Objetivou-se com a presente pesquisa reunir informações a respeito dos fatores que interferem na semeabilidade considerando como eixos principais a qualidade da semente e mecanismos de semeadura para a cultura da soja.

Autores: Thomas Newton Martin1, Vinícius dos Santos Cunha1, Marlo Adriano Bison Pinto1 ,João Leonardo Pires2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A semeabilidade (plantabilidade) está relacionada com a qualidade de distribuição das sementes ao longo, no perfil e entre os sulcos de semeadura. O arranjo de plantas deve minimizar a competição intraespecífica e maximizar a interespecífica, melhorando o aproveitamento dos fatores de produção. A uniformidade de espaçamento e emergência de plantas são evidências de uma semeabilidade adequada. A qualidade da plantabilidade pode ser mensurada a partir do número de plantas emergidas e a sua distribuição (ABNT, 1994). Considera-se assim, plantas normais (em distâncias entre sí próximo ao préestabelecido), falhas (quando a distância entre duas plantas supera 1,5X a distância pré-estabelecida) e duplas (quando a distância entre duas plantas é inferior a 0,5X a distância pré-estabelecida). Uma das causas da verificação de plantas muito próximas (duplas) é a escolha inadequada dos discos de semeadura ou velocidade de semeadura.

Existem diferenças entre as culturas produtoras de grãos (soja, milho e trigo) e não se pode estabelecer a mesma lógica no que diz respeito a competição intraespecífica. Esse entendimento é fundamental para avaliar, o quanto o manejo adotado (envolvendo equipamentos, qualidade de sementes, uso de agroquímicos na semeadura entre outros) está apropriado ou apresenta margem para melhoria. O milho possui baixa capacidade de compensação dos componentes de produtividade de grãos, variações no número de plantas e na sua distribuição, podem causar perdas diretas. Entretanto, a mesma lógica não pode ser aplicada diretamente para soja e trigo, que apresentam maior capacidade de compensação, com mecanismos como a emissão de ramos e nós (soja) e de afilhos férteis e espiguetas (trigo). Dessa forma, objetivou-se com a presente pesquisa reunir informações a respeito dos fatores que interferem na semeabilidade considerando como eixos principais a qualidade da semente e mecanismos de semeadura para a cultura da soja.

Qualidade de sementes

A germinação e vigor das sementes influenciam na taxa de emergência, emergência total de plântulas e na velocidade com que essas plântulas se estabelecem. Sementes com alto vigor apresentam maior velocidade nos processos metabólicos, propiciando a emissão mais rápida e uniforme da raiz primária e maior taxa de crescimento, produzindo plântulas com maior tamanho inicial (ABATI et al., 2017). O crescimento inicial precoce resulta em maior interceptação de luz pelas folhas, possibilitando que o índice de área foliar crítico seja atingido mais rapidamente, o que pode refletir positivamente nos componentes de produtividade de grãos.

Considerando o tamanho das sementes de soja e sua relação com a qualidade fisiológica e produtividade de grãos, verifica-se que sementes menores produzem plantas menores e menos produtivas, em relação a sementes classificadas em 6 mm de diâmetro (Pádua et al., 2010). A qualidade fisiológica das sementes é variável de acordo com os tamanhos de sementes, onde, sementes maiores apresentam maiores percentuais de germinação e vigor. Segundo Conceição (2016) sementes com maior quantidade de reservas armazenadas apresentam maior desempenho em relação à qualidade fisiológica e desenvolvimento inicial de plântulas.

Sementes com maiores teores nutricionais originaram plântulas de maior vigor e maior produtividade de grãos em três cultivares estudadas. A aplicação da suplementação mineral em lotes de baixo teor nutricional permitiu uma maior expressão do vigor. Além disso, o aumento da produtividade de grãos pelo uso da suplementação mineral depende da qualidade do lote de sementes (Conceição et al., 2018).

Mecanismos da semeadora

Dentre as características mais importantes numa semeadora adubadora, está sua capacidade em proporcionar uma distribuição uniforme com baixo índice de danos as sementes. Ao utilizarem-se dosadores mecânicos o percentual de sementes quebradas é superior (até 7%) em relação a dosadores pneumáticos a vácuo (PINHEIRO NETO et al., 2008). Nos mecanismos mecânicos deve ser observado o enchimento de células (alvéolos), embora este não seja um parâmetro padronizado por normas. O valor de 100% pode não significar que todas as células tinham uma semente. Pode haver a dosagem de múltiplas sementes (FEY et al., 1999).


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Além do sistema dosador, em função de variações na trajetória das sementes, a posição do reservatório de sementes e o tubo condutor utilizado podem influenciar na distribuição longitudinal de sementes no sulco de semeadura. O atraso de uma semente dosada em um pequeno intervalo de tempo fará com que a próxima semente alcance a já dosada, resultando em uma deposição irregular e com isso um espaçamento falho ou duplo no sulco (BAINER, 1963). Tubos que apresentam angulação de aproximadamente 30-35º voltado para a parte traseira da semeadora proporcionam a suavização da queda das sementes e maior uniformidade de distribuição. Tubos cilíndricos e com pouco ou nenhuma ondulação provocam a decida das sementes em alta velocidade, esse excesso de velocidade pode provocar o rolamento das sementes de dentro do sulco.


