Influência de densidades populacionais nos atributos produtivos de espigas de milho sob adubação nitrogenada

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Este estudo que tem como objetivo avaliar a influência exercida por diferentes densidades populacionais de plantas combinadas com doses de nitrogênio sobre os atributos quantitativos das espigas de milho em parâmetros de produtividade

Autores:  Debora Novotck Carvalho da Silva(2) ; Tiago de Souza Santiago(3); Crissogno Mesquita dos Santos(4); Sara Helem Silva e Silva(5); Alison Veloso da Costa Cunha(6); Ricardo Shigueru Okumura(7)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

O arranjo espacial de plantas de milho e a adubação nitrogenada estão entre as técnicas mais importantes para aumento da produtividade. O presente trabalho teve por objetivo avaliar a influência exercida por diferentes densidades populacionais de plantas combinadas com doses de nitrogênio sobre os atributos quantitativos das espigas de milho, no município de Parauapebas, Pará.

O delineamento experimental adotado foi em blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 5×5 sendo 5 doses de N (0, 45, 90, 135 e 180 kg.ha-1) e 5 densidades populacionais (40.404, 47.619, 60.606, 83.333, 121.212 plantas.ha-1), com 4 repetições, utilizando ureia como fonte de N. A colheita das espigas foi realizada aos 105 DAS, sendo colhidas 10 espigas por parcela experimental, as quais foram avaliadas em comprimento (cm) e o diâmetro (mm).

Os dados experimentais foram submetidos a análise de variância e ao teste de regressão polinomial por meio do SISVAR. Para a variável diâmetro da espiga a dose de 90 kg.ha-1 de N e a densidade de 60.000 plantas.ha-1 apresentaram maiores médias de 46,76 mm e 47,12 mm, respectivamente. O comprimento da espiga apresentou médias estatisticamente significativas para as doses de 0, 45, 135 e 180 kg.ha-1 de N apresentando ajuste linear. A dose de 180 kg.ha-1 de N apresentou espigas maiores conforme a densidade populacional aumentou.

Termos de indexação: espaçamento, adubação, produtividade.

INTRODUÇÃO

Dentre as técnicas empregadas para a obtenção de altas produtividades de milho (Zea mays L.), a escolha do arranjo espacial de plantas na área é uma das mais importantes (Almeida et al., 2000). O melhor arranjo populacional é aquele que proporciona distribuição mais homogênea de plantas por área, possibilitando melhor utilização dos recursos ambientais.

Dourado Neto et al., (2003) afirmam que o aumento da população de plantas, pode tanto proporcionar ganhos de produtividade, como ainda afetar negativamente os componentes de produção. Tradicionalmente são utilizados os espaçamentos entre linhas de 0,80 e 0,90 m, no Brasil, que possibilita adequado funcionamento dos equipamentos tradicionais à semeadura, tratos culturais e colheita (MATTOSO et al., 2006).

Atualmente, nos programas de melhoramento de milho, têm-se buscado genótipos com elevada resposta produtiva em elevadas densidades populacionais, de 80 mil a 100 mil plantas por hectare, e sob espaçamentos entre linhas mais reduzidos, com o objetivo de maximizar a produção em uma área relativamente menor (DOURADO NETO et al., 2003).

As recomendações oficiais de população de plantas não seguem critérios específicos por região, solo, época de semeadura, híbrido ou nível de tecnologia, e por isso são indicadas de maneira generalista, além de ainda serem escassas. Almeida et al. (2000) indicaram 65.000 a 80.000 plantas ha-1 para lavouras nas regiões de Planalto do Sul do Brasil.

Na expressão do seu maior potencial produtivo, a cultura do milho solicita que suas exigências nutricionais sejam atendidas, devido a grande extração de nutrientes do solo pelas plantas, principalmente o nitrogênio (N) sendo este o nutriente exigido em maior quantidade pela cultura. O nutriente é essencial para um bom desenvolvimento da planta por está ligado diretamente a seu metabolismo vegetal, influenciando positivamente na produtividade dos grãos (Souza et al., 2003).

