Influência da irrigação e adubação potássica na abertura prematura de vagens e na produtividade da soja

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da adubação potássica, combinada com irrigação, sobre a abertura prematura de vagens e a produtividade de grãos da soja.

Autor: HANKE, E. L.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

Independente da tecnologia empregada, o ambiente de produção em que a soja é submetida torna-se condição determinante do desempenho e da produtividade. Estresses abióticos, como a seca, podem causar em média perdas acima de 50% na produção (BRAY, 2004). A ocorrência de adversidade climática tem representado um sério problema à produção agrícola. Compreender como as plantas respondem ao déficit hídrico e os mecanismos de tolerância é fundamental para prevenir os impactos na produção.

O aproveitamento do potencial produtivo da soja deve fundamentar-se no estabelecimento e implementação de estratégias de manejo visando à minimização dos níveis de estresse e a maximização do ambiente de produção.

Além de perdas na produtividade os produtores têm se deparado com problemas relacionados à qualidade dos grãos e distúrbios fisiológicos, como, retenção foliar, haste verde, grãos esverdeados e abertura prematura de vagens com deterioração dos grãos. Problemas sérios como abertura prematura de vagens de soja foram relatados como ocorrência anormal causada por deficiência de potássio aliada a períodos de veranico (MASCARENHAS et al., 1989, 2013).

Outras possíveis causas podem potencializar este problema, como, incidência de antracnose (TECNOLOGIAS, 2005; YORINORI, 2011), alta pressão de mancha alvo (SILVA et al., 2008) em plantas debilitadas por deficiência nutricional, principalmente potássio e condições  ambientais favoráveis às doenças. Além dos fatores ambientais, tal ocorrência pode também estar relacionada a fatores genéticos. Entretanto, há carência de informações sobre as reais causas deste problema.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da adubação potássica, combinada com irrigação, sobre a abertura prematura de vagens e a produtividade de grãos da soja.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido de outubro de 2016 a fevereiro de 2017, na Estação Experimental da Fazenda Biotec – Unicesumar, Maringá, PR. O solo da área é classificado como Latossolo Vermelho Distroférrico e apresentava os seguintes atributos, na camada de 0 a 20 cm, antes da implantação do experimento:

35,41g dm-3 de matéria orgânica; 5,0 de pH em CaCl2; 16,18 mg dm-3 de P; 0,64 cmolc dm-3 de K; 11,67 cmolc dm-3 de Ca; 2,38 cmolc dm-3 de Mg; e 73% de saturação da CTC por bases.

A cobertura vegetal presente na área foi dessecada quimicamente com glyphosate (1.080 g ha-1), aos 7 dias antes da semeadura. A cultura antecedente à soja foi milho.

O delineamento experimental foi de blocos inteiramente casualizados, com parcelas subdivididas e três repetições. Nas parcelas foram alocadas três níveis de irrigação (ciclo total, a partir de R4 e sem irrigação). A irrigação foi realizada por sistema de aspersores. Na subparcela aplicou-se o tratamento com potássio (0, 40 kg K2O ha-1 e 80 kg K2O ha-1). A aplicação do potássio foi feita com cloreto de potássio, a lanço, sem incorporação, quando as plantas encontravam-se no estádio fenológico V2.

As subparcelas mediam 5,0 m de comprimento e 2,0 m de largura (5 linhas x 0,40m), totalizando 10,0 m2. A área útil das subparcelas foi de 6m2, sendo 5,0 m de comprimento e 1,2 m de largura (3 linhas x 0,40m). A cultivar utilizada é experimental, e apresenta histórico de abertura prematura de vagens em muitos locais testados. A adubação de base constou da aplicação de 250 kg ha-1 de superfosfato simples aplicados no sulco de semeadura. A semeadura foi realizada no dia 06/10/2016 e as sementes foram tratadas com Standak® Top (100 mL ha-1). O controle de doenças, insetos- -praga e plantas daninhas foi efetuado conforme as recomendações técnicas para a cultura. Avaliou-se, no estádio fenológico V3, na linha central o número de plantas estabelecidas.

No estádio R6, em um metro da linha central avaliou-se, o número de plantas, o número de vagens por planta, a porcentagem de vagens abertas imaturas e o número de grãos por vagem. Na maturação de colheita, avaliou–se a produtividade de grãos e a massa de mil grãos.