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Quanto a velocidade de semeadura, em função das condições ideais de solo, clima, disponibilidade de máquinas e áreas cada vez maiores para diluição de custos, há redução do espaço de tempo disponível para a semeadura. O incremento na velocidade de semeadura altera o funcionamento tanto do sistema dosador quando do sistema de condução, fazendo com que ocorra a distribuição irregular das sementes. Semeadoras pneumáticas, com sistema condutor curto e parabólico normalmente apresentam maior aproximação quanto à população e espaçamento entre plantas recomendado, apesar de que, a elevação da velocidade aumenta a trepidação do equipamento alterando a trajetória das sementes dentro do tubo condutor.

Além da dosagem e condução adequada das sementes, a semeadora utilizada no sistema plantio direto desempenha as funções de cortar a palha e romper o solo no sulco de semeadura. A abertura do sulco com haste sulcadora ou facão, proporciona maior uniformidade na profundidade de abertura do sulco, porém, tem sua eficiência limitada em função da manutenção dos restos culturais sobre o solo (embuchamento). O disco duplo, permite a abertura de sulco em terrenos pesados e com restos culturais com uma reduzida probabilidade de embuchamentos, entretanto, a uniformidade da profundidade passa a ser um fator limitante. Assim, em função das condições de solo ou regulagem inadequadas a deposição das sementes pode ocorrer em superfície e a combinação de sulcadores tipo disco com facão procura reunir as vantagens de ambos. Os discos são montados de modo a envolver o facão, cortando os restos da cultura. Já o facão mantém o solo afastado o tempo suficiente para a semente se colocar no fundo do sulco, antes que a terra solta caia.

Somado a disso, o condicionamento físico do solo dado ao redor das sementes pelas rodas compactadoras se reveste de importância capital. A compactação do solo na região da semente altera a disponibilidade de água, o comportamento térmico, a resistência mecânica e o comportamento das plantas. Silva et al. (2005) concluíram ainda que pressões aplicadas lateralmente (rodas em “V”) e não acima (roda convexa) da semente melhoram a emergência das plantas. O potencial produtivo de uma lavoura é definido pelas condições oferecidas ao desenvolvimento das plantas. O uso de sementes de alta qualidade com a adequação do processo de semeadura possibilita gerar plantas de alto desempenho da emergência até a colheita, sendo o período inicial de estabelecimento da cultura um dos maiores balizadores do potencial produtivo.

Referências

ABATI, J.; BRZEZINSKI, C. R.; FOLONI, J. S. S.; ZUCARELI, C.; BASSOI, M. C.; HENNING, F. A. Emergência de plântulas e desempenho produtivo de cultivares de trigo em função do vigor de sementes e densidades de semeadura. Journal of Seed Science, Londrina, v. 39, n. 1, p. 58-65, 2017. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Projeto de norma 04: 015.06 – 004: Semeadora de precisão – ensaio de laboratório – método de ensaio. São Paulo: 1994. 26p

BAINER, R.; KEPNER, R. A.; BARGER, E. L. Principles of farm machinery. 3. ed. New York, John Wiley, p. 571, 1963.

CONCEIÇÃO, G. M.; LUCIO, A. D.; HENNING, L. M. M.; HENNING, F. A.; BECH, M.; ANDRADE, F. F. Physiological and sanitary quality of soybean seeds under different chemical treatments during storage. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 20, p. 1020-1030, 2016.

CONCEIÇÃO, G. M.; MARTIN, T. N. CUNHA, V.S.; FIPKE, G.M.; BRUNNING, L. A. ROSSATTO, A.C. Mineral supplementation of soybean seeds with differing initial nutrient levels. Acta Scientiarum, Agronomy, Maringá, prelo, 2018.

FEY, E.; JUSTINO, A.; WEIRICH NETO, P. H.; SANTOS, S. R. Efeito da velocidade tangencial do mecanismo dosador tipo disco perfurado horizontal na distribuição de sementes de feijão (Phaseolus vulgaris). In: Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola, 28, 1999, Pelotas. Anais … Jaboticabal: CD Rom.

PÁDUA, G. P.; ZITO, R. K.; ARANTES, N. E.; NETO, F. Influência do tamanho da semente na qualidade fisiológica e na produtividade da cultura da soja. Revista Brasileira de Sementes, v. 32, n. 3, p.009-016, 2010.

PINHEIRO NETO, R. P.; BRACCINI, A. L.; SCAPIM, C. A.; BORTOLOTTO, V. C.; PINHEIRO, A. C. Desempenho de mecanismos dosadores de sementes em diferentes velocidades e condições de cobertura do solo. Acta Scientiarum Agronomy, Maringá, v. 30, n. 5, p. 611-617, 2008.

SILVA, R. P.; CORÁ, J. E.; LOPES, A.; FURLANI, C. E. A. Ação de rodas compactadoras de semeadoras submetidas a cargas verticais na deformação do solo. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 29, n. 4, p. 839-847, 2005.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, n. 1000, Departamento de Fitotecnia. Cidade Universitária. 97105900 – Santa Maria, RS – Brasil;

2Embrapa Trigo Passo Fundo.

Disponível em: Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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