níveis de desfoliação 33%, 66% e 100% foram removidos manualmente 1, 2 e os 3 folíolos de todas as folhas das plantas, respectivamente. O experimento foi instalado em blocos aleatórios com 3 repetições com unidades experimentais com 4 linhas de 3 m de comprimento. Foi realizado a avaliação da interceptação da radiação solar, para avaliar o impacto da desfolha neste quesito.

RESULTADOS DO ENSAIO:

Em geral, observou-se uma diminuição no desempenho à medida que o nível de desfolha aumentou em todos estágios fenológicos avaliados com maior redução na produtividade detectada nas desfolhas realizadas no estadio R5.

Nos estádios fenológicos R1 e R3, os diferentes níveis de desfolha mostraram uma tendência semelhante, diferenciando do tratamento de controle.

Desfolhas de 33% e 66% não se diferenciara do outro, enquanto 100% de desfolha causaram uma perda significativamente maior, com desempenho em relação a testemunha sem desfolha de aproximadamente 60%.

No estádio R5, a diminuição de desempenho nos diferentes níveis de desfolha foi mais pronunciado, atingindo á máxima redução quando realizada a desfolha total (100%, fig. 1).

A capacidade em compensar o dano da desfolha diminui para os estádios fenológicos mais avançados. Em R5 a planta de soja alcança altura máxima, número de nós e área foliar (Fig. 2), qualquer dano que afete a planta a partir desse período tem efeitos marcantes no desempenho, não sendo suprida pela planta.

Observou-se uma relação linear entre a radiação interceptada posteriormente à desfolha em cada estágio fenológico e desempenho, de modo que a diminuição da intercepção de  radiação devido à desfolha simulada por insetos teve uma forte influência no desempenho (quanto maior a desfolha, menor interceptação, portanto menor desempenho).

Os diferentes tratamentos causaram diferenças significativas na radiação interceptada em R6 (Fig. 3). Os três níveis de desfolha (em R5), 66 e 100% em (R3) e 100% em R1 causou uma diminuição significativa na intercepção de radiação.

Esses resultados confirmam que a capacidade da recuperação da área foliar diminui com o desenvolvimento da cultura após o estágio fenológico R5 a partir do qual não são produzidas novas folhas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Dada a consistência das relações observadas, se os danos causados por insetos podem estar diretamente relacionados a mudanças na intercepção de radiação, a diminuição pode ser prevista no desempenho e consequentemente elaborar princípios de controle adaptado às condições da cultura.

Os resultados obtidos até agora indicariam que os princípios atualmente em vigor, subestimam a redução do desempenho devido à desfolhação em condições agroecológicas.

É necessário continuar as avaliações e expandir a gama de tratamentos e cultivares para estimar limiares confiáveis para a área.

Fonte: INTA Argentina, adaptado pela Equipe Mais Soja

AGRADECIMENTOS: A Andrés Feresín, Daniel Maidana, Marcelo Ardit y Pablo Menapace por la colaboración en los trabajos de campo y a Sebastián Zuil por los aportes al análisis y discusión de resultados.

 

 

Texto originalmente publicado em:
INTA Argentina
Autor: INTA

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