Extração de cálcio e magnésio da cultura do milho, sob utilização de cinza e diferentes formas de fornecimento de N

1861

O objetivo desta pesquisa foi estudar o efeito de diferentes manejos de cobertura de solo no inverno, o uso de cinzas e formas de fornecimento de N (Azospirillum e uréia) sobre a extração de cálcio e magnésio pela cultura do milho

Autores: Alessandra Antunes Grando (1) ; Marcieli Maccari(2); Jonas Guerra(3); Jaqueline Gaio Spricigo(4); Cristiano Nunes Nesi(5); Maurício Vicente Alves(6)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.
Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

Acúmulos maiores de matéria seca vegetal no milho pode alterar a quantidade de nutrientes extraídos pela cultura. O objetivo desta pesquisa foi estudar o efeito de diferentes manejos de cobertura de solo no inverno, o uso de cinzas e formas de fornecimento de N (Azospirillum e ureia) sobre a extração de cálcio e magnésio pela cultura do milho, cultivado num sistema de integração lavoura-pecuária. O trabalho foi conduzido na safra 2016/17, na área experimental da Unoesc, Xanxerê. O delineamento experimental foi casualizado em blocos com quatro repetições. O esquema de disposição dos tratamentos foi em parcelas subsubdivididas. Nas parcelas foram aleatorizados os tratamentos: pousio, pousio com aplicação de cinzas, consórcio de aveia/ervilhaca e consórcio de aveia/ervilhaca/cinza. Na subparcela foi semeado o milho com e sem a inoculação com Azospirillum. Na subsubparcela com e sem aplicação de nitrogênio na cultura do milho. As subsubparcelas possuíam a dimensão de 20m². A cinza foi aplicada em duas ocasiões, uma em junho e outra em novembro. Analisaram-se a produção de massa seca do milho, e determinaram-se os teores de cálcio e magnésio nas plantas inteiras. A aplicação de nitrogênio em cobertura aumentou a produção de matéria seca da cultura do milho, proporcionando maiores extrações de cálcio e magnésio.

Termos de indexação: ciclagem de nutrientes, macronutrientes, Zea mays.

INTRODUÇÃO

A utilização de resíduos de empresas de celulose, como é o caso das cinzas, que são provenientes da queima de materiais vegetais, pode surgir como fonte alternativa de potássio, cálcio, magnésio, fósforo entre outros nutrientes essenciais para as plantas. E o nitrogênio que é um dos mais importantes para o desenvolvimento da cultura pode ter origem das culturas antecessoras ou pode ter origem microbiana, que no caso de gramíneas pode ocorrer através da utilização de Azospirillum.

O sistema de Integração Lavoura-Pecuária busca a sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos reduzindo o impacto ambiental com eficiência na utilização de recursos. Por outro lado, a produção é cada vez mais dependente da utilização de fontes naturais com alto custo energético para sua produção.

A busca pela sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos e da redução do impacto ambiental é anseio principal da Integração Lavoura-Pecuária. A utilização de Azospirillum associado a adubação nitrogenada foi estudada por Didonet et al. (1996), que obtiveram aumento do acúmulo de matéria seca quando as sementes de milho eram inoculadas com Azospirillum e nitrogênio mineral. O N determina o desenvolvimento das plantas com aumento significativo na área foliar e na produção de massa seca (Oliveira et al., 2009), resultando em maior produtividade de grãos.

O objetivo desta pesquisa foi estudar o efeito de diferentes manejos de cobertura de solo no inverno, o uso de cinzas e formas de fornecimento de N (Azospirillum e uréia) sobre a extração de cálcio e magnésio pela cultura do milho.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi implantado na unidade experimental da Unoesc – Xanxerê, no período de julho de 2016 a março de 2017. O solo da região é classificado como um Latossolo Vermelho distrófico.

Foram implantados 4 tratamentos na entressafra:

1) Pousio (sem consórcio de Aveia+Ervilhaca e sem aplicação de cinza);

2) Pousio + cinza;

3) Consórcio Aveia+ Ervilhaca e sem aplicação de cinza; e

4) Consórcio Aveia+ Ervilhacacom  aplicação de cinza.

