A agência de classificação de risco Moody’s informou recentemente que se as tarifas de retaliação dos Estados Unidos incentivarem a China a comprar soja do Brasil ou Argentina, não haverá capacidade excedente nesses países para atender a outros mercados.

Contrário a essa afirmação, o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, disse que “esse é um raciocínio muito simplista”.

Segundo ele, o impacto da guerra comercial EUA x China sobre o mercado de soja fez com que a cotação do vencimento novembro/18 (referência para a safra americana) na Bolsa de  Chicago entre 29 de maio até 13 de julho recuasse 22%.


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Em contrapartida, acrescentou o vice-presidente, essa queda não impactou de forma semelhante a soja brasileira, em função a alta do dólar e dos prêmios no mercado interno, que praticamente compensaram a desvalorização ocorrida nos EUA.

“Essa forte queda torna a soja americana atraente para outros importadores que não a China. Por conseguinte, eles devem trocar o Brasil pelos EUA como fornecedor. Ou seja, a soja que os EUA deixarem de vender para a China será vendida para outros países, e a soja que o Brasil deixar de vender para esses países será vendida para a China”, disse Sirimarco.

Enfatizando essa tendência, o USDA divulgou este mês um comunicado em que realça as oportunidades comerciais para os produtores americanos no sudeste asiático, ressaltando o potencial da Indonésia, Malásia e Filipinas.

Sirimarco destacou ainda a estimativa da China em relação às importações de soja para o ano comercial 2018/19, que começa em 1º de outubro. Os chineses preveem importar 93.85 milhões de toneladas. Esse volume, caso seja confirmado, será de 1.8 milhão de toneladas ou 2% menor do que a estimativa anterior do Ministério da Agricultura do país.

Além disso, analistas afirmam que haverá uma queda em relação à atual temporada, onde as importações são estimadas pelo ministério chinês em 95.97 milhões de toneladas.

Soja: aumento de estimativa

Em relação à produção da próxima safra de soja no Brasil, a última estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou um total de 120.5 milhões de toneladas contra 118 milhões de toneladas da última previsão, feita em junho.

Sirimarco atribui essa projeção à tendência de um novo aumento da área plantada. “De acordo com o Rabobank, o Brasil deve semear 36.4 milhões de hectares na safra 2018/19, a partir de setembro, registrando um novo recorde de plantio”.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área de 35.2 milhões de hectares semeados na atual safra de soja foi 3,7% superior à cultivada na safra 2016/17 e 69,9% maior do que a da safra 2006/07. Este foi o 11º aumento consecutivo na área total cultivada.

Nas últimas 12 safras, o Brasil obteve um incremento de 14.5 milhões hectares novos de soja e a cultura tornou-se a principal responsável pelo aumento da área no país. Atualmente corresponde à 57% da área total semeada com grãos.

Milho

Quanto à produção de milho na safra brasileira 2018/19, a última estimativa do USDA aponta para um volume de 96 milhões de toneladas e exportações de 31 milhões de toneladas.

Para o vice-presidente da SNA, o que importa agora não é a disponibilidade do milho, “mesmo considerando fatores como as últimas quebras de safra”, mas sim o preço do cereal no mercado. Sirimarco aponta como um dos riscos um possível ingresso da China na importação de milho. Até então, os chineses garantiam a produção interna, com bons estoques, mas o consumo tem aumentado a cada ano.

Equipe SNA/ RJ

Texto originalmente publicado em:
SNA
Autor: SNA

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