Na maioria das vezes, a quantidade de N naturalmente disponível no solo é insuficiente para suprir a demanda da planta, tornando a complementação via fertilizante nitrogenado fundamental para obtenção de elevadas produtividades (AMADO; MIELNICZUK; AITA, 2002).

Por sua vez, a utilização do N de forma incorreta, sem que a aplicação ocorra na dose adequada, pode acarretar sérios prejuízos ambientais, pelo elevado custo energético na sua produção e, principalmente por ser passível de propiciar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas por nitrato, decorrente dos processos de erosão e de lixiviação (ARGENTA et al., 2003).

Do ponto de vista econômico e ambiental, a decisão mais importante no manejo de fertilizantes é as doses de N a serem aplicada (FONTOURA; BAYER, 2009). Nesta recomendação devem-se levar em consideração as condições edafoclimáticas, sistema de cultivo (sistema plantio direto ou convencional), época de semeadura, responsividade do material genético, rotação de culturas, época e modo de aplicação, fontes de N, aspectos econômicos e operacionais (FERNANDES et al., 2005).

Segundo Malhi et al. (2001), é necessário ter cautela na recomendação das doses de N, uma vez que a recuperação do N dos fertilizantes, pelas plantas, é relativamente baixa, inferior a 50% para muitos casos. Coelho et al. (1991), na dose de 60 kg ha-1 de N, obtiveram recuperação de 60% do N aplicado como ureia na cultura do milho. Por outro lado, quando as doses de N são maiores, a recuperação do N tende a diminuir relativamente.

As condições nutricionais em que as plantas de milho estão submetidas apresentam respostas diretamente ligadas ao seu desenvolvimento vegetativo bem como ao nível produtivo das mesmas. Devido a sua alta exigência em nitrogênio, as lavouras de milho requerem o complemento de uma adubação em cobertura para complementar a quantidade fornecida pelo solo do nutriente.

A carência de informações referentes à influência do N na cultura do milho para a região Norte do Brasil justifica a realização deste estudo que tem como objetivo avaliar a influência exercida por diferentes densidades populacionais de plantas combinadas com doses de nitrogênio sobre os atributos quantitativos das espigas de milho em parâmetros de produtividade.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em condições de campo, nos meses de dezembro a abril, em área disponibilizada pelo Centro Tecnológico da Agricultura Familiar – CETAF, localizado no município de Parauapebas – Pará, região Sudeste do Estado, com coordenadas geográficas de latitude 06º03’30’’S e longitude 49º 55’15’’W. Segundo a classificação de Köppen, a região apresenta clima “Am” tropical, com média de umidade relativa do ar anual situada em torno de 80%.

O experimento compreendeu-se em uma área de 1.875 m² em solo classificado como Argissolo Vermelho- Amarelo (EMBRAPA, 2006). Cada parcela experimental foi constituída em 5 linhas de plantas com 5m de comprimento, espaçadas em 0,75m variando apenas o espaçamento entre plantas promovendo assim diferentes densidades populacionais. Para as avaliações foram analisadas as três linhas centrais consideradas uteis e as demais bordadura.

A cultivar de milho utilizada no experimento foram híbridos duplos BR205 com características de adaptação a regiões tropicais, ciclo precoce, alta produtividade, tolerância à toxidez por alumínio e ao estresse hídrico com grãos sedimentados de cor amarelo-alaranjado. O delineamento experimental adotado foi em blocos inteiramente casualizados, em esquema fatorial 5×5, constituído de 5 doses de nitrogênio (0, 45, 90, 135 e 180 kg ha-1), utilizando ureia como fonte, e 5 densidades populacionais (40.000, 48.000, 60.000, 87.000, 121.000 plantas ha-1), com 4 repetições, durante o ano agrícola de 2016.