Utilizou-se na semeadura da entressafra um Sistema Plantio Direto, com consórcio

entre ervilhaca (40 kg ha-1) e aveia (50 kg ha-1) e adubações conforme análise de solo e necessidade da cultura (Tabela 1). Já a dose de cinza foi indicada conforme teores de K na cinza (Tabela 2). Paralelamente foi monitorada a presença de plantas daninhas e a incidência de pragas. Houve aplicação de dose única de 30 kg ha-1 de N em todas as parcelas de manejo de inverno. Foram efetuadas roçadas nas parcelas pousio e nas parcelas onde só houve aplicação de cinza, a fim de controlar a vegetação. Ao final do ciclo vegetativo da aveia e ervilhaca, todas as parcelas foram amostradas através do corte de 1 m², afim de quantificar a biomassa produzida. As amostras foram pesadas e secadas em estufa à 55ºC para extrapolar valores de MS ha-1 deixados no sistema.

Tabela 1. Atributos químicos do solo, antes da implantação do experimento em 17 de julho de 2016, na profundidade de 0 a 20 cm (média de 16 amostras compostas de 3 pontos).

Tabela 2. Caracterização da cinza da empresa Celulose IRANI utilizada no experimento.

No dia 27 de outubro de 2016 foi realizada a reaplicação de cinzas (23,81 t ha-1), dando início a segunda etapa do experimento (novembro/2016 a março/2017). Todas as adubações foram calculadas conforme interpretação da análise de solo, para uma expectativa de produção de 12 t ha-1 de grão de milho conforme a Comissão de Química e Fertilidade do Solo, 2004. A inoculação de Azospirillum brasilense nas sementes de milho foi realizada de forma manual na caixa de sementes no momento d a semeadura(07/11/2016) na dose de 500 ml ha-1.

As doses das aplicações de N nas subsubparcelas foram de 180 kg ha-1, aplicadas aos 21, 33 e 44 dias após a emergência das plantas de milho. As amostragens da parte aérea das plantas de milho foram realizadas quando a cultura atingiu o estágio R5 coletando-se, rente ao solo uma área de 1,05 m2 (1,5 X 0,7 m), nas 3 linhas centrais de cada subparcela. Após cada corte, as plantas eram imediatamente pesadas para determinação da massa verde, estes dados posteriormente eram usados para estimativa da massa seca acumulada por hectare.

Posteriormente 5 plantas de cada subparcela eram amostradas e trituradas em moinho estacionário. Do material processado retirava-se subamostras de aproximadamente 800 gramas para a secagem. No laboratório, estas amostras eram pesadas e conduzidas para a estufa de ar forçado a 55ºC até peso constante. Após serem secas, novamente as amostras eram pesadas, e posteriormente trituradas em moinho estacionário “Thomas Willey” utilizando-se peneira com malha de 1 mm. As amostras de tecidos foram analisadas quanto aos teores de cálcio e magnésio conforme metodologia de Tedesco et al. (1995). A extração total foi baseada na concentração do elemento no tecido vegetal e convertido para kg ha-1 em função da massa seca da planta inteira de milho.

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey para comparação múltipla de médias pelo ambiente R (R core team, 2016).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A matéria seca produzida sob diferentes manejos de inverno, que foram deixados ao solo para a semeadura da cultura do milho podem ser observados na Tabela 3. Os valores de massa de cobertura de inverno variaram de 1.459,27 kg ha-1 a 189,75 kg. Assmann et al. (2003), recomendam que para sistemas de integração lavoura-pecuária, implantado em solo argiloso, a massa seca deve ser em torno de 2.000 kg MS ha-1, para semeadura da cultura de verão.

O milho pode ser perfeitamente incorporado a sistemas de produção em integração lavoura-pecuária, com pastagens anuais ou com culturas de cobertura de solo de inverno. Ao se estabelecer a espécie de cobertura de solo no inverno, é interessante visar ao retorno econômico da própria cultura, como pastejo, fenação, ensilagem e produção de grãos, e também ao fornecimento de nitrogênio à cultura subsequente (Santos & Fontaneli, 2011).

Tabela 3. Produção de matéria seca dos manejos de inverno que foram deixados ao solo para a segunda etapa do experimento.

Os dados obtidos nesta pesquisa ficaram bem abaixo do recomendado para o cultivo do milho implantado na sequência.

Embora a produção de MS obtida no inverno tenha tido grande variação, a produção de MS e a extração de Ca e Mg pela cultura do milho, não foram afetados (Tabela 4) pelos manejos de inverno adotados. Como o solo possuía alta fertilidade (Tabela 1), provavelmente no solo existiam a quantidade de nutrientes necessária para a produção da cultura do milho, não estando a cultura dependente dos nutrientes liberados pela palhada durante a sua decomposição.

