O trabalho teve como objetivo de avaliar a flutuação populacional de percevejos da parte aérea nas culturas da soja, comparando com as fases fenológicas das mesmas

Autores: BELLIZZI, N.C.1; FRANÇA, E.E.1; LEAL, T.C.1; SILVA, A.A.1; REZENDE, M.N.1

Introdução

Segundo Parra e Omoto (2007), as novas técnicas de irrigação via pivô central favoreceram algumas pragas que têm preferência por umidade, como lagartas (Agrotis ypsilon e Spodoptera spp.) ou mesmo a mosca- -da-espiga (Euxesta spp.), que é importante para o milho. A entrada de novas pragas pode também ocorrer, como por exemplo as vaquinhas, o torrãozinho e os novos percevejos (Neomegalotomus parvus, Edessa meditabundaAcrosternum spp. e outros).

Conforme Corrêa-Ferreira e Panizzi (1999), durante o período crítico de ataque dos percevejos (desenvolvimento de vagens ao enchimento de grãos) é importante utilizar os níveis de ação recomendados pelo Manejo Integrado de Pragas. O controle deve ser realizado quando a população atingir quatro percevejos (adultos ou ninfas a partir do terceiro instar) por pano de batida (2 m de fileira). No caso de campos de produção de sementes, este nível deve ser reduzido para dois percevejos por pano de batida.

Nos meses de novembro e dezembro tem sido observada altas populações do percevejo marrom E. heros e do percevejo verde pequeno P. guildinii em soja em fase vegetativa ou em florescimento. Estas infestações não causam danos significativos não havendo necessidade de controlar os insetos. É comum a ocorrência de populações elevadas de percevejos no final do ciclo da soja (R7-R8). Infestações durante a maturação não reduzem significativamente o rendimento.

O trabalho teve como objetivo de avaliar a flutuação populacional de percevejos da parte aérea nas culturas da soja, comparando com as fases fenológicas das mesmas.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda Bom Sucesso, Imóvel Buriti, cujas coordenadas do pivô 3 onde foi desenvolvido o projeto são 16° 50’ 41,90” S e 49° 58’ 26,05” W, com altitude média de 561 m. A área experimental foi a soma da área do pivô (18,53 ha) com uma área adjacente ao pivô de 21,97 ha, totalizando 40,5 ha. A área experimental da fazenda teve seu perímetro demarcado com GPS de navegação Garmin Etrex, e foi dividida em uma grade de amostragem de 50 x 50 m com o auxílio do programa Sulfer 11®, totalizando 162 pontos demarcados em campo com GPS e o auxílio de estacas fixadas em cada ponto, devidamente identificadas.

Para a amostragem dos percevejos da parte aérea das leguminosas foram feitas, quinzenalmente, em 25 pontos da grade de amostragem, entre outubro de 2014 a fevereiro de 2015, utilizando dois métodos, adaptados da metodologia de Quintela (2001) e Corrêa- Ferreira (2005), que foram:

1) da emergência da soja até V3 (plantas com segundo trifólio aberto), buscando-se a presença de insetos nas plantas, na palhada logo abaixo destas e na superfície do solo.

2) de V4 até a maturação de colheita (R9), as amostragens foram realizadas com pano-de-batida, sobre o qual as plantas foram vigorosamente sacudidas para a queda dos insetos.

Em cada data de amostragem, foi registrada a fenologia das culturas. As amostragens foram realizadas sempre no período da manhã e os insetos que caíram no pano de batida foram coletados manualmente e colocados em frascos plásticos até a classificação e identificação dos insetos.

Resultados e Discussão

Na Figura 1 é apresentada a distribuição temporal dos percevejos na cultura da soja no Pivô 3 da Fazenda Bom Sucesso na safra 2014/2015.

Figura 1. Flutuação populacional de percevejos na cultura da soja no pivô 3 da Fazenda Bom Sucesso, Imóvel Buritis em Palmeiras de Goiás, Safra 2014/2015.

Inicialmente, até o florescimento da soja, a população ficou abaixo de 1,5 percevejo por ponto de amostragem, com exceção do Nezara viridula que atingiu dois percevejos no final da fase vegetativa, lembrando que o nível de controle para percevejos em campo de produção de soja é de 2 percevejos por pano de batida.

Embora o percevejo castanho da raiz, seja uma praga subterrânea, no início da amostragem (novembro e dezembro de 2014) ocorreu uma revoada e foram encontrados muitos adultos na superfície, sendo a primeira vez que se encontrou este percevejo nesta fazenda. Na Figura 2, pode-se observar a flutuação populacional dos percevejos na cultura da soja no estádio R1 ao R5 do pivô 3 da Fazenda Bom Sucesso, Imóvel Buritis em Palmeiras de Goiás.

Figura 2. Flutuação populacional de percevejos na cultura da soja no reprodutivo R1 ao R5, na área do pivô 3 da Fazenda Bom Sucesso, Imóvel Buritis em Palmeiras de Goiás, Safra 2014/2015.

Entrando na fase reprodutiva, onde os principais percevejos iniciaram o ataque às flores e vagens da soja, no estádio R1 e R5, aumentando a população, sendo necessário a aplicação do inseticida Fastac 100 SC, para o controle dos percevejos. Mesmo assim a população de Euschistus heros apresentou elevação e, atualmente, é o percevejo mais encontrado nas áreas do pivô e adjacentes, com média de mais quatro percevejos por ponto, através do pano de batida.

Conclusão

O complexo dos percevejos teve uma pequena explosão numérica nas áreas, depois do estádio vegetativo da soja, entrando na fase reprodutiva, onde os principais percevejos atacam as vagens da soja, no estádio R3, R4, o número aumentou consideravelmente, entrando em zona de atenção.

Os principais percevejos amostrados foram Euschistus heros na fase reprodutiva da cultura, contribuindo para grandes perdas que infestada por essas espécies, produz a menor porcentagem de sementes viáveis, de menor qualidade, com menor peso e maior número de sementes danificadas.

Referências

CORRÊA-FERREIRA, B. S. Maior eficiência no monitoramento dos percevejos da soja. Londrina: Embrapa Soja, 2005. (Folder, 9). CORRÊA-FERREIRA, B.S.; PANIZZI, A.R. Percevejos da soja e seu manejo. Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 1999. 45p. (EMBRAPACNPSo. Circular Técnica, 24).

PARRA, J. R. P.; OMOTO, C. Cada vez mais terríveis. Maio, 2007. Disponível em: <www. irac-br.org.br/noticias0507.htm>. Acesso em: 10 mar. 2013.

QUINTELA, E. D. Manejo integrado de pragas do feijoeiro. Santo Antônio de Goiás: mbrapa Arroz e Feijão, 2001. 28 p. (Embrapa Arroz e Feijão, Circular Técnica, 46)

VIEIRA, S. R.; HATFIELD, J. L.; NIELSEN, D. R.; BIGGAR, J. W. Geoestatistical theory and application to variability of some agronomical properties. Hilgardia, v. 51, n. 3, p. 1-75, 1983.

Informações do autores:     

1Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Palmeiras de Goiás Palmeiras de Goiás-GO.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – PR, Brasil.

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