A semeadura foi realizada de forma mecanizada com uso de semeadora adubadora, sendo utilizado NPK na formulação 9-25-15 para a adubação de semeadura, seguindo as recomendações de adubação e calagem para o Estado do Pará (CRAVO et al.,2010). No dia seguinte a semeadura foi aplicado de forma mecanizada à área o herbicida Atrazina, de ação seletiva de pré e pós emergência precoce, seguindo as recomendações para a cultura do milho. A adubação em cobertura ocorreu 30 dias após a semeadura (DAS) de forma manual a lanço, no estádio fenológico V4, em ocasião de quatro folhas completamente expandidas. O controle de plantas daninhas no decorrer do estabelecimento da cultura foi realizado por meio da aplicação de 2,4D, com equipamento costal na formulação 1 L.ha-1.

A colheita das espigas foi realizada aos 105 DAS de forma manual, sendo colhidas aleatoriamente 10 espigas por parcela experimental, as quais com posterior trilhagem foram avaliadas em comprimento da espiga (cm) com auxilio de régua em escala centimétrica e o diâmetro da espiga (mm) por meio de paquímetro digital. Os dados experimentais foram submetidos a analise de variância e as médias quantitativas comparadas através do teste de regressão polinomial por meio do software estatístico SISVAR.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A variável diâmetro da espiga não apresentou resultados significados em resposta ao incremento de doses de N e nem em função das densidades populacionais adotadas. Em relação às doses empregadas, a maior média (46,76 mm) foi encontrada quando utilizada 90 kg.ha-1 de N. em função de densidades de plantas o maior valor (47,12 mm) para está variável foi observado em 60.000 plantas.ha-1 (Figura 1).

O desdobramento da variável em função da densidade populacional, apresentou um aumento conforme a densidade de plantas cresceu, comportando-se assim até a população de 60.000 plantas.ha-1, posterior a isso houve decréscimo do diâmetro com o aumento da população de plantas (Figura 2).

Resultados semelhantes foram encontrados por Costa (2000) quando utilizou 3 tratamentos com aplicação de N em cobertura (30, 60 e 90 kg.ha-1) não encontrando resultados significativos para diâmetro de espigas em altas populações de plantas. Os mesmos resultados foram encontrados por Brachtvogel (2009) onde plantas de milho apresentaram decréscimo das médias para o diâmetro da espiga conforme a densidade populacional foi aumentada. Este não incremento em relação as fontes de variação é relatado por Sangoi (2001) devido a competição das plantas pela radiação solar incidente, por nutrientes e água, que determina a formação da espiga, sobretudo em cultivo adensado, que pode implicar num déficit de suprimento de carbono e nitrogênio para as plantas devido a competição entre as mesmas.

Diferentemente do diâmetro o comprimento da espiga (cm) mostrou-se significativo para a maior (121.000 plantas.ha-1) e menor (40.000 plantas.ha-1) densidade de plantas, expressando uma correlação quadrática para a densidade de 40.000 plantas.ha-1 onde sua maior resposta foi encontrada quando submetida a dose de 90kg.ha-1 comportando-se com posterior decréscimo após essa dose e um ajuste linear para a densidade de 121.000 plantas.ha-1.

Para as densidades de 48.000, 60.000 e 87.000 plantas.ha-1 não houve significância estatística entre as médias, encontrando-se valores médios de 18,30, 18,07 e 18,92 cm respectivamente (Figura 3).