Tabela 4. Produção de MS 1 e extração em kg ha-1 de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na massa seca da planta inteira do milho, sob diferentes manejos de entressafra. *Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5%.

Quando se observa a extração de Ca e Mg, sob diferentes formas de fornecimento de nitrogênio, verifica-se que as formas de aplicação de N influenciaram estes parâmetros. Quando aplicado nitrogênio na forma de ureia, houve diferença significativa para produção de massa seca e extração de Ca e Mg. Foi observado que a ureia proporcionou maiores produções de massa seca, na ordem de 30,6% e consequentemente maiores extrações de Ca e Mg, na ordem de 33 e 34%, respectivamente. O nitrogênio aplicado em cobertura em forma de ureia aumenta a produção já que o N é responsável direto pelo crescimento da planta. Porém quando aplicado Azospirillum não houve diferenças significativas na produção de massa seca e extração de Ca Mg (Tabela 5).

Tabela 5. Produção de MS e extração em kg ha-1 de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na massa seca da planta inteira do milho, sob diferentes formas de fornecimento de nitrogênio. *Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5%.

O uso racional da adubação nitrogenada é fundamental, não somente para aumentar a eficiência de recuperação, mas também para aumentar a produtividade da cultura e diminuir o custo de produção (Fageria et al., 2007).

CONCLUSÕES

A aplicação de nitrogênio em cobertura aumentou a produção de matéria seca da cultura do milho, proporcionando maiores extrações de cálcio e magnésio.

AGRADECIMENTOS

ASSMANN, T. S.; RONZELLI, J.R. P.; MORAES, A. Rendimento de milho em área de integração lavoura-pecuária sob o sistema plantio direto, em presença e ausência de trevo branco, pastejo e nitrogênio. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 27:4:675-683, 2003.

BERTON, R. S.; VALADARES, J. M. A. S.; CAMARGO, O. A.; BATAGLIA, O. C. Peletização do lodo de esgoto e adição de CaCO3 na produção de matéria seca e absorção de Zn, Cu e Ni pelo milho em três latossolos. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, 21:685-691, 1997.

DA ROS, C. O.; AITA, C.; CERETTA, C. A.; FRIES, M. R. Lodo de esgoto: efeito imediato no milheto e residual na associação aveia-ervilhaca. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, 17:257-261, 1993.

DIDONET, A. D; RODRIGUES, O.; KENNER, M. H. Acúmulo de nitrogênio e de massa seca em plantas de trigo inoculadas com Azospirillum brasiliense. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, 31:645-651, 1996.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B.; CUTRIM, V. A. Produtividade de arroz irrigado e eficiência de uso do nitrogênio influenciadas pela fertilização nitrogenada. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 42:07:1029- 1034, 2007.

KEY, J. L; KURTZ, L. T.; TUCKER, B. B. Influence of ratio ofexchangeable calcium-rnagnesium on yield and composition ofsoybeans and coro. Soil Science, v.93, n.4, p.265-270, 1962.

MALAVOLTA, E.; VITTI, G. C.; OLIVEIRA, S. A. Avaliação do estado nutricional das plantas: princípios e aplicações. 2. Piracicaba: Potafós, 319, 1997.

OLIVEIRA, F. A. Crescimento do milho adubado com nitrogênio e fósforo em um Latossolo Amarelo. Revista Brasileira de Ciências Agrárias. 4:3:238-244, 2009.

R CORE TEAM (2016). R: a language and environment for statistical computing. R foundation for statistical computing, vienna, austria. Url http://www.rproject. Org/.

SANTOS, H. P. dos; FONTANELI, R. S. Aspectos fitopatológicos técnicos e econômicos na elevação do rendimento de grãos de trigo em plantio direto no Brasil. In: PIRES, J.L.M. et al. Trigo no Brasil: bases para produção competitiva e sustentável. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 8:217-238, 2011.

SANTOS, H.P. dos et al. Rendimento de grãos de milho em sistemas de produção sob plantio direto. In: SANTOS, H.P. dos et al. (Org.). Sistemas de produção para milho sob plantio direto. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 3:57- 88, 2007.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S.J. Análises de solo, plantas e outros materiais. 2a ed. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; (Boletim técnico, 5), 1995.

Informações dos autores:  

(1) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina;

(2) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina;

(3) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina;

(4) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina;

(5) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina;

(6) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Xanxerê, Santa Catarina,

Disponível em: Anais do II Congresso Brasileiro de Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. Rondonópolis – MT, Brasil.

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