Os dados foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste de Tukey (p<0,05) para o efeito da irrigação e do potássio.

Resultados e Discussão

Não houve interação significativa da irrigação e adubação potássica para as variáveis analisadas. As diferentes doses de potássio não influenciaram significativamente nenhuma das variáveis estudadas (Tabela 1). Houve efeito da irrigação para as variáveis: vagens por planta, grãos por vagem e produtividade de grãos, e vagens por planta (Tabela 2).

Tabela 1. Variáveis de componentes de rendimento, abertura prematura de vagens e produtividade de grãos de soja cultivada com e sem adubação potássica.

Tabela 2. Variáveis de componentes de rendimento, abertura prematura de vagens e produtividade de grãos de soja cultivada com e sem irrigação.

Não houve diferença significativa na variável vagem aberta imatura em nenhum dos tratamentos (parcelas e subparcelas), provavelmente devido o nível de potássio no solo se encontrar satisfatório para a demanda da cultura e a normalização das chuvas após oestádio R5, embora este problema tenha sido constatado em algumas cultivares nos últimos anos em áreas com suprimento adequado de potássio.

Quanto à produtividade de grãos o tratamento que recebeu irrigação durante todo o ciclo foi o que mais respondeu em incremento, devido ao maior número de vagens por planta e maior número de grãos por vagens, componentes de rendimento que são definidos no início do estádio reprodutivo e que também foram influenciados significativamente pela irrigação principalmente antes da normalidade das chuvas.Os autores Kuss et al. (2008), também encontraram médias de produtividade maiores para o tratamento com irrigação plena.

Diferentemente do constatado por Palharini (2016), a massa de mil grãos não diferiu significativamente quando as plantas foram submetidas à irrigação e as diferentes doses de potássio.

Conclusão

Não houve interação entre a irrigação e a adubação potássica na produtividade da soja, bem como na abertura prematura de vagens.

Antes do enchimento de grãos o estresse por déficit hídrico pode acarretar perdas significativas na produtividade. A abertura prematura de vagens não tem influência com a estiagem nos estádios anterior ao enchimento de grãos.

Doses elevadas de potássio não contribuem para a diminuição da ocorrência de abertura prematura de vagens.

Referências

BRAY, E. Genes commonly regulated by water- -deficit stress in Arabidopsis thaliana. Journal of Experimental Botany, v. 55, n. 407, p.2331-2341, 2004.

KUSS, R. C. R.; KÖNIG, O.; DUTRA, L. M. C.; BELLÉ, R. A.; ROGGIA, S.; STURMER, G. R. Populações de plantas e estratégias de manejo de irrigação na cultura da soja. Ciência Rural, v. 38, n. 4, p. 1133-1137, 2008.

MASCARENHAS, H. A. A.; ESTEVES, J. A. de F.; WUTKE, E. B.; RECO, P. C.; LEÃO, P. C. da Deficiência e toxicidade visuais de nutrientes em soja. Revista Nucleus, v. 10, n. 2, p. 281-306, 2013.

MASCARENHAS, H. A. A.; MIRANDA, M. A. C.; OKANO, C.; TANAKA, R. T.; PEREIRA, C. V. N. A. Abertura de vagens imaturas de soja em decorrência de fatores ambientais e de deficiência de potássio. O Agronômico, v. 41, n. 1, p.64-68, 1989.

PALHARINI, W. G. Influência do estresse hídrico sobre caracteres agronômicos, fisiológicos e abertura de vagens imaturas em soja. 2016. 36f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa.

SILVA, L. H. C. P.; CAMPOS, H. D.; SILVA, J. Fortalecida e agressiva. Revista Cultivar, 114, p. 20-22, 2008.

TECNOLOGIAS de produção de soja – Região Central do Brasil. Londrina: Embrapa Soja: 220p. (Embrapa Soja. Sistemas de produção, 6).

YORINORI, J. T. DFC e mancha alvo. In: Congreso de La Soja Del Mercosur, 5., Rosario, Argentina, 2011.

Informações do autor:

1Nidera Sementes, Av. Luiz Carlos Berrini, Cidade Monções, São Paulo-SP.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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