Para o desdobramento das doses de N adotadas o comprimento da espiga não se apresentou de forma estatisticamente significativo apenas para a dose de 90 kg.ha-1, entretanto para as demais doses (0, 45, 135 e 180 kg.ha-1 de N) os valores se enquadraram em ajuste linear, apresentando crescimento conforme a densidade de plantas foi aumentada (Figura 4). Dourado Neto et al. (2003) constataram que, em densidades populacionais entre 30 mil e 60 mil plantas.ha-1, as plantas de milho apresentaram incremento do comprimento de espiga. Para populações acima de 65 mil plantas por hectare, isso não foi observado, possivelmente pela competição entre as plantas. Segundo Sangoi et al. (2000), plantas com espaçamentos Equidistante competem minimamente por nutrientes, luz e outros fatores, favorecendo o melhor desenvolvimento das espigas e aproveitando melhor os nutrientes disponibilizados a elas pelo solo.

Figura 1. Desdobramento da analise de regressão para as densidades populacionais para a variável diâmetro da espiga (mm).

Figura 2. Desdobramento da analise de regressão para doses de N (kg.ha-1) para a variável diâmetro da espiga (mm).

Figura 3. Desdobramento da análise de regressão em função das densidades populacionais para a variável comprimento da espigas (cm)

  

Figura 4. Desdobramento da análise de regressão em função de doses de N (kg.ha-1) para a variável comprimento da espigas (cm).

CONCLUSÕES

A dose de 90kg.ha-1 de N juntamente com a densidade de 60.000 plantas.ha-1 apresentaram os maiores valores para a variável diâmetro da espiga.

O comprimento da espiga tem seu máximo crescimento na dose de 90kg.ha-1 de N em plantas sob densidade populacional de 40.000 plantas.ha-1.

Plantas submetidas à dose de 180 kg.ha-1 de N tem espigas maiores conforme a densidade de plantas aumenta.

AGRADECIMENTOS

Ao Centro Tecnológico da Agricultura Familiar pelas instalações cedidas para a realização do experimento, e a FAPESPA, pelos recursos financeiros cedidos para a realização do mesmo.

REFERÊNCIAS

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ALMEIDA, M.L.; MEROTTO JR.; A.; SANGOI, L.; ENDER, M.; GUIDOLIN, A.F. Incremento na densidade de plantas: uma alternativa para aumentar o rendimento de grãos de milho em regiões de curta estação estival de crescimento. Ciência Rural, Santa Maria, v. 30, p. 23-29, 2000.

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AMADO, T.J.C.; MIELNICZUK, J.; AITA, C. Recomendação de adubação nitrogenada para o milho no RS e SC adaptada ao uso de culturas de cobertura do solo, sob sistema plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 26, p. 241-248, 2002.

ARGENTA, G.; SILVA, P.R.F.; FOSTHOFER, E.L.; STRIEDER, M.L.; SUHRE, E.; TEICHMANN, L.L. Adubação nitrogenada em milho pelo monitoramento do nível de nitrogênio na planta por meio do clorofilômetro. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 27, p. 109-119, 2003.

BRACHTVOGEL, E. L.; PEREIRA, F. S. R. et al. Densidades populacionais de milho em arranjos espaciais convencional e equidistante entre plantas. Ciência Rural. Santa Maria, 2009.

COSTA, A. M. Adubação nitrogenada na cultura do milho (Zea mays L.) em sistema de plantio direto. 2000. 90 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual de São Paulo, Botucatu.

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DOURADO NETO, D.D.; PALHARES, M.; VIEIRA, P.A.; MANFRON, P.A.; MEDEIROS, S.L.P.; ROMANO, M.R. Efeito da população de plantas e do espaçamento sobre a produtividade de milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v. 2, p. 63-77, 2003.

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Informações dos autores:  

(1) Trabalho executado com recursos cedidos pela Fundação Amazônica Paraense de Amparo à Pesquisa – FAPESPA;

(2) Estudante de agronomia; Bolsista FAPESPA; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

(3) Estudante de agronomia; Bolsista PIBIC; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

(4)Estudante de agronomia; Bolsista PIBIC; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

(5) Estudante de agronomia; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

(6) Estudante de agronomia; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

(7)Professor/Orientador; Universidade Federal Rural da Amazônia; Parauapebas, Pará